Anaconda (2025): Entre o Deboche Metalinguístico e o Caos de Tons, Os Trunfos do novo Anaconda são Originalidade e Elenco, com Selton Mello.
Para minha surpresa, eu me diverti muito mais com Anaconda (2025) do que poderia imaginar. Afinal, nunca fui fã da franquia e nem mesmo do longa original de 1997, embora reconheça seus méritos: a escolha da sucuri como uma vilã imponente, o senso de humor perverso e a tentativa de emular o clima tenso e sugestivo de Tubarão (1975), de Steven Spielberg.
A grande virtude desta releitura — ou continuação que expande o universo original — é a natureza metalinguística e debochada. O filme não se leva a sério e abraça sem reservas o teor camp. Ao fazer isso, transmuta a premissa da cobra assassina em uma obra que oscila entre a comédia de ação vibrante e o terror. Dessa forma, o longa de 2025 funciona como uma verdadeira ode à paixão pelo cinema de entretenimento puro.
Entretanto, o ritmo oscila bastante, especialmente na primeira metade, dedicada a estabelecer as dinâmicas entre os personagens. É nesse início que se percebe uma confusão de tons que se agrava no segundo ato, quando a aventura flerta mais pesadamente com o horror. Portanto, falta um equilíbrio refinado entre a melancolia, o drama e a galhofa.
Essa ausência de coesão faz com que cenas de diferentes gêneros colidam de maneira caótica. Em certos momentos, a mistura de perigo e humor resulta em sequências constrangedoras, Um exemplo disso é o desfecho da cena em que um dos personagens é picado por uma aranha.
Apesar dos tropeços, a concepção astuta da produção é executada com irreverência. Assim, o tom autorreferencial traz frescor ao modo como Hollywood trabalha o legado de franquias antigas. Isso porque o filme se recusa a ser apenas mais um reboot ou remake genérico. Em vez disso, ele prefere satirizar a própria falta de criatividade da indústria.
Além disso, o elenco transborda carisma. Por exemplo, a participação de Ice Cube, retornando ao universo que ajudou a fundar, é inspirada e irônica. Mas o destaque especial vai para Selton Mello. Afinal, o ator brilha ao entregar uma atuação repleta de bom humor e um calor humano surpreendente e cativante.
Sophia Mendonça é jornalista e escritora. Além disso, é mestre em Comunicação, Territorialidades e Vulnerabilidades (UFMG) e doutoranda em Literatura, Cultura e Tradução (UFPel). Ela também ministrou aulas de “Tópicos em Produção de Texto: Crítica de Cinema “na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), junto ao professor Nísio Teixeira. Além disso, Sophia dá aulas de “Literatura Brasileira Contemporânea “na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), com ênfase em neurodiversidade e questões de gênero.
Atualmente, Sophia é youtuber do canal “Mundo Autista”, crítica de cinema no “Portal UAI” e repórter da “Revista Autismo“. Aliás, ela atua como criadora de conteúdo desde 2009, quando estreou como crítica de cinema, colaborando com o site Cineplayers!. Também, é formada nos cursos “Teoria, Linguagem e Crítica Cinematográfica” (2020) e “A Arte do FIlme” (2018), do professor Pablo Villaça. Além disso, é autora de livros-reportagens como “Neurodivergentes” (2019), “Ikeda” (2020) e “Metamorfoses” (2023). Na ficção, escreveu obras como “Danielle, asperger” (2016) e “A Influenciadora e o Crítico” (2025).
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