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A seletividade alimentar na alimentação de autistas

A seletividade alimentar na alimentação de autistas costuma ser um grande desafio. O que fazer quando autistas não comem direito?

A seletividade alimentar na alimentação de autistas costuma ser um grande desafio. O que fazer quando autistas não comem direito?

A seletividade alimentar na alimentação de autistas costuma ser um grande desafio. O que fazer quando autistas não comem direito?

A seletividade alimentar na alimentação de autistas não é um critério diagnóstico para o autismo. Porém, é algo bastante comum no cotidiano dessas pessoas. Isso ocorre, principalmente, quando a gente fala em crianças. Afinal, elas têm essa característica em maior evidência. Assim, os desafios na alimentação chamam a atenção dos pais e familiares de autistas.

Meu filho autista não come direito: o que fazer?

Então, são muito comuns queixas de pais e mães que afirmam que os filhos autistas não comem direito. Além disso, há casos de autistas que não conseguem comer quando há mistura de alimentos no prato. Aliás, eu mesma sou assim. Inclusive, eu gosto de consumir um alimento por vez quando estou almoçando.

Portanto, a alimentação de autistas é um grande desafio. Afinal, a gente tem uma rigidez no modo como interpreta as informações da vida. Ou seja, percebemos o ambiente ao nosso redor de uma maneira diferente. Então, essa rigidez não se manifesta apenas no ato de se alimentar. Também, ela pode aparecer nas escolhas de qual tipo de comida eu vou preferir e como farei a refeição.

Refeições e o ato de se alimentar no autismo

Aliás, a alimentação é um processo que envolve muito mais do que simplesmente comer. Assim, a rigidez de autistas manifesta-se, inclusive, nos rituais que envolvem refeições. Por exemplo, há famílias que mantém o hábito de almoçarem juntos. Ou seja, a alimentação aqui também engloba um momento social.

Além disso, alimentar-se envolve aspectos de funções executivas. Isso engloba desde o autocuidado até mecanismos de sobrevivência. Então, quando se é autista, a gente costuma ter dificuldade de participar dessas rotinas sociais. Afinal, elas são diferentes dos nossos próprios rituais.

O que a hipotonia e a disfagia têm a ver com a seletividade alimentar na alimentação de autistas?

Eu, por exemplo, sempre comi muito pouco. Inclusive porque tenho disfagia, que é uma espécie de hipotonia próxima à garganta. Portanto, engolir alimentos para mim é difícil. Daí, em momentos de ansiedade, essa característica torna-se ainda mais crítica. Até já aconteceu de pessoas perguntarem, em uma festa, se eu não estava gostando dos alimentos servidos. Só que, na realidade, eu não estava comendo porque a dificuldade de engolir estava mais intensa. Afinal, havia muitas pessoas e barulho no local, o que é um gatilho para a minha ansiedade.

Ao mesmo tempo em que há essa dificuldade com rituais, variar os alimentos também pode ser um desafio. Então, gostar de comer tudo separadinho é uma característica possível por causa da rigidez. Porém, não se deve julgá-la como uma simples “frescura”. Afinal, a desorganização que vem quando a previsibilidade dessa rigidez se quebra é muito forte. Portanto, não é um simples se esforçar para agir igual a outras pessoas. Além disso, certas texturas e odores podem ser insuportáveis. Isso ocorre em função do processamento sensorial atípico.

Como melhorar um quadro de seletividade alimentar na alimentação de pessoas autistas?

Então, o que eu quero deixar com esse artigo, para as famílias, é muito sobre conter a ansiedade em relação à alimentação. Claro, é possível e desejável entrar com intervenções que ajudem a entender a parte sensorial e a rigidez da alimentação. E, também, esse momento mais lúdico e prazeroso. Assim, a alimentação pode se integrar ao cotidiano da pessoa autista de uma maneira que não se torne um grande evento ou peso.

Vídeo

Autismo e seletividade alimentar
Sophia Mendonça

Autora do Artigo

Sophia Mendonça é uma influenciadora, escritora e desenvolvedora brasileira. É mestre em Comunicação, Territorialidades e Vulnerabilidades (UFMG) e doutoranda em Literatura, Cultura e Tradução (UfPel). Em 2016, tornou-se a pessoa mais jovem a receber o Grande Colar do Mérito em Belo Horizonte. Em 2019, ganhou o prêmio de Boas Práticas do programa da União Européia Erasmus+.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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