Arte e entretenimento

10 melhores filmes de 2025

Hoje quero falar sobre os 10 melhores filmes de 2025. Claro que a lista não esgota as possibilidades. Afinal, ela contém apenas filmes que eu assisti. Metodologicamente, optei por escolher obras que tiveram o lançamento em território brasileiro em 2025.

Confira, então, a minha lista dos 10 melhores filmes de 2025!

1. A Hora do Mal e os 10 melhores filmes de 2025

    A Hora do Mal” cumpre com maestria o objetivo primário do terror. Afinal, o filme dirigido por Zach Cregger consegue instilar um medo genuíno e duradouro. Isso porque o filme evoca uma sensação de pavor que não eu experimentava desde a infância, ao assistir a clássicos como “O Exorcista” e “Psicose”. E alcança essa proeza não por sustos fáceis, mas por uma construção atmosférica primorosa. Tudo isso gera um clima de angústia crescente tanto durante a exibição quanto nas horas seguintes. 

    Tecnicamente, aliás, o filme é um exercício de precisão. Isso porque a tensão é cuidadosamente elaborada através de enquadramentos calculados que, paradoxalmente, soam naturais na tela. Além disso, o design de som foge do clichê dos jumpscares. Dessa forma, opta por um silêncio opressor e uma trilha sonora sutil. Mesmo o uso intenso da escuridão, um recurso muitas vezes criticado, aqui funciona para imergir o espectador de forma lenta e deliberada nesse universo aterrorizante. O que se potencializa pelo envolvimento de crianças na trama. E, além do suspense, “A Hora do Mal” explora temas complexos como abuso infantil, abuso policial e o senso de coletividade.

    2. A Última Showgirl

      Embora seja um filme de 2024, “A Última Showgirl demorou um ano para chegar ao Brasil. Mesmo assim, o lançamento foi direto para streaming, o que é pouco para uma obra tão especial. O filme, dirigido por Gia Coppola, é uma homenagem afetuosa e melancólica a uma Las Vegas em declínio. E, mais ainda, é um ode às mulheres que a construíram e não tiveram o merecido destaque. Nesse sentido, o grande trunfo da obra é a escolha cirúrgica de Pamela Anderson para o papel principal. Seu desempenho é uma acusação à indústria profunda e autêntica. Isso porque, em pequenos gestos, Pamela consegue redefinir a própria imagem como atriz. 

      Dessa forma, “A Última Showgirl” aborda a história de azar e escolhas questionáveis com gentileza e apreço por seus personagens. Assim, explora os altos e baixos da idade e da beleza. Com isso, revela-se uma obra terna que captura o intangível e o efêmero da vida cotidiana, com suas intensidades dramáticas e momentos de silêncio significativos.

      3. Anora

        O vencedor do Oscar 2025 chegou aos cinemas brasileiros em janeiro deste ano. Anora é uma comédia dramática encantadora sobre uma garota de programa e dançarina de striptease que, de maneira inusitada, se vê casada com um playboy bilionário. O mais interessante do longa-metragem, além da interpretação formidável de Mikey Madison, é o modo como o diretor e roteirista Sean Baker transforma a história em uma montanha-russa de gêneros e tons. Isso vai do conto de fadas juvenil a comédia caótica no estilo dos anos 30.

        Este é um filme caótico e extremamente engraçado, com um ritmo alucinante, mas que jamais deixa de soar autêntico. Essa qualidade se deve tanto à ótima direção de atores por Sean Baker quanto pela fotografia de Drew Daniels, que sabe trabalhar as cores e a luz para criar uma atmosfera realista. Além disso, o final é chocante. Afinal, ele frustra as expectativas de redenção que costumamos esperar de uma narrativa como essa. Porém, também sugere belos caminhos de uma maneira poética.

        4. Guerreiras do K-Pop

          Sob a direção de Megan Kang e Chris Appelhams, o universo de “Guerreiras do K-Pop” se revela belo e notavelmente lúdico. Isso porque os diretores conseguem infundir a narrativa com simbologias profundas ligadas à sabedoria coreana, enriquecendo a experiência visual e intelectual. Assim, a obra evidencia elementos simbólicos como o número três que significa prosperidade, a importância de um olhar para o tudo e não somente uma das partes, e a força coletiva que vem da transformação individual. A trama se desenrola com agilidade, transitando com esperteza, leveza e graça entre o humor, a ação e o drama. Essa fluidez garante que o ritmo nunca caia e que o espectador esteja constantemente envolvido pela história. 

          Além disso, a fusão de influências é um dos pontos altos da animação. A trama apresenta três protagonistas femininas fortes, que remetem ao carisma e à dinâmica de “Três Espiãs Demais”. Além disso, a imersão na cultura e nos valores orientais, aliada a números musicais envolventes, eleva o patamar da obra. E o resultado é simplesmente sensacional. Especialmente para aqueles que sentiam falta de uma animação que destacasse a força, a feminilidade e a resiliência de mulheres maravilhosas.

          5. Frankenstein

            O estilo do cineasta mexicano Guillermo Del Toro, vencedor de três Oscar, remete ao conto de fadas gótico. Além disso, o diretor e roteirista consegue extrair beleza e poesia do que poderia ser julgado apenas como grotesco. Essa habilidade de transformar o horror em conto de fadas é o que torna a visão de Del Toro sobre Frankenstein tão interessante. 

            O longa-metragem de 2025 oferece uma experiência narrativa de beleza ímpar. Isso porque Del Toro evidencia a força da história e dos diálogos. Para isso, ele apoia-se no senso estético admirável e nas excelentes interpretações. O diretor e roteirista também não teme algumas pequenas liberdades em relação à obra original. Na verdade, essas opções potencializam o impacto emocionante do enredo.

            6. Uma Batalha Após a Outra

              O grande mérito de “Uma Batalha Após a Outra“ é a forma como ele combina histórias profundas e reflexões complexas com muita ação. Afinal, Anderson utiliza a montagem e a trilha sonora de forma brilhante para manter o espectador envolvido e eletrizado. Isso ocorre ao mesmo tempo que a narrativa evoca humanidade e momentos de comédia ácida. Assim, o filme de Paul Thomas Anderson revela-se envolvente e emocionante. E entrelaça todas as histórias de forma poderosa.

              A trama discute a profundidade dos personagens e a questão dos revolucionários, mas de uma forma que evita a romantização. Isso porque, diferentemente dos épicos cinematográficos que justificam a violência, o filme de Anderson traz essa temática para um contexto mais realista. Assim, ele mostra que, embora o desejo de mudar o mundo seja importante e transmita esperança, as grandes transformações não ocorrem de forma rápida ou violenta. Dessa forma, o filme sugere a busca por um equilíbrio entre o desejo de mudança e a necessidade de preservar a saúde mental, evitando a paranoia e o sofrimento. Com isso, o diretor mostra que a violência pode ser prejudicial tanto para si mesmo quanto para os outros.

              7. Acompanhante Perfeita

                Acompanhante Perfeita é um terror de ficção científica criativo e mordaz. Afinal, a obra une as discussões sobre os relacionamentos abusivos e os dilemas éticos que envolvem o uso da inteligência artificial. A partir disso, o filme nos envolve em uma série de reviravoltas. Tudo isso ocorre em pouco mais de uma hora e meia de duração. Este é, portanto, um daqueles filmes em que quanto menos informações prévias temos sobre ele, melhor. 

                Dessa forma, o diretor Drew Hancock aborda temas como a mercantilização do amor, a socialização precária de muitos homens e a idealização da mulher perfeita como sexualizada e submissa. Além disso, o desejo do ser humano pelo controle à descoberta da própria identidade após a saída de uma relação tóxica estão dentre os assuntos retratados.

                8. Pecadores

                Pecadores utiliza metáforas poderosas para abordar a opressão histórica dos negros. Isso vai desde a escravidão até a apropriação cultural. De forma quase antropofágica, com ecos até de canibalismo, o filme simboliza como os colonizadores se apropriaram do que consideravam bom nessa parcela da população. E destruíram o resto. Dessa forma, a obra revela-se uma representação terrível que pode despertar um forte senso de indignação e até um desejo de vingança, mesmo em pacifistas. 

                Conforme a narrativa avança para cenas mais violentas e simbólicas, que surpreendem o público que estava se divertindo, somos convidados a refletir profundamente sobre os acontecimentos e suas implicações. Apesar da sensação de que a história não terá um final feliz, ela se encerra da melhor maneira possível, dadas as circunstâncias. Afinal, quando o ódio e a violência abrem espaço, é difícil que o desfecho seja otimista. No entanto, o filme reserva momentos próximos ao final que, embora toquem no ódio, são incrivelmente tocantes e resgatam toda a essência de uma história e uma cultura.

                9. Vivo ou Morto: um mistério Knives Out

                Por meio de uma trama de mistério intrincada, o diretor Rian Johnson propõe uma reflexão profunda sobre fé e humanidade neste terceiro longa protagonizado pelo detetive Benoit Blanc (Daniel Craig). Em “Vivo ou Morto: um mistério Knives Out”, o cineasta explora diferentes manifestações da religiosidade. Estas variam da busca por transformação espiritual à instrumentalização política, passando pelo desejo intrínseco de pertencimento a um grupo. 

                O filme disseca conceitos como o propósito da crença, o culto à personalidade e a necessária humanização do sagrado. Nesta série, aliás, as motivações por trás dos assassinatos revelam-se mais cruciais do que o simples “quem matou”. Assim, as reviravoltas conferem camadas de complexidade à narrativa.

                10. O Agente Secreto fecha a lista dos 10 melhores filmes de 2025

                O Agente Secreto é, ao mesmo tempo, o documento histórico de uma época marcada pelo medo e violência e, também, uma obra de ficção inventiva que flerta com a comédia e o suspense. Ambientado no Brasil de 1977, o filme de Kleber Mendonça Filho mescla uma abordagem realista da metodologia de pesquisa histórica com lendas urbanas e interpretações repletas de calor humano. Dessa forma, trabalha as noções de identidade e memória.

                O que chama muito a atenção, nesse sentido, é como o cineasta confere um tom bem brasileiro ao longa-metragem. Esse cuidado fica evidente na reconstituição de época e dos cenários e no resgate de aspectos dolorosos da história do país. Isso porque a obra impressiona por tangibilizar aspectos sensoriais do Brasil, como o crescimento urbano desenfreado. Assim, há tanto a vitalidade geralmente associada ao povo brasileiro e seus costumes quanto a violência e a corrupção.

                Estes foram os 10 melhores filmes de 2025!

                Autora

                Sophia Mendonça é jornalista e escritora. Além disso, é mestre em Comunicação, Territorialidades e Vulnerabilidades (UFMG) e doutoranda em Literatura, Cultura e Tradução (UFPel). Ela também ministrou aulas de “Tópicos em Produção de Texto: Crítica de Cinema “na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), junto ao professor Nísio Teixeira. Além disso, Sophia dá aulas de “Literatura Brasileira Contemporânea “na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), com ênfase em neurodiversidade e questões de gênero.

                Atualmente, Sophia é youtuber do canal “Mundo Autista”, crítica de cinema no “Portal UAI” e repórter da “Revista Autismo“. Aliás, ela atua como criadora de conteúdo desde 2009, quando estreou como crítica de cinema, colaborando com o site Cineplayers!. Também, é formada nos cursos “Teoria, Linguagem e Crítica Cinematográfica” (2020) e “A Arte do FIlme” (2018), do professor Pablo Villaça. Além disso, é autora de livros-reportagens como “Neurodivergentes” (2019), “Ikeda” (2020) e “Metamorfoses” (2023). Na ficção, escreveu obras como “Danielle, asperger” (2016) e “A Influenciadora e o Crítico” (2025).

                Mundo Autista

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