Zootopia e a Política do Medo: A Animação Mais Madura da Disney - O Mundo Autista
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Zootopia e a Política do Medo: A Animação Mais Madura da Disney

Muito além de uma animação adorável, Zootopia é uma alegoria social brilhante sobre preconceito e a política do medo..

Muito além de uma animação adorável, Zootopia é uma alegoria social brilhante sobre preconceito e a política do medo.

Muito além de uma animação adorável, Zootopia é uma alegoria social brilhante sobre preconceito e a política do medo.

Zootopia é, sem sombra de dúvida, uma alegoria social madura e, eu diria, absolutamente surpreendente. À primeira vista, você olha para a tela e vê aquela animação visualmente adorável, coloridíssima, povoada por bichinhos que parecem de pelúcia. Mas, veja bem: não se deixe enganar pela fofura.

A Ilusão da Roupa Lúdica de Zootopia: Natureza vs. Construção Social

O que o filme faz, com enorme destreza, é usar essa roupagem lúdica para discutir temas seriíssimos e dolorosamente contemporâneos com a exata profundidade que eles merecem. Nós estamos falando aqui de uma dissecação muito perspicaz da política do medo. Daquela discriminação insidiosa que nasce do preconceito estrutural e da sempre muito complexa relação entre o que é instinto de natureza e o que é contrato de cultura.

Diversidade e Inclusão Sem Soluções Panfletárias em Zootopia

A grande sacada é que o filme chega em um contexto histórico em que políticas de diversidade e inclusão são não apenas necessárias, mas vitais — e que, no entanto, são tantas vezes recebidas com quatro pedras na mão. E sabe o que é mais formidável? O roteiro aborda esse barril de pólvora sem nunca, em momento algum, resvalar em soluções fáceis, panfletárias ou inverossímeis. Ele não tenta destacar o valor da diferença criando rivalidades baratas entre grupos que só serviriam para fomentar ainda mais o ódio. Pelo contrário. A discussão aqui é de uma ponderação invejável, tendo como eixo central o respeito inegociável à dignidade intrínseca de cada indivíduo.

Zootopia tem Uma Trama Policial de Primeiríssima Linha

​E, como se não bastasse todo esse estofo moral e sociológico, o entretenimento é de primeiríssima linha. Os personagens são de um carisma avassalador e fazem referências às suas respectivas espécies animais de uma maneira muito astuta, muito bem-humorada. Tudo isso é costurado por uma trama policial que é, olha, deliciosa. Envolvente, redondinha, muito bem pensada.

Avaliação

Avaliação: 4.5 de 5.
Sophia Mendonça

Autora

Sophia Mendonça é jornalista e escritora. Além disso, é mestre em Comunicação, Territorialidades e Vulnerabilidades (UFMG) e doutoranda em Literatura, Cultura e Tradução (UFPel). Ela também ministrou aulas de “Tópicos em Produção de Texto: Crítica de Cinema “na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), junto ao professor Nísio Teixeira. Além disso, Sophia dá aulas de “Literatura Brasileira Contemporânea “na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), com ênfase em neurodiversidade e questões de gênero.

Atualmente, Sophia é youtuber do canal “Mundo Autista”, crítica de cinema no “Portal UAI” e repórter da “Revista Autismo“. Aliás, ela atua como criadora de conteúdo desde 2009, quando estreou como crítica de cinema, colaborando com o site Cineplayers!. Também, é formada nos cursos “Teoria, Linguagem e Crítica Cinematográfica” (2020) e “A Arte do FIlme” (2018), do professor Pablo Villaça. Além disso, é autora de livros-reportagens como “Neurodivergentes” (2019), “Ikeda” (2020) e “Metamorfoses” (2023). Na ficção, escreveu obras como “Danielle, asperger” (2016) e “A Influenciadora e o Crítico” (2025).

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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