Velhos Bandidos: A Experiência como Arma no Cinema Nacional - O Mundo Autista
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Velhos Bandidos: A Experiência como Arma no Cinema Nacional

Crítica de Velhos Bandidos! Com Fernanda Montenegro e Ary Fontoura, a comédia nacional subverte o etarismo em um assalto a banco

Crítica de Velhos Bandidos! Com Fernanda Montenegro e Ary Fontoura, a comédia nacional subverte o etarismo em um assalto a banco

Crítica de Velhos Bandidos! Com Fernanda Montenegro e Ary Fontoura, a comédia nacional subverte o etarismo em um assalto a banco

​A comédia de ação Velhos Bandidos surge em tempos nos quais o etarismo ainda persiste de forma implacável na indústria cinematográfica. Para se ter uma ideia, uma pesquisa recente mostrou que apenas cinco atrizes com mais de 60 anos protagonizaram filmes de grande orçamento em Hollywood nos últimos anos. Este é, aliás, um número inferior ao de animais falantes ou, até mesmo, de atores chamados Chris.

​Apesar desse cenário, vivemos uma forte onda de nostalgia, que de certa forma, volta a valorizar o trabalho de atores veteranos. E é nesse contexto que o cinema brasileiro chega à vanguarda da produção mundial. Atuações magistrais como a de Wagner Moura em O Agente Secreto e a de Fernanda Torres em Ainda Estou Aqui não apenas foram aclamadas em premiações de projeção global, mas também servem de referência direta para as novas gerações de astros.

​A Trama de Velhos Bandidos: Um Assalto Fora dos Padrões

​Em Velhos Bandidos, Marta (Fernanda Montenegro) e Rodolfo (Ary Fontoura) estão longe de ser os típicos idosos inofensivos. Afinal, o casal tem o plano audacioso de assaltar um banco para recuperar um dinheiro que lhes foi tirado.

O alvo, aliás, não foi escolhido por acaso. O banco foi construído a partir de uma planta desenhada pelo próprio Rodolfo. Então, para colocar as mãos na fortuna, o casal percebe que precisa de pernas mais jovens. Por isso, recrutam uma dupla de assaltantes, vividos por Vladimir Brichta e Bruna Marquezine. ​E, enquanto os jovens tentam aplicar um golpe dentro do golpe, o quarteto precisa despistar o obstinado Investigador Oswaldo Aranha (Lázaro Ramos).

Velhos Bandidos: ​Direção, Estética e Veredito

​O longa tem direção por Cláudio Torres, que é irmão de Fernanda Torres. Confesso que o seu filme mais conhecido, A Mulher Invisível (2009), não me agradou tanto na época. Isso por apostar em um senso de humor comum no cinema nacional, com visões rígidas e estereotipadas dos interesses do brasileiro. ​No entanto, Velhos Bandidos, apesar do tom artificial e simplista, é revigorante.

​O visual foge do “realismo sujo” e abraça com gosto a estética clássica dos filmes de assalto. Assim, a produção capricha nos figurinos elegantes, em planos de câmera ágeis e em uma trilha sonora marcada por ritmo e ironia. Dessa forma, o humor da obra nasce do choque geracional e das interações afiadas do elenco.

​O trunfo desta obra, repleta de boas reviravoltas e com a emoção na dose certa, é a maneira inteligente como brinca com a invisibilidade social do idoso. Afinal, a polícia e a sociedade não esperam que pessoas de idade avançada sejam as mentes criminosas por trás de um golpe milionário. Porém, o roteiro retira esses personagens da caixa do “vovô inofensivo”. Com isso, devolve a eles desejo, orgulho e genialidade tática. Desse modo, subverte o gênero da comédia policial sobre roubos.

Avaliação

Sophia Mendonça

Autora

Sophia Mendonça é jornalista e escritora. Além disso, é mestre em Comunicação, Territorialidades e Vulnerabilidades (UFMG) e doutoranda em Literatura, Cultura e Tradução (UFPel). Ela também ministrou aulas de “Tópicos em Produção de Texto: Crítica de Cinema “na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), junto ao professor Nísio Teixeira. Além disso, Sophia dá aulas de “Literatura Brasileira Contemporânea “na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), com ênfase em neurodiversidade e questões de gênero.

Atualmente, Sophia é youtuber do canal “Mundo Autista”, crítica de cinema no “Portal UAI” e repórter da “Revista Autismo“. Aliás, ela atua como criadora de conteúdo desde 2009, quando estreou como crítica de cinema, colaborando com o site Cineplayers!. Também, é formada nos cursos “Teoria, Linguagem e Crítica Cinematográfica” (2020) e “A Arte do FIlme” (2018), do professor Pablo Villaça. Além disso, é autora de livros-reportagens como “Neurodivergentes” (2019), “Ikeda” (2020) e “Metamorfoses” (2023). Na ficção, escreveu obras como “Danielle, asperger” (2016) e “A Influenciadora e o Crítico” (2025).

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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