Repensando a Comunicação Autista Além da Perspectiva Médica - O Mundo Autista
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Repensando a Comunicação Autista Além da Perspectiva Médica

Como a poesia explica os stims? Repensando a Comunicação Autista em Tito Mukhopadhyay e Mo Ribeiro além da perspectiva clínica.

Como a poesia explica os stims? Repensando a Comunicação Autista em Tito Mukhopadhyay e Mo Ribeiro além da perspectiva clínica.

Como a poesia explica os stims? Repensando a Comunicação Autista em Tito Mukhopadhyay e Mo Ribeiro além da perspectiva clínica.

A pesquisa acadêmica ganha seu verdadeiro propósito quando ultrapassa os muros da universidade e encontra eco nas vivências cotidianas e nas plataformas digitais. É com imensa satisfação que vejo as reflexões que desenvolvo, em minha jornada como doutoranda em Literatura, Cultura e Tradução, alcançarem novos públicos. Além de gerarem debates profundos sobre a nossa forma de interagir com o mundo.

Recentemente, o artigo “As coisas não se ouvem de fora: poesia, autismo e apóstrofe em Tito Mukhopadhyay e Mo Ribeiro”, do qual sou coautora, foi publicado na revista Nau Literária. Além disso, tornou-se tema de uma análise em vídeo produzida por Bobby Baq (@bobbybaq). Essa reverberação destaca a importância de unirmos os estudos literários e a comunicação para transformar a percepção social sobre a neurodivergência.

A Quebra do Paradigma Clínico: Repensando a Comunicação Autista

Historicamente, a tradição médica tem se debruçado sobre o autismo através de uma ótica rigorosa com foco na ausência. A comunicação autista, sob o prisma clínico convencional, é frequentemente descrita e patologizada por aquilo que supostamente lhe falta em relação ao padrão neurotípico estabelecido.

No entanto, a literatura nos permite subverter essa lógica limitante. O vídeo destaca exatamente o cerne da nossa pesquisa. Afinal, a comunicação autista não se baseia na falta, mas sim em formas singulares de engajamento e interação contínua com o ambiente ao redor. Então, por meio do estudo das obras de Tito Mukhopadhyay e Mo Ribeiro, o artigo propõe uma escuta ativa para essas vozes. Com isso, tira o foco do “déficit” e volta-o para a presença.

A Poética do Movimento e da Regulação: Repensando a Comunicação Autista Além da Perspectiva Médica

Um dos pontos mais sensíveis que a repercussão da nossa pesquisa abordou é a análise de um trecho da obra de Tito Mukhopadhyay. No poema, o autor traça um paralelo brilhante que redefine o corpo autista no espaço:

Ele compara os movimentos repetitivos — conhecidos como stims ou comportamentos de autoestimulação — com a própria rotação da Terra.

Essa metáfora não apenas destigmatiza o movimento, mas o eleva a um estado de necessidade natural e cósmica. O stimming deixa de ser visto como um “sintoma” a ser contido ou corrigido, passando a ser compreendido como uma engrenagem vital de regulação, auto-organização e pura expressão poética.

O Impacto da Divulgação Humanizada

Para quem produz e gerencia conteúdo voltado à neurodivergência, como no projeto @mundo.autista, é fundamental que essas discussões habitem não apenas as páginas das revistas científicas, mas também o feed das redes sociais. O reconhecimento feito por comunicadores como Bobby demonstra a força da divulgação científica quando ela dialoga diretamente com as emoções e as realidades das pessoas.

Ver um trabalho acadêmico sendo debatido com tanta sensibilidade e profundidade fora do ambiente universitário é a maior recompensa que uma pesquisadora pode ter. É a prova de que as palavras escritas têm o poder de alterar estruturas de pensamento.

Participe da Conversa: O diálogo sobre neurodivergência, comunicação e literatura está sempre em construção. O convite fica aberto para que todos confiram o vídeo, leiam o artigo na íntegra na Nau Literária e reflitam sobre como as narrativas que consumimos podem nos ajudar a escutar melhor o que “não se ouve de fora”.

Leia o artigo: “As coisas não se ouvem de fora: poesia, autismo e apóstrofe em Tito Mukhopadhyay e Mo Ribeiro

Vídeo – Repensando a Comunicação Autista Além da Perspectiva Médica

Sophia Mendonça

Autora

Sophia Mendonça é jornalista e escritora. Além disso, é mestre em Comunicação, Territorialidades e Vulnerabilidades (UFMG) e doutoranda em Literatura, Cultura e Tradução (UFPel). Ela também ministrou aulas de “Tópicos em Produção de Texto: Crítica de Cinema “na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), junto ao professor Nísio Teixeira. Além disso, Sophia dá aulas de “Literatura Brasileira Contemporânea “na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), com ênfase em neurodiversidade e questões de gênero.

Atualmente, Sophia é youtuber do canal “Mundo Autista”, crítica de cinema no “Portal UAI” e repórter da “Revista Autismo“. Aliás, ela atua como criadora de conteúdo desde 2009, quando estreou como crítica de cinema, colaborando com o site Cineplayers!. Também, é formada nos cursos “Teoria, Linguagem e Crítica Cinematográfica” (2020) e “A Arte do FIlme” (2018), do professor Pablo Villaça. Além disso, é autora de livros-reportagens como “Neurodivergentes” (2019), “Ikeda” (2020) e “Metamorfoses” (2023). Na ficção, escreveu obras como “Danielle, asperger” (2016) e “A Influenciadora e o Crítico” (2025).

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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