Por que O Morro dos Ventos Uivantes (2026) é uma Experiência Sensorial Única? - O Mundo Autista
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Por que O Morro dos Ventos Uivantes (2026) é uma Experiência Sensorial Única?

Crítica de O Morro dos Ventos Uivantes (2026). A diretora Emerald Fennell troca o realismo histórico por uma obra de deslumbre sensorial.

Crítica de O Morro dos Ventos Uivantes (2026). A diretora Emerald Fennell troca o realismo histórico por uma obra de deslumbre sensorial.

A adaptação de 2026 do imortal O Morro dos Ventos Uivantes chega aos cinemas para provar que o cinema é uma experiência. Mais do que apenas recontar uma história clássica, o filme traz uma aventura arrebatadora que convida o espectador a uma imersão sensorial e reflexiva. Este novo filme, aliás, tem direção de Emerald Fennell, dos primorosos Saltburn e Bela Vingança.

O deslumbre visual versus a precisão história em O Morro dos Ventos Uivantes, versão de Emerald Fennell

O primeiro aspecto que salta à tela é o deslumbre visual. É inegável que os historiadores podem torcer o nariz para o figurino. Afinal, há uma clara licença poética no uso de tecidos e modelagens que não correspondem à época retratada. No entanto, essa escolha consciente se justifica pelo impacto na tela.

O que realmente dita o tom da obra é a beleza: os vestidos volumosos e as roupas masculinas preenchem o quadro de forma magistral. Dessa forma, o filme escolhe a grandiosidade estética em detrimento da exatidão documental. E, aliado a esse guarda-roupa exuberante, temos uma direção de fotografia brilhante. Por exemplo, o uso de locações abertas, com paisagens de tirar o fôlego, captura a essência selvagem da obra original de Emily Brontë. Com isso, garante um espetáculo que enche os olhos do primeiro ao último ato.

O Erotismo Sob o Olhar Feminino na adaptação de 2026 de O Morro dos Ventos Uivantes

O romance é o motor da trama, mas é na representação da intimidade que a versão de 2026 mais se diferencia e, curiosamente, causa certa incompreensão em parte do público. Por exemplo, vi muitos espectadores masculinos criticarem as cenas de sexo. Eles as rotulam como “fracas” ou “pouco excitantes”. No entanto, é fascinante e até um pouco cômico notar que essas críticas nascem da expectativa de um padrão explícito a que a indústria nos acostumou.

O grande trunfo dessas sequências é que elas são construídas inteiramente sob a perspectiva feminina, sob o famoso “female gaze”. Dessa forma, a direção de Emerald Fennell afasta-se da estética pornográfica e foca na construção do desejo. O erotismo, aqui, nasce do enlevo, da descoberta mútua e da tensão que se acumula aos poucos.

O Simbolismo da Maquete em O Morro dos Ventos Uivantes: Manipulando o Destino

Para além do romance e do visual, o filme brilha nos detalhes de design de produção. Um dos elementos mais marcantes é a precisão milimétrica da maquete da mansão, que é habitada por pequenas bonecas feitas com cabelos naturais.

Esse detalhe macabro e fascinante funciona como uma metáfora poderosa para a narrativa. Afinal, a maquete simboliza a ilusão de controle. Assim, é como se os personagens tentassem atuar sobre os próprios destinos, posicionando cuidadosamente elementos e pessoas dentro de uma bela casa, tentando domar paixões e tragédias incontroláveis.

O Veredito

A versão de 2026 de O Morro dos Ventos Uivantes é uma prova de que os grandes clássicos ainda respiram quando entregues a visões corajosas. Isso porque, ao priorizar a construção sensorial sobre o realismo e ao subverter as expectativas da intimidade nas telas, o filme se consagra como uma obra bela e sensorialmente provocativa.

Avaliação

Avaliação: 4 de 5.

Vídeo – “O Morro dos Ventos Uivantes

Selma Sueli Silva é criadora de conteúdo e empreendedora no projeto multimídia Mundo Autista D&I, escritora e radialista. Mestranda em Literatura pela UFPel, é também especialista em Comunicação e Gestão Empresarial (IEC/MG). Além disso, ela atua como editora no site O Mundo Autista (Portal UAI) e é articulista na Revista Autismo (Canal Autismo). Autora de livros como “Minha vida de trás para Frente“(2017) e “Camaleônicos” (2019).

Em 2019, Selma recebeu o prêmio de Boas Práticas do programa da União Europeia Erasmus+. Além dele, ganhou Prêmio Microinfluenciadores Digitais 2023, na categoria PcD. E é membro da UNESCOSOST movimento de sustentabilidade Criativa, desde 2022. Como crítica de cinema, é formada no curso “A Arte do Filme”, do professor Pablo VIllaça. Também é mentora em “Comunicação e Diálogo” para comunicação eficaz e um diálogo construtivo nos Relacionamentos Interpessoais, Sociais, Familiares, Profissionais e Estudantis.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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