Por que autistas tem dificuldade de pedir ajuda? - O Mundo Autista
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Por que autistas tem dificuldade de pedir ajuda?

Por que autistas tem dificuldade de pedir ajuda? Veja como superar essa barreira na comunicação. Texto de Sophia Mendonça.

Por que autistas tem dificuldade de pedir ajuda? Veja como superar essa barreira na comunicação. Texto de Sophia Mendonça.

Por que autistas tem dificuldade de pedir ajuda? Veja como superar essa barreira na comunicação. Texto de Sophia Mendonça.

Por que autistas tem dificuldade de pedir ajuda? Desde a infância, eu tinha dificuldades de comunicação relacionadas ao autismo, o que me impedia de entender o que era dito em sala de aula. Eu também me sentia constrangida em pedir ajuda, principalmente porque meus colegas conseguiam esconder suas próprias dificuldades para não “pagar mico”.

Naquela época, nem eu, nem meus colegas, tínhamos a maturidade para entender que os adultos não nos julgariam, e sim nos ajudariam. Contudo, a imagem de “durão” que alguns professores mantinham era uma forma de lidar com a turma barulhenta e desatenta por causa do foco em conversas paralelas, e não algo direcionado a mim. No meu caso específico, havia apenas minha dificuldade de entender as coisas que me eram ditas.

Por que autistas tem dificuldade de pedir ajuda? Um exemplo:

Em 2010, um dos piores anos da minha vida, precisei fazer um trabalho e fiquei sem grupo. Na época, devido às minhas conversas com profissionais de saúde mental, eu considerava humilhante ficar sem um grupo na adolescência. Por isso, deixei o problema para o último segundo e acabei apresentando o trabalho sozinha. Cada dia que passava até o dia da apresentação era um pesadelo. Eu não conseguia resolver a situação, mas também não conseguia parar de pensar nela.

A importância da clareza na comunicação

As dificuldades de pessoas autistas em pedir ajuda não se resumem ao constrangimento. Muitas vezes, eu simplesmente não sabia colocar em palavras o que estava me incomodando, e isso continua a acontecer até hoje, no meu doutorado. Quando me sinto perdida, não sei me expressar e fico frustrada e impotente. Às vezes, penso que consegui me comunicar com meus professores, mas eles me dizem que não entenderam a dimensão do meu problema.

Para superar essa barreira, tenho tentado duas coisas que têm me ajudado:

  • Evitar suposições: Tenho me esforçado para não tirar conclusões precipitadas quando não tenho todas as informações. Em vez de adaptar o que vou dizer à forma como acho que o outro vai me interpretar, eu busco ser o mais clara possível. Ou seja, procuro descrever o que está acontecendo focando mais nos acontecimentos em si e menos em minhas interpretações e emoções.
  • Comunicação empática: Acredito no princípio budista do “estado de Buda inerente ao ambiente”, que me incentiva a me comunicar com o lado mais empático das pessoas. Para isso, também procuro ser mais compreensiva e evitar a tendência de pensar que os outros estão agindo contra mim.

E você, já se sentiu assim em algum momento da sua vida?

Sophia Mendonça é jornalista, professora universitária e escritora. Além disso, é mestre em Comunicação, Territorialidades e Vulnerabilidades (UFMG) e doutoranda em Literatura, Cultura e Tradução (UfPel). Ela também ministrou aulas de “Tópicos em Produção de Texto: Crítica de Cinema “na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), junto ao professor Nísio Teixeira. Além disso, Sophia dá aulas de “Literatura Brasileira Contemporânea “na Universidade Federal de Pelotas (UfPel), com ênfase em neurodiversidade e questões de gênero.

Atualmente, Sophia é youtuber do canal “Mundo Autista”, crítica de cinema no “Portal UAI” e repórter da “Revista Autismo“. Aliás, ela atua como criadora de conteúdo desde 2009, quando estreou como crítica de cinema, colaborando com o site Cineplayers!. Também, é formada nos cursos “Teoria, Linguagem e Crítica Cinematográfica” (2020) e “A Arte do FIlme” (2018), do professor Pablo Villaça. Além disso, é autora de livros-reportagens como “Neurodivergentes” (2019), “Ikeda” (2020) e “Metamorfoses” (2023). Na ficção, escreveu obras como “Danielle, asperger” (2016) e “A Influenciadora e o Crítico” (2025).

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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