Sou jornalista, palestrante, escritora e sigo a mesma filosofia humanista que Sophia Mendonça, autora de Ikeda, um século de humanismo. Pratico o budismo de Nichiren Daishonin há mais de três décadas. Dessa forma, comprovando no meu dia a dia como essa maneira de pensar, sentir e agir é transformadora e é capaz de nos levar a um crescimento constante. Aprendi, com o passar dos anos, a admirar mais e mais o filósofo, escritor, poeta e líder humanista Daisaku Ikeda. Como fruto dessa admiração e convergência de ideias, procuro impregnar tudo que faço com seus ideais humanistas tão singulares e necessários.
Em meus textos, me dedico a abordar os princípios básicos que norteiam a rica filosofia e o pensamento do Dr. Ikeda, de uma maneira que todos possam entender e, mais do que isso, se emocionar, se interessar e aplicar essa visão de mundo. Por isso, confesso que fiquei muito impactada e encantada com o olhar e a abordagem que a jovem Sophia, de apenas 23 anos, nos traz neste livro. Afinal, ela elabora uma síntese tão rica, profunda e, ao mesmo tempo, deliciosa de ler, sobre a trajetória de Daisaku Ikeda. Inspirada pelos ideais do Dr. Ikeda, Sophia nos oferece nesta obra um panorama geral sobre toda a jornada desse incansável ativista pela paz, cultura e educação.
O Legado de Paz e Diálogo de Daisaku Ikeda
Em seis capítulos muito bem estruturados e fundamentados, a narrativa nos leva a uma viagem pelo tempo. Ela acompanha a história do budismo de Nichiren Daishonin e de Daisaku Ikeda. Além disso, destaca paralelos pertinentes com a produção dos maiores pensadores de todas as épocas. E, por meio de uma linguagem clara e dinâmica, conduz a uma leitura fluida e instigante que provoca a reflexão. Com isso, permite perceber toda a força, atualidade e abrangência do pensamento de Ikeda. Este revela-se fundamental para saber como se posicionar nos dias de hoje e se tornar agente na construção de um futuro melhor.
“Há uma tendência perturbadora na sociedade, causada pela ambição excessiva e exaltada de poder e riqueza que resulta no desejo de obter tudo de maneira rápida e fácil. A sabedoria diz que tais sombras ofuscantes são causadas por três impulsos negativos: ganância, governada por egoísmo irreprimível; ódio, ou aversão; e estupidez, que nos faz perder o curso de nossas vidas e da sociedade”, diz Ikeda em um trecho do livro.
Ele segue: “Tudo isso impede o diálogo entre indivíduos e nações, defendido por Shakyamuni e seus discípulos – dentre os quais, Ikeda. O presidente da SGI vê ‘na sabedoria do budismo uma grande possibilidade de evitar os conflitos que encobrem o nosso mundo, motivados pela discriminação, e de construir um futuro de convivência pacífica da raça humana… Apesar de a realidade social mundial parecer grave e imutável, não se deve aceitar ou se resignar a essa realidade, agora ou no futuro’”.
Daisaku Ikeda e Propostas de Paz
Há, também, um capítulo especial sobre o impacto internacional da dedicação incansável de Ikeda para disseminar a filosofia humanista mundo afora: “Desde 1983, anualmente, no ‘Dia da SGI’, celebrado a 26 de janeiro, Daisaku Ikeda encaminha, à Organização das Nações Unidas (ONU), sua Proposta de Paz. Até hoje, são mais de sete mil encontros com personalidades mundiais. Além disso, Ikeda escreveu 50 obras literárias, à forma de diálogos, com intelectuais do planeta”. E continua: “Por mais de 50 anos ele viajou por muitos países, construindo diálogos com pessoas de diferentes religiões, culturas e etnias. E, embora, nesses encontros, apareçam claramente referências à doutrina budista, nós o vemos dialogar livremente dentro de um âmbito cultural, com linguagem que supera o sectarismo e demonstra seu grande desejo por uma sociedade baseada na coexistência e na dignidade da vida”.
Daisaku Ikeda e a Força da Filosofia Humanista no Dia a Dia
A jovem Sophia Mendonça, que é autora de outros cinco livros, se propôs a apresentar a filosofia que admira e pratica, baseando-se na vida e obra de Ikeda. O resultado foi além de uma qualificada documentação dos fatos. Tenho certeza de que você, leitor ou leitora, também será tocado pela narrativa clara, tão bem contextualizada, deste livro magnífico e instigante.
Existem muitos escritos sobre o budismo Nichiren e também sobre a vida de Daisaku Ikeda e a importância de seu legado. Aliás, esses são trabalhos sobre os quais Sophia faz referência nas próximas páginas. Mas aqui, nesta obra singular, a trajetória intelectual de Ikeda, contada de forma sensível e perspicaz, nos leva a uma visão ampliada. Assim, o livro mostra que, além da prática religiosa, Ikeda se alia a propósitos de contribuir para um mundo mais humano, mais justo e menos desigual.
“Recusando-se a ceder ao sentimento de impotência ou resignação, convencida de que seu status não governamental de pessoa de fé abriria oportunidades de ação únicas, viajou a centenas de países e se encontrou com grandes pensadores. Com o mesmo espírito, continuou a elaborar propostas anuais, por uma nova era de paz e desarmamento, ao longo dos últimos 35 anos, e agiu a fim de expandir a solidariedade na sociedade civil”, ressalta o texto, que também frisa que tanto os fundadores do budismo (Shakyamuni, dois mil anos antes de Cristo, e Nichiren Daishonin, no século XIII) quanto os líderes da Soka Gakkai, Makiguchi, Toda e Ikeda, sempre valorizaram o diálogo acima de qualquer outro fator, ao compreender que “uma religião deixa de ser religião se não for compreendida pelas pessoas”.
Sophia Mendonça e Daisaku Ikeda
Como a autora salienta, Ikeda descobriu o budismo aos 19 anos, época em que passava por muitas dificuldades. Desde então, há quase oito décadas, vem se dedicando, incansavelmente, a promover o diálogo. E a trabalhar pela garantia dos direitos humanos.
Sophia Mendonça nos emociona por ter muito em comum com o mestre aqui biografado. Tomo a liberdade de compartilhar com vocês alguns aspectos que tornarão ainda mais interessante a leitura a seguir. Como jornalista eu não pude deixar de questionar Sophia sobre sua opção profissional.
Então, ela me respondeu: “Escolhi fazer Jornalismo porque sempre gostei de ler, escrever e acompanhar notícias. Além disso, sempre senti que tinha mais a dizer ao mundo do que muitas vezes conseguia expressar. Minha prática budista, num primeiro momento, se concentrava nesse objetivo. Eu queria compreender os outros e desejava que os outros também me compreendessem, já que enfrentava a fobia social e tinha poucos amigos. Sou autista; por isso, a minha maior limitação e grande desafio está na área da Comunicação Social, nesta ‘troca’ com o outro. Paradoxalmente, é essa a área que eu escolhi desenvolver e trabalhar como minha missão em termos de profissão. Acredito muito no jornalismo como prática social”.
A Missão de Comunicar
Sophia completa: “Daisaku Ikeda é amante do diálogo, da paz, da coexistência harmoniosa, do humanismo. E tudo isso vai ao encontro do que eu acredito. E mais: faz pensar sobre quando, mais nova, eu ainda não sabia lidar bem com o autismo, tinha crises nervosas por vivenciar essa dificuldade na comunicação, que me trazia muita raiva, tristeza, angústia e frustração.“
“O budismo Nichiren e a filosofia de Daisaku Ikeda me levaram a despertar para o potencial que chamamos de ‘Estado de Buda’, condição que eu tinha e que existe em todas as pessoas. Isso me fez buscar o essencial que havia dentro de mim, para, de alguma maneira, poder contribuir com a mudança do ambiente ao meu redor e inspirar e colher o que há de melhor no outro. Uma oportunidade para que eu pudesse revolucionar o que era circunstancial, como as crises, a depressão, a ansiedade e as alterações de humor que enfrento, pois são condições bastante comuns a quem apresenta o Transtorno do Espectro Autista.“
“Acredito que o ideal de interdependência entre as pessoas, exposto tanto por Daisaku Ikeda quanto por Nichiren Daishonin, converge com o que escrevi no meu primeiro livro, ‘Outro Olhar’, em 2015: ‘nós, humanos, somos seres sociais e a relação social envolve uma questão de saúde’. Assim, quando resolvi cursar Jornalismo, acredito que fui levada por esse desejo de dialogar com as pessoas ao meu redor e, além disso, ser uma comunicadora humanista que pudesse fazer a diferença na vida de quem me acompanha. Sinto-me plena, porque recebo diariamente o feedback, venho cumprindo o meu propósito”.
A Juventude como Esperança Inabalável do Futuro
Sim, Sophia consegue ser fiel aos seus objetivos e nos encanta e emociona ao superar seus limites e nos ensinar muito. Ela ainda revelou as razões pelas quais se identifica tanto com Daisaku Ikeda. Isso ocorre, principalmente, pela convergência de valores, como “a busca pela verdade, pela justiça, pelo conhecimento e pela sabedoria pautada no respeito por toda forma de vida. É o desejo de ser feliz e de contribuir positivamente à sociedade, de ser feliz e fazer o outro feliz, de ter a coragem necessária para descartar o superficial e abraçar a profundidade em tudo que se faz”, ela diz.
Esta obra e o trabalho de Sophia me fazem acreditar ainda mais na vida, nas lições do budismo que são acessíveis a todos e, principalmente, no pensamento de Daisaku Ikeda, que deposita sua esperança em um mundo melhor. O livro observa: “Desejava, também, que o maior número de pessoas viesse a viver a experiência de espiritualidade proposta pelo budismo, em resposta à realidade vivida em meio a tantos desafios culturais”. E como isso pode se concretizar? Segundo Ikeda, será por meio da atuação de jovens promissores e comprometidos como Sophia Mendonça.
‘Diário da Juventude’, de Daisaku Ikeda
Nas páginas a seguir você lerá um trecho do livro ‘Diário da Juventude’, de Daisaku Ikeda, que afirma: “A vida exige convicção. A vida exige esforços. A vida exige compaixão. Viver sem convicção é viver sem propósito, como a água estagnada de uma poça. É viver sem jamais conhecer o significado de arriscar ou ousar. (…) Juventude regada com lágrimas. As lágrimas me fizeram descobrir uma nova força. As lágrimas me fizeram sentir uma emoção inexplicável jorrando do fundo do coração. Juventude, rica em poesia. Juventude, que vive com paixão e suor. Agora, nos momentos preciosos da juventude, quero expressar a mais primorosa obra da arte de viver. Na literatura, na poesia, na música”.
A autora Sophia Mendonça e sua obra são a prova de que essa crença e esperança no potencial da juventude é factível e imprescindível. Como diz Ikeda: “O jovem é, com certeza, o tesouro da humanidade. O jovem é, com certeza, a força da justiça. O jovem é, com certeza, a esperança do futuro”.
*Vera Golik, jornalista e escritora, está à frente do portal “Vera Bellezza” (www.verabellezza.com.br) e é diretora-presidente do Instituto de Desenvolvimento e Valorização Humana -*
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

