Lançado em 1998 e estrelado por grandes nomes como Sandra Bullock e Nicole Kidman, Da Magia à Sedução (título original Practical Magic) é um filme que marcou gerações. No entanto, o seu status de “clássico cult” demorou a se consolidar. Afinal, quando chegou aos cinemas, a obra foi duramente acusada pela crítica de não saber ao certo qual era o seu propósito.
Afinal, como um filme inicialmente considerado um “fracasso” por muitos críticos conseguiu sobreviver ao teste do tempo e até mesmo garantir uma continuação anos depois?
Uma Mistura de Gêneros Incompreendida em Da Magia à Sedução
Um dos maiores desafios de Da Magia à Sedução na época do seu lançamento foi a sua relutância em se encaixar em uma única “caixa”. O filme era considerado engraçado demais para ser classificado como terror, mas, ao mesmo tempo, sombrio demais para ser uma comédia romântica tradicional.
Os críticos dos anos 90 preferiam obras engessadas, que seguissem as regras clássicas de gênero. No entanto, é justamente essa mistura que molda a genialidade do filme. Isso porque, ao transitar entre o humor, o romance, o suspense e o drama, o longa tem a coragem de mostrar que a experiência de ser mulher é complexa, repleta de momentos doces e sombrios.
Bruxaria como Metáfora para a Vivência Feminina
Nos anos 90, o cinema e a TV mergulharam de cabeça na temática mágica, com produções como Sabrina, a Aprendiz de Feiticeira e Charmed. Em Da Magia à Sedução, a bruxaria é utilizada de forma brilhante para ilustrar os desafios de ser mulher na sociedade moderna.
A trama mostra que as bruxas historicamente não são tratadas com gentileza pela sociedade, mas que também carregam um poder incomensurável e muito a contribuir. A narrativa aprofunda a discussão do universo feminino abordando tópicos difíceis, como violência doméstica, o processo do luto e, principalmente, as dinâmicas da relação entre as irmãs Owens.
A Maldição da Família Owens e o Trauma Intergeracional
Na trama, acompanhamos a família Owens, uma linhagem de mulheres que carrega o peso de ser responsabilizada por tudo de errado que acontece na cidade. Além disso, elas sofrem com uma maldição sombria: qualquer homem que se apaixone verdadeiramente por uma delas está fadado a morrer.
Essa maldição serve como uma poderosa representação de trauma intergeracional. Portanto,ela traz o peso das bagagens, medos e dores que herdamos de nossos antepassados, nossas avós e mães. O grande trunfo do roteiro é como ele soluciona esse problema: a resposta não está em um príncipe encantado, mas sim na força da união feminina. Dessa forma, filme subverte a rivalidade feminina imposta pela sociedade e prova que a solidariedade entre mulheres é a verdadeira força capaz de quebrar maldições.
Personalidades Diferentes e Talentos Necessários
A dinâmica entre as irmãs interpretadas por Sandra Bullock (Sally, mais reservada e contida) e Nicole Kidman (Gillian, mais atrevida e aventureira) reflete questões comuns do desenvolvimento humano. Embora a sociedade tente hierarquizar talentos — fazendo com que as pessoas se comparem o tempo todo —, o filme mostra que não existe uma irmã “melhor” que a outra.
Para resolver os perigos reais e mágicos do dia a dia, as habilidades e a personalidade de ambas são absolutamente necessárias. É uma celebração da diversidade de temperamentos femininos.
Conclusão: O Legado e a Continuação
Da Magia à Sedução se provou um projeto à frente do seu tempo. Ao abraçar a multiplicidade de gêneros, o longa entregou uma obra única, sensível e empática. O impacto foi tão duradouro que o filme conquistou uma legião de fãs ao longo das décadas e, recentemente, ganhou o anúncio oficial de uma continuação.
Se você já assistiu, revisitar essa obra é sempre uma jornada de afetos e reflexões. Se ainda não assistiu, essa é a hora perfeita para mergulhar nos encantos da família Owens!
Avaliação de Da magia à sedução: 8/10
Análise de Da magia à sedução inspirada nos comentários do canal Selma e Sophia, que discute cinema, cultura e afetos sob o olhar de mãe e filha. Assista ao vídeo original aqui:
Autoras

Sophia Mendonça é jornalista e escritora. Além disso, é mestre em Comunicação, Territorialidades e Vulnerabilidades (UFMG) e doutoranda em Literatura, Cultura e Tradução (UFPel). Ela também ministrou aulas de “Tópicos em Produção de Texto: Crítica de Cinema “na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), junto ao professor Nísio Teixeira. Além disso, Sophia dá aulas de “Literatura Brasileira Contemporânea “na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), com ênfase em neurodiversidade e questões de gênero. Em 2025, Sophia apareceu na posição #57 da lista de 64 egressos notáveis da UFMG, divulgada pelo EduRank. Ao longo de sua trajetória ela ganhou diversos prêmios, incluindo o Grande Colar do Mérito de Belo Horizonte (2016), o Special Tribute do Erasmus+ (2019) e o de micro Influenciadores Digitais do Portal da Comunicação (2023).
Atualmente, Sophia é youtuber do canal “Mundo Autista”, crítica de cinema no “Portal UAI”, repórter da “Revista Autismo“ e apresentadora do podcast “Boas de Conversa” no canal do YouTube “Selma & Sophia“.. Aliás, ela atua como criadora de conteúdo desde 2009, quando estreou como crítica de cinema, colaborando com o site Cineplayers!. Também, é formada nos cursos “Teoria, Linguagem e Crítica Cinematográfica” (2020) e “A Arte do FIlme” (2018), do professor Pablo Villaça. Além disso, é autora de livros-reportagens como “Neurodivergentes” (2019), “Ikeda” (2020) e “Metamorfoses” (2023). Na ficção, escreveu obras como “Danielle, asperger” (2016) e “A Influenciadora e o Crítico” (2025).

Autora
Selma Sueli Silva é criadora de conteúdo e empreendedora no projeto multimídia Mundo Autista D&I, escritora e radialista. Mestranda em Literatura pela UFPel, é também especialista em Comunicação e Gestão Empresarial (IEC/MG). Além disso, ela atua como editora no site O Mundo Autista (Portal UAI) e é articulista na Revista Autismo (Canal Autismo). Autora de livros como “Minha vida de trás para Frente“(2017) e “Camaleônicos” (2019). Ela também é youtuber dos canais “Mundo Autista” e “Selma & Sophia“.
Em 2019, Selma recebeu o prêmio de Boas Práticas do programa da União Europeia Erasmus+. Além dele, ganhou Prêmio Microinfluenciadores Digitais 2023, na categoria PcD. E é membro da UNESCOSOST movimento de sustentabilidade Criativa, desde 2022. Como crítica de cinema, é formada no curso “A Arte do Filme”, do professor Pablo VIllaça. Também é mentora em “Comunicação e Diálogo” para comunicação eficaz e um diálogo constr
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

