O aguardado Da Magia à Sedução 2: Feitiço de Amor chega aos cinemas e prova que é possível resgatar uma história clássica sem forçar a barra. O grande mérito da obra, dessa maneira, é se apresentar como uma progressão natural da vida das personagens décadas após o primeiro filme. Em vez de impor uma continuidade artificial, o roteiro de Akiva Goldsman, Georgia Pritchett e Kelly Marcel permite que o público aceite os novos desdobramentos de forma orgânica.
O peso do elenco: O contraste entre Bullock, Kidman e Joey King
Um dos maiores atrativos do longa é, sem dúvida, o retorno de atrizes do quilate de Sandra Bullock e Nicole Kidman. Elas brilham ao reprisar seus papéis. Kidman traz de volta uma personagem ousada, alegre e irreverente. Contudo, foge do estereótipo de uma mulher mais velha caricata. Já a personagem de Bullock, mais introspectiva, lida com o peso de escolhas passadas que trouxeram consequências para todo o núcleo familiar. Afinal, a família funciona como um sistema interligado.
É interessante notar, inclusive com certo humor, como o roteiro brinca com as dinâmicas de atração. Por exemplo, mesmo com a presença expansiva e deslumbrante de uma irmã, é a outra, mais reservada, quem acaba chamando a atenção do galã, o professor de magia. O único ponto fraco no elenco, talvez por falha do próprio roteiro, é a sobrinha vivida por Joey King. A personagem atua como residente médica, mas tem a presença acaba apagada em comparação à força das protagonistas. Isso acontece mais por culpa do roteiro, que não oferece à intérprete muito o que fazer, do que da atriz.
Muito além do romance: Diversidade, família e reflexões sobre o envelhecimento
O enredo ganha impulso por meio do romance de uma das filhas e do flerte com o interesse romântico da personagem de Sandra Bullock. Apesar disso, a força motriz da obra é o amor familiar. A narrativa assume uma roupagem leve ao estilo Sessão da Tarde, o que corre o risco de afastar alguns críticos. O longa-metragem, no entanto, esconde uma riqueza de temas profundos. Por exemplo, a temática da bruxaria é utilizada de forma inteligente para falar sobre diversidade. Com isso, mostra que pessoas com características específicas precisam se adequar, de forma especialmente singular, aos dilemas do cotidiano.
Além disso, o filme retrata a importância da união familiar nas adversidades. Ele nos lembra que, independentemente das brigas e discordâncias, é a família que se movimenta para oferecer apoio nos momentos de aperto. Mais do que isso, a obra propõe uma reflexão fundamental sobre o envelhecimento. Este, aliás, trata-se de um tema extremamente relevante no contexto atual do Brasil e do mundo. Por meio das tias mais velhas, a narrativa nos convida a repensar como tratamos os idosos. Portanto, devemos focar nas limitações que chegam com a idade ou valorizar a imensa bagagem, sabedoria e os exemplos que eles têm a compartilhar?
Finitude e irmandade em Da Magia à Sedução 2: Um final feliz que foge dos clichês
A finitude da vida e a morte são tratadas não como tragédias, mas como uma jornada cumprida, uma outra face natural da própria existência. Essa visão madura culmina em um desfecho belíssimo e revigorante. Em vez de encerrar a história com o tradicional clichê da “mocinha dançando com o mocinho”, o filme celebra a irmandade. Assim, mostra as duas irmãs curtindo suas margaritas e dançando juntas.
Da Magia à Sedução 2 pode até parecer um filme água com açúcar à primeira vista. Mas, ao ser “escarafunchado”, revela-se uma obra emocionante e cheia de lições valiosas. Além disso, é uma celebração de que o verdadeiro final feliz está em valorizar a vida.
Avaliação de Da Magia à Sedução 2: Feitiço de Amor: 8/10

Autora
Selma Sueli Silva é criadora de conteúdo e empreendedora no projeto multimídia Mundo Autista D&I, escritora e radialista. Mestranda em Literatura pela UFPel, é também especialista em Comunicação e Gestão Empresarial (IEC/MG). Além disso, ela atua como editora no site O Mundo Autista (Portal UAI) e é articulista na Revista Autismo (Canal Autismo). Autora de livros como “Minha vida de trás para Frente“(2017) e “Camaleônicos” (2019).
Em 2019, Selma recebeu o prêmio de Boas Práticas do programa da União Europeia Erasmus+. Além dele, ganhou Prêmio Microinfluenciadores Digitais 2023, na categoria PcD. E é membro da UNESCOSOST movimento de sustentabilidade Criativa, desde 2022. Como crítica de cinema, é formada no curso “A Arte do Filme”, do professor Pablo VIllaça. Também é mentora em “Comunicação e Diálogo” para comunicação eficaz e um diálogo construtivo nos Relacionamentos Interpessoais, Sociais, Familiares, Profissionais e Estudantis.
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