“Wonka”, o prelúdio musical de 2023 dirigido por Paul King, surge com a ambiciosa proposta de desvendar as origens do icônico chocolateiro Willy Wonka. O personagem foi imortalizado nos livros e filmes de “A Fantástica Fábrica de Chocolate”. Estrelado por Timothée Chalamet, o filme busca recapturar a magia e o capricho do universo de Roald Dahl. Contudo, o longa-metragem nem sempre atinge a nota certa. Com isso, resulta em uma experiência que oscila entre o encantador e o superficial.
O filme mostra que, antes de se tornar a mente brilhante por trás da maior fábrica de chocolate do mundo, Willy precisou enfrentar vários obstáculos. Cheio de ideias e determinado a mudar o mundo, o jovem Wonka embarca em uma aventura para espalhar alegria através de seu delecioso chocolate. Nela, ele acabou conhecendo o seu fiel e icônico assistente, Oompa Loompa, que e interpretado por Hugh Grant). Ele o ajuda a lutar contra todas as probabilidades para se tornar o maior chocolateiro já visto.
Crítica do filme “Wonka”, prólogo de “A Fantástica Fábrica de Chocolate”
Apesar de seus visuais deslumbrantes e da inegável doçura juvenil, “Wonka” esbarra em uma inocência que, por vezes, beira a ingenuidade. E o humor, embora tente ser simultaneamente pueril e perverso ao criticar os valores mercenários do mundo adulto, raramente atinge o impacto mordaz que se esperaria de uma obra inspirada em Dahl. Mesmo assim, a atmosfera lúdica é envolvente. Isso se deve aos toques burlescos bem trabalhados e a um espetáculo visual, além dos belos números musicais. No entanto, o filme peca pela falta de canções verdadeiramente memoráveis. O que deixa uma sensação de que a trilha sonora, apesar de muito agradável, não se eleva à altura do potencial narrativo.
A premissa, que visa explicar a jornada de Wonka antes de se tornar o gênio recluso, é encantadora. Contudo, ao evitar as ambiguidades morais e o tom esquisito que caracterizavam as adaptações anteriores da obra de Dahl, “Wonka” adquire um ar excessivamente “bobinho”. Essa opção frustra quem esperava maiores aprofundamento e complexidade. O que se torna ainda mais grave se comparamos “Wonka” à versão de Tim Burton ou a obras como “Matilda” e o primeiro “Convenção das Bruxas”, também adaptações de Dahl. Assim, o filme de King carece da profundidade e da excentricidade que tornaram essas produções tão cativantes. Isso ocorre porque o universo de Dahl é conhecido por sua estranheza e um certo nível de humor sombrio. Esses elementos, contudo, se diluem em um otimismo quase inabalável. O que acaba por limitar o potencial de um prelúdio verdadeiramente instigante.
A interpretação de Timothée Chalamet como Willy Wonka
Timothée Chalamet assume o desafiador papel de Willy Wonka, antes interpretado por lendas como Gene Wilder e Johnny Depp. E entrega uma performance bastante carismática. Sua interpretação infunde o jovem Wonka com uma inocência e um idealismo que se encaixam na proposta de um prelúdio. Além disso, Chalamet tem uma voz agradável e demonstra a presença de palco necessária para um musical. No entanto, ele ainda não possui a excentricidade peculiar e a intensidade que definem o Wonka que já conhecemos.
Avaliação

Sophia Mendonça é jornalista, professora universitária e escritora. Além disso, é mestre em Comunicação, Territorialidades e Vulnerabilidades (UFMG) e doutoranda em Literatura, Cultura e Tradução (UfPel). Ela também ministrou aulas de “Tópicos em Produção de Texto: Crítica de Cinema “na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), junto ao professor Nísio Teixeira. Além disso, Sophia dá aulas de “Literatura Brasileira Contemporânea “na Universidade Federal de Pelotas (UfPel), com ênfase em neurodiversidade e questões de gênero.
Atualmente, Sophia é youtuber do canal “Mundo Autista”, crítica de cinema no “Portal UAI” e repórter da “Revista Autismo“. Aliás, ela atua como criadora de conteúdo desde 2009, quando estreou como crítica de cinema, colaborando com o site Cineplayers!. Também, é formada nos cursos “Teoria, Linguagem e Crítica Cinematográfica” (2020) e “A Arte do FIlme” (2018), do professor Pablo Villaça.
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