Crítica: Série 'Elle' Honra o Legado e a Magia de Legalmente Loira - O Mundo Autista
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Crítica: Série ‘Elle’ Honra o Legado e a Magia de Legalmente Loira

Crítica da série "Elle", o prelúdio de Legalmente Loira. Descubra como Lexi Minetree recria a magia de Elle Woods nos anos 90 em Seattle.

Crítica da série "Elle", o prelúdio de Legalmente Loira. Descubra como Lexi Minetree recria a magia de Elle Woods nos anos 90 em Seattle.

Estou apaixonada por Elle, a nova série do universo de Legalmente Loira. O longa original, aliás, é um dos meus filmes favoritos. Isso ocorre em função da brilhante defesa da identidade, do amadurecimento e da solidariedade feminina. Assim, a obra subverte expectativas ao provar que a feminilidade convencional. fortemente simbolizada pela estética cor-de-rosa, não é, de forma alguma, o oposto da inteligência ou da competência profissional e acadêmica. Graças a isso, a obra consolidou-se como um filme à frente de seu tempo.

Lexi Minetree: A Nova Geração de Elle Woods

Neste prólogo televisivo, Lexi Minetree canaliza com eficácia o espírito otimista e proativo da personagem imortalizada por Reese Witherspoon. Além disso, ela transmite com precisão a frustração ao ser julgada como fútil logo de cara. Dessa forma, a jovem atriz captura a doçura e a atitude da protagonista. Com isso, recria a genialidade da performance de Witherspoon. Afinal, ela consegue soar ingênua sem nunca parecer tola. E emana a energia, o carisma e a feminilidade icônica de Elle.

Aos 16 anos, Elle Woods (Lexi Minetree) vive o auge da adolescência em Beverly Hills, Los Angeles. Ela tem tudo o que uma garota hiper-feminina e otimista poderia sonhar nos anos 90: roupas de grife, popularidade, um plano de três etapas perfeito para o seu penúltimo ano no ensino médio e um amor incondicional pela cor rosa. No entanto, a “bolha” perfeita estoura quando seu pai, o renomado cirurgião plástico Wyatt (Tom Everett Scott), comete um erro desastroso no nariz de uma celebridade local. Com o nome da família arruinado na costa oeste, os Woods fazem as malas às pressas e deixam o ensolarado estado da Califórnia.

Choque Cultural: De Beverly Hills ao Grunge de Seattle

Então, a família, que conta também com a mãe excêntrica e vaidosa Eva (June Diane Raphael), se muda para Seattle. Esta é a chuvosa e cinzenta capital do movimento grunge. Na Rainier West High School, Elle sofre um impacto imediato. Acostumada a ser admirada por seu estilo, ela agora caminha por corredores lotados de adolescentes cínicos. Eles vestem camisas de flanela, coturnos e camisetas do Nirvana. Além disso, repudiam o consumismo e a futilidade. Ellle logo entra na mira de Kimberly (Chandler Kinney), a “abelha-rainha” local que a rotula como fraude e decreta que “rosa não é uma personalidade”. Em meio à hostilidade, a protagonista encontra aliados improváveis. Assim, ela forma amizades com Liz (Gabrielle Policano), uma garota lésbica autêntica e direta, e Dustin (Zac Looker), um estudante ativista anti-capitalista.

A temporada se divide entre os esforços de Elle para se adaptar ao novo ambiente sem perder sua essência e os típicos dramas adolescentes. Dessa forma, ela tenta provar aos novos colegas que estilo e substância podem coexistir. Ao longo do caminho, também, a série explora dinâmicas complexas de amizade e até alguns deslizes questionáveis da protagonista. Isso inclui um momento em que Elle beija o ex-namorado recém-separado de uma amiga. O que gera conflitos éticos e testa o seu famoso “código de lealdade feminina”.

Elle: Mistérios, Nostalgia e o Cânone da Franquia de Legalmente Loira

A produção ganha pontos ao incorporar uma instigante energia investigativa na metade da temporada. O ponto vem em um episódio inteiro com foco uma detenção de sábado. Esta é, aliás, uma homenagem a O Clube dos Cinco. O ápice da trama, contudo, ocorre quando Elle canaliza sua futura “advogada interior” para ajudar Donna (Amy Pietz), a secretária da escola, a desvendar um esquema de fundos roubados. Com isso, Elle evoca com louvor a essência do filme clássico.

A narrativa também é muito feliz ao construir a mitologia da personagem. E revela, por exemplo, a origem do nome do icônico cachorrinho Bruiser. Além disso, traça paralelos inteligentes com cenas famosas do cinema. O figurino impecável dialoga perfeitamente com a estética da protagonista. Enquanto isso, a trilha sonora é recheada de sucessos dos anos 90, com nomes como Radiohead, Nirvana e Atomic Kitte. Assim, ela desponta como um dos destaques da obra. Aliás, ambientar a série na Seattle noventista foi uma sacada perspicaz. Isso porque o contraste estrutural entre a futilidade aparente de Elle e o ativismo dos novos colegas rende ótimos conflitos e valiosos aprendizados para ambos os lados.

Uma Nova Perspectiva Sobre o Amadurecimento de Elle

Elle tem comando da própria estrela original, Reese Witherspoon, agora como produtora. A série surfa habilmente na onda de nostalgia dos dramas adolescentes ao resgatar essa figura tão querida. Notei, no entanto, algumas críticas pertinentes em relação à continuidade com o cânone cinematográfico. Afinal, a jovem Elle passa por toda uma transformação em Seattle. Ela descobre que as aparências enganam e expandem sua visão de mundo ainda no ensino médio. Então, nessa perspectiva, por que ela precisava reaprender essas mesmas lições na faculdade anos depois? Por exemplo, ssa evolução precoce tornaria difícil de explicar o envolvimento com alguém tão superficial quanto Warner.

Contudo, se encararmos a série não como uma prequela estrita, mas como um remake temático adaptado para a juventude da personagem, esse amadurecimento antecipado faz total sentido. A verdadeira riqueza de Elle Woods, no fim das contas, reside exatamente em sua constante capacidade de transformação. Além da habilidade de ser, ao mesmo tempo, adorável e surpreendente

Avaliação: 8/10

Vìdeo – “Elle”

Sophia Mendonça

Sophia Mendonça é jornalista e escritora. Além disso, é mestre em Comunicação, Territorialidades e Vulnerabilidades (UFMG) e doutoranda em Literatura, Cultura e Tradução (UFPel). Ela também ministrou aulas de “Tópicos em Produção de Texto: Crítica de Cinema “na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), junto ao professor Nísio Teixeira. Além disso, Sophia dá aulas de “Literatura Brasileira Contemporânea “na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), com ênfase em neurodiversidade e questões de gênero. Em 2025, Sophia apareceu na posição #57 da lista de 64 egressos notáveis da UFMG, divulgada pelo EduRank. Ao longo de sua trajetória ela ganhou diversos prêmios, incluindo o Grande Colar do Mérito de Belo Horizonte (2016), o Special Tribute do Erasmus+ (2019) e o de micro Influenciadores Digitais do Portal da Comunicação (2023).

Atualmente, Sophia é youtuber do canal “Mundo Autista”, crítica de cinema no “Portal UAI” e repórter da “Revista Autismo“. Aliás, ela atua como criadora de conteúdo desde 2009, quando estreou como crítica de cinema, colaborando com o site Cineplayers!. Também, é formada nos cursos “Teoria, Linguagem e Crítica Cinematográfica” (2020) e “A Arte do FIlme” (2018), do professor Pablo Villaça. Além disso, é autora de livros-reportagens como “Neurodivergentes” (2019), “Ikeda” (2020) e “Metamorfoses” (2023). Na ficção, escreveu obras como “Danielle, asperger” (2016) e “A Influenciadora e o Crítico” (2025).

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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