Crítica: O Homem que Sussurra e o silêncio de três gerações em luto - O Mundo Autista
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Crítica: O Homem que Sussurra e o silêncio de três gerações em luto

Em O Homem que Sussurra, o luto de três gerações se perde em uma trama policial monótona. Análise do filme com Adam Scott e Robert De Niro.

Em O Homem que Sussurra, o luto de três gerações se perde em uma trama policial monótona. Análise do filme com Adam Scott e Robert De Niro.

Em O Homem que Sussurra, o que mais assusta não é aquilo que é dito em voz baixa, mas tudo aquilo que pais e filhos passaram a vida sem conseguir dizer uns aos outros. Dessa forma, o filme mistura relações familiares com uma trama policial que envolve serial killers e crianças desaparecidas. Contudo, a obra frustra pela distância entre aquilo que o filme sugere e o que de fato consegue desenvolver. Isso porque o longa traz uma trama policial previsível e monótona.

O Homem que Sussurra: Entre o drama familiar e o suspense policial previsível

​Tom (Adam Scott) perdeu a esposa e tenta cuidar de Jake (Acston Luca Porto) enquanto ele próprio ainda está em processo de luto. Ao mesmo tempo, mantém uma relação problemática com Pete (Robert De Niro), seu pai. O desaparecimento da criança coloca, portanto, três gerações masculinas em perspectiva: avô, pai e filho. Pete passou a vida interrogando criminosos, mas possui enorme dificuldade para encontrar uma linguagem para conversar com o próprio filho. Tom e Jake perderam a mesma pessoa, mas não necessariamente perderam a mesma coisa. Para Tom, morreu a companheira; para Jake, morreu a mãe. Portanto, cada um tenta sobreviver à ausência por instrumentos diferentes. Afinal, duas pessoas podem amar profundamente uma à outra e, ainda assim, serem incapazes de alcançar a dor uma da outra.

Repressão emocional masculina e a metalinguagem de Robert De Niro

​Os protagonistas são homens traumatizados cercados por acontecimentos extremos, mas o filme frequentemente coloca o afeto naquilo que eles não conseguem formular. Pete (Robert De Niro) pertence a uma geração masculina associada à autoridade, repressão emocional e trabalho. Tom parece mais disposto à proximidade afetiva, mas isso não significa que saiba sempre como estabelecê-la. Jake, ainda criança, utiliza outros códigos para expressar aquilo que sente. A presença de De Niro no papel do avô é particularmente interessante porque sua própria persona cinematográfica carrega décadas de personagens masculinos violentos, endurecidos ou emocionalmente inacessíveis. Colocá-lo como um homem idoso diante das consequências de suas relações familiares, então, produz uma camada quase metalínguistica ara a obra.

Avaliação de O Homem que Susurra: 5/10

Sophia Mendonça

Sophia Mendonça é jornalista e escritora. Além disso, é mestre em Comunicação, Territorialidades e Vulnerabilidades (UFMG) e doutoranda em Literatura, Cultura e Tradução (UFPel). Ela também ministrou aulas de “Tópicos em Produção de Texto: Crítica de Cinema “na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), junto ao professor Nísio Teixeira. Além disso, Sophia dá aulas de “Literatura Brasileira Contemporânea “na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), com ênfase em neurodiversidade e questões de gênero. Em 2025, Sophia apareceu na posição #57 da lista de 64 egressos notáveis da UFMG, divulgada pelo EduRank. Ao longo de sua trajetória ela ganhou diversos prêmios, incluindo o Grande Colar do Mérito de Belo Horizonte (2016), o Special Tribute do Erasmus+ (2019) e o de micro Influenciadores Digitais do Portal da Comunicação (2023).

Atualmente, Sophia é youtuber do canal “Mundo Autista”, crítica de cinema no “Portal UAI” e repórter da “Revista Autismo“. Aliás, ela atua como criadora de conteúdo desde 2009, quando estreou como crítica de cinema, colaborando com o site Cineplayers!. Também, é formada nos cursos “Teoria, Linguagem e Crítica Cinematográfica” (2020) e “A Arte do FIlme” (2018), do professor Pablo Villaça. Além disso, é autora de livros-reportagens como “Neurodivergentes” (2019), “Ikeda” (2020) e “Metamorfoses” (2023). Na ficção, escreveu obras como “Danielle, asperger” (2016) e “A Influenciadora e o Crítico” (2025).

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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