O Foragido: A Sátira dos Anos 90 com Leslie Nielsen Funciona? - O Mundo Autista
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O Foragido: A Sátira dos Anos 90 com Leslie Nielsen Funciona?

"O Foragido", estrelado pelo ícone Leslie Nielsen, brinca com os clichês do cinema dos anos 90. Uma análise sobre a paródia de Pat Proft.

"O Foragido", estrelado pelo ícone Leslie Nielsen, brinca com os clichês do cinema dos anos 90. Uma análise sobre a paródia de Pat Proft.

Antes mesmo de Leslie Nielsen entrar em cena, O Foragido já explica ao espectador qual será a regra de seu universo. Uma cartela anuncia solenemente que a dramatização a seguir é verdadeira e baseada em acontecimentos reais para, logo depois, completar que esses eventos vieram de outros filmes. A piada é simples, mas é também a melhor definição da proposta de Pat Proft. Isso porque O Foragido existe em um mundo formado por lembranças de outros longas-metragens. Dessa forma, a produção se baseia especialmente nos clichês e sucessos hollywoodianos dos anos 1990. Assistir ao filme, portanto, significa participar de um jogo de reconhecimento no qual cenas, personagens e convenções que aprendemos a levar a sério nos são devolvidos e transformados em absurdo.

Leslie Nielsen e a Arte de Levar a Piada a Sério

​O único prazer significativo de O Foragido, como não poderia deixar de ser, está em observar Leslie Nielsen atravessar um universo em que absolutamente nada obedece às regras da realidade, sem jamais deixar de se comportar como se estivesse protagonizando um suspense sério. Ao mesmo tempo, a quantidade quase incessante de piadas e referências revela a fragilidade dessa paródia. O filme segue à risca o estilo das comédias com Pat Proft na direção e Nielsen no elenco, o que produz certo conforto.

A Fragilidade da Paródia de Pat Proft em O Foragido

​Proft trata as convenções cinematográficas quase como brinquedos. Perseguições, revelações, vilões, romances, explosões e cenas dramáticas deixam de ser acontecimentos e passam a ser peças que podem ser retiradas de um filme e encaixadas em outro. No entanto, o filme jamais consegue se aproximar da graça e da energia de clássicos como a trilogia original de Corra que a Polícia Vem Aí!, Apertem os Cintos… O Piloto Sumiu! ou Todo Mundo em Pânico 3. É, portanto, um dos trabalhos mais óbvios e menos inspirados da trupe de realizadores.

Avaliação de O Foragido: 4/10

Sophia Mendonça

Sophia Mendonça é jornalista e escritora. Além disso, é mestre em Comunicação, Territorialidades e Vulnerabilidades (UFMG) e doutoranda em Literatura, Cultura e Tradução (UFPel). Ela também ministrou aulas de “Tópicos em Produção de Texto: Crítica de Cinema “na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), junto ao professor Nísio Teixeira. Além disso, Sophia dá aulas de “Literatura Brasileira Contemporânea “na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), com ênfase em neurodiversidade e questões de gênero. Em 2025, Sophia apareceu na posição #57 da lista de 64 egressos notáveis da UFMG, divulgada pelo EduRank. Ao longo de sua trajetória ela ganhou diversos prêmios, incluindo o Grande Colar do Mérito de Belo Horizonte (2016), o Special Tribute do Erasmus+ (2019) e o de micro Influenciadores Digitais do Portal da Comunicação (2023).

Atualmente, Sophia é youtuber do canal “Mundo Autista”, crítica de cinema no “Portal UAI” e repórter da “Revista Autismo“. Aliás, ela atua como criadora de conteúdo desde 2009, quando estreou como crítica de cinema, colaborando com o site Cineplayers!. Também, é formada nos cursos “Teoria, Linguagem e Crítica Cinematográfica” (2020) e “A Arte do FIlme” (2018), do professor Pablo Villaça. Além disso, é autora de livros-reportagens como “Neurodivergentes” (2019), “Ikeda” (2020) e “Metamorfoses” (2023). Na ficção, escreveu obras como “Danielle, asperger” (2016) e “A Influenciadora e o Crítico” (2025).

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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