“O Agente Secreto” é daqueles filmes que atravessam a nossa história. Isso porque a obra começa de forma despretensiosa, como quem não quer nada, mas aos poucos se infiltra pelos poros. Além da reconstrução histórica, o filme é um convite delicado, porém firme, a olhar para quem somos e para o que deixamos para trás.
A primeira coisa que nos salta aos olhos é o rigor e a sensibilidade da direção. Afinal, cada cena, cada objeto e cada enquadramento carregam um significado profundo. Dessa forma, o diretor Kleber Mendonça Filho orquestra emoções por meio de detalhes que, somados, constroem uma atmosfera de imersão total. Então, o silêncio e o gesto dizem mais do que qualquer diálogo expositivo.
A reconstituição de época no filme O Agente Secreto
O filme opera como uma máquina do tempo. Isso porque, para quem viveu a infância na década de 1970, a trilha sonora e o ambiente evocam imediatamente as rádios ligadas na cozinha da avó ou da mãe. Assim, há um contraste fascinante e doloroso. De um lado, temos o romantismo e a nostalgia daquela época; do outro lado, existe uma tensão latente que as crianças não sabiam explicar, mas que pairava no ar. O longa aborda o período da ditadura militar de forma magistral. Afinal, ele mostra o “período de chumbo” por meio da desumanização.
Ao contrastar a figura do poderoso que decide os rumos do país por ego e interesse pessoal com o intelectual, o pesquisador e o professor que realmente pensam no bem comum, o filme revela a ferida aberta da nossa história. Este é um lembrete necessário para aqueles que, por desconhecimento, ainda glamourizam esse passado de maldita memória.
Wagner Moura e o Globo de Ouro por O Agente Secreto
Além disso, a atuação de Wagner Moura é de uma contenção brilhante. Ele entrega uma complexidade de emoções que vai direto ao coração, sem precisar de excessos. Dessa forma, retrata o herói anônimo, o brasileiro honesto que, mesmo sob ameaça de ter seu trabalho e sua vida ceifados, mantém sua dignidade.
Ao seu lado, temos a interpretação magistral de Alice Carvalho, como a esposa do protagonista. A personagem é uma intelectual que personifica a força e a resiliência. E, claro, há a presença luminosa de Tânia Maria. A atriz estreou nos cinemas aos 78 anos com uma genialidade que prova que a arte não tem idade Essas humanidades do brasileiro anônimo são o que torna o filme universal.
Conclusão
Dessa forma, “O Agente Secreto” não fala apenas sobre o Brasil; fala sobre humanidade. Assim, o sucesso internacional da obra e o reconhecimento no Globo de Ouro, com os discursos inesquecíveis de Kleber Mendonça e Wagner Moura exaltando o povo brasileiro, não são por acaso. Afinal, o filme toca em uma ferida global, mas oferece um bálsamo: a esperança.
E, como lembrou Wagner Moura, se o trauma pode ser passado de geração em geração, os valores também podem. O filme nos lembra que, se houver espaço para a cultura e para a verdade, o brasileiro anônimo é capaz de coisas incríveis. “O Agente Secreto”, assim, revela-se um convite para retomarmos nosso valor como pátria e como seres humanos.
Avaliação
Vídeo – “O Agente Secreto”

Selma Sueli Silva é criadora de conteúdo e empreendedora no projeto multimídia Mundo Autista D&I, escritora e radialista. Mestranda em Literatura pela UFPel, é também especialista em Comunicação e Gestão Empresarial (IEC/MG). Além disso, ela atua como editora no site O Mundo Autista (Portal UAI) e é articulista na Revista Autismo (Canal Autismo). Ela também é radialista, tendo trabalhado por 15 anos como produtora e debatedora do programa Rádio Vivo, na Itatiaia. E é autora de livros como “Minha vida de trás pra Frente” (2017), “Camaleônicos” (2019) e “Autismo no Feminino” (2022).
Em 2019, Selma recebeu o prêmio de Boas Práticas do programa da União Europeia Erasmus+. Além dele, ganhou Prêmio Microinfluenciadores Digitais 2023, na categoria PcD. E é membro da UNESCOSOST movimento de sustentabilidade Criativa, desde 2022. Como crítica de cinema, é formada no curso “A Arte do Filme”, do professor Pablo VIllaça. Também é mentora em “Comunicação e Diálogo” para comunicação eficaz e um diálogo construtivo nos Relacionamentos Interpessoais, Sociais, Familiares, Profissionais e Estudantis.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.


Pesquisa não pode ser ignorada.
Naquela época eu tinha vinte anos , universitário e trabalhador. Foi uma época prospera e só se falava dos guerrilheiros e sequestradores.
É glamuroso ser de esquerda.Mas a prosperidade atingia a direita.
Wagner perdeu uma excelente oportunidade para não contradizer-se. Fez um belo discurso de esquerda travestido de direita da cabeça aos pés.
Tem um partido que as pessoas tiveram lavagem cerebral… os demais perceberam a farsa rapidamente.