Mulheres Imperfeitas soa como uma versão de Pretty Little Liars protagonizada por atrizes mais maduras. Isso porque em ambas as séries, a atmosfera de suspense policial e as reviravoltas na trama servem como fio condutor para costurar reflexões sobre as complexidades da vivência feminina. Dessa forma, a narrativa expõe os perigos que as mulheres enfrentam quando desprotegidas. Além disso, mostra as punições severas e desproporcionais que recebem por suas próprias falhas e pela busca incessante por autonomia.
Mistério central de Mulheres Imperfeitas e os paralelos com Pretty Little Liars
Um exemplo claro disso é o arco de duas personagens que se envolvem com o marido da melhor amiga. Esta é uma situação que coloca suas integridades físicas sob ameaças graves e até fatais. É o caso, aliás, das figuras vividas por Kerry Washington e Kate Mara. O desaparecimento e o provável assassinato da personagem de Mara, inclusive, funcionam como o grande motor do enredo. O que estabelece um paralelo direto com o que acontecia com a Alison que Sasha Pieterse interpretou em PLL.
Atuações densas e choque de realidades se destacam em Mulheres Imperfeitas
As atuações da dupla são densas e envolventes. Kate Mara brilha no papel de uma “esposa troféu” que se recusa a ser reduzida a esse rótulo. Tendo conhecido a pobreza no passado, ela carrega sequelas emocionais que afetam diretamente o modo como interage com a família do marido. Esta revela-se um clã tão poderoso e influente quanto hipócrita e cheio de segredos. Já Kerry Washington interpreta uma mulher cuja família ascendeu socialmente a ponto de conquistar status e riqueza, mas cuja origem humilde a impede de obter o mesmo respeito da elite. Sendo uma mulher negra, ela vive sob a constante ameaça de ver desmoronar a própria vida.
A terceira protagonista, vivida por Elizabeth Banks, começa como a típica dona de casa e demora um pouco mais para ganhar destaque. Contudo, a descoberta de um talento incomum e de um passatempo profissionalmente promissor, que se aliam a problemas psiquiátricos, nos envolvem na reviravolta mais gratificante desta primeira temporada. Assim como na série adolescente, aliás, também é muito interessante perceber a construção do gaslighting e dos relacionamentos predatórios na vida dessas mulheres.
Veredito
O que impede Mulheres Imperfeitas de atingir o mesmo nível de impacto de sua “contraparte” está na própria concepção da obra. Em Pretty Little Liars, o fato de serem protagonistas adolescentes ampliava o risco do suspense e conferia uma gravidade singular às experiências retratadas. Mulheres Imperfeitas, por assumir uma postura mais madura, adota um ritmo menos frenético e prefere manter os pés no chão, pelo menos nesta primeira temporada.
Avaliação

Autora
Sophia Mendonça é jornalista e escritora. Além disso, é mestre em Comunicação, Territorialidades e Vulnerabilidades (UFMG) e doutoranda em Literatura, Cultura e Tradução (UFPel). Ela também ministrou aulas de “Tópicos em Produção de Texto: Crítica de Cinema “na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), junto ao professor Nísio Teixeira. Além disso, Sophia dá aulas de “Literatura Brasileira Contemporânea “na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), com ênfase em neurodiversidade e questões de gênero.
Atualmente, Sophia é youtuber do canal “Mundo Autista”, crítica de cinema no “Portal UAI” e repórter da “Revista Autismo“. Aliás, ela atua como criadora de conteúdo desde 2009, quando estreou como crítica de cinema, colaborando com o site Cineplayers!. Também, é formada nos cursos “Teoria, Linguagem e Crítica Cinematográfica” (2020) e “A Arte do FIlme” (2018), do professor Pablo Villaça. Além disso, é autora de livros-reportagens como “Neurodivergentes” (2019), “Ikeda” (2020) e “Metamorfoses” (2023). Na ficção, escreveu obras como “Danielle, asperger” (2016) e “A Influenciadora e o Crítico” (2025).
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