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Crítica: Maria Callas (2024)

Com Angelina Jolie, a grande questão de “Maria Callas” reside na frieza. O filme, apesar da excelência técnica, carece de vida e emoção.

Com Angelina Jolie, a grande questão de "Maria Callas" reside na frieza. O filme, apesar da excelência técnica, carece de vida e emoção.

Com Angelina Jolie, a grande questão de "Maria Callas" reside na frieza. O filme, apesar da excelência técnica, carece de vida e emoção.

Pablo Larraín é conhecido por seu método singular ao abordar cinebiografias. Afinal, ele aborda a vida de figuras complexas como a Princesa Diana e Jacqueline Kennedy em retratos profundos e impactantes. Ele escolhe momentos cruciais de vulnerabilidade de mulheres fortes e icônicas e os utiliza para explorar temas como guerra, glamour e juventude. Em “Maria Callas”, essa abordagem é novamente aplicada. Contudo, o resultado talvez não alcança  o brilho esperado.

Angelina Jolie faz o que pode em Maria Callas, um drama frio

Tecnicamente, o filme é inquestionavelmente bem-feito. A recriação de época é impecável, e o trabalho de maquiagem e penteado é digno de aplausos. A narrativa, embora fragmentada, consegue funcionar de forma clara, levando o espectador por diferentes fases da vida da biografada. Também é visível o cuidado com os detalhes visuais, o que já é uma marca registrada das produções de Larraín.

No entanto, a grande questão de “Maria Callas” reside em sua frieza e monotonia. O filme, apesar de sua excelência técnica, carece de vida e emoção. Angelina Jolie, no papel principal, entrega uma boa atuação, mas é notavelmente prejudicada pela falta de complexidade do roteiro. A personagem é retratada de forma distante, o que impede uma conexão mais profunda com o público. Há um certo desapego que impede a imersão total na história de Maria.

Conclusão

Um ponto que também incomoda é a naturalidade das cenas em que Angelina Jolie dubla a protagonista. Essas sequências não soam autênticas, quebrando a suspensão da descrença e afetando a imersão do espectador na narrativa.

Em suma, “Maria Callas” é um filme que demonstra o talento técnico de Larraín, mas que não consegue atingir o impacto emocional de suas obras anteriores. É um drama morno, que, apesar de ser bem-feito, deixa a desejar em termos de profundidade e conexão com o público.

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Avaliação

Avaliação: 3 de 5.

Sophia Mendonça é jornalista, professora universitária e escritora. Além disso, é mestre em Comunicação, Territorialidades e Vulnerabilidades (UFMG) e doutoranda em Literatura, Cultura e Tradução (UfPel). Ela também ministrou aulas de “Tópicos em Produção de Texto: Crítica de Cinema “na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), junto ao professor Nísio Teixeira. Além disso, Sophia dá aulas de “Literatura Brasileira Contemporânea “na Universidade Federal de Pelotas (UfPel), com ênfase em neurodiversidade e questões de gênero.

Atualmente, Sophia é youtuber do canal “Mundo Autista”, crítica de cinema no “Portal UAI” e repórter da “Revista Autismo“. Aliás, ela atua como criadora de conteúdo desde 2009, quando estreou como crítica de cinema, colaborando com o site Cineplayers!. Também, é formada nos cursos “Teoria, Linguagem e Crítica Cinematográfica” (2020) e “A Arte do FIlme” (2018), do professor Pablo Villaça.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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