Sabe aquela comédia romântica que não promete reinventar a roda, mas que a faz girar com um charme absolutamente irresistível? Pois é exatamente isso que temos em Letra e Música. Veja bem, o que se apresenta aqui é um exercício de carisma ancorado por uma sintonia que eu não hesitaria em chamar de perfeita entre Hugh Grant e Drew Barrymore.
O Charme Irresistível de “Letra e Música”, com Hugh Grant e Drew Barrymore.
Hugh Grant está fazendo aquilo que ele sabe fazer com uma naturalidade assombrosa. Ele está simplesmente irretocável no papel desse ex-ídolo do pop oitentista que despencou num ostracismo melancólico, mas que lida com isso através de uma ironia e uma autodepreciação deliciosas. Do outro lado, nós temos a Drew Barrymore. E a Drew é dona de um magnetismo muito particular, não é? Ela compõe essa mulher romântica, cronicamente insegura e adoravelmente atrapalhada que, apesar de todas as suas neuroses, te captura e te cativa logo nos primeiros minutos de projeção.
E é impressionante como o filme sabe administrar os seus recursos. O elenco de apoio, por exemplo, orbita esses dois com uma discrição muito bem-vinda, mas de uma eficiência clínica — eles estão ali exatamente para dar o suporte necessário sem jamais ofuscar o brilho dos protagonistas.
Sintonia, Trilha Sonora Pop Rock e o Charme de “Letra e Música”
Mas o que eleva Letra e Música a uma prateleira especial é, como não poderia deixar de ser, a própria música. O repertório pop rock da trilha sonora veste a história com uma precisão cirúrgica, injetando um frescor e um brilho formidáveis à narrativa.
Tudo isso é costurado por diálogos que ostentam um timing cômico maravilhoso, passando a quilômetros de distância de qualquer vestígio de besteirol. O roteiro trata o seu público com respeito e inteligência. E sabe construir a sua veia romântica de maneira genuína, esquivando-se lindamente do melodrama.
É, enfim, um passatempo delicioso, daqueles que te deixam com um sorriso no rosto muito tempo depois que os créditos sobem.
Avaliação

Autora
Sophia Mendonça é jornalista e escritora. Além disso, é mestre em Comunicação, Territorialidades e Vulnerabilidades (UFMG) e doutoranda em Literatura, Cultura e Tradução (UFPel). Ela também ministrou aulas de “Tópicos em Produção de Texto: Crítica de Cinema “na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), junto ao professor Nísio Teixeira. Além disso, Sophia dá aulas de “Literatura Brasileira Contemporânea “na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), com ênfase em neurodiversidade e questões de gênero.
Atualmente, Sophia é youtuber do canal “Mundo Autista”, crítica de cinema no “Portal UAI” e repórter da “Revista Autismo“. Aliás, ela atua como criadora de conteúdo desde 2009, quando estreou como crítica de cinema, colaborando com o site Cineplayers!. Também, é formada nos cursos “Teoria, Linguagem e Crítica Cinematográfica” (2020) e “A Arte do FIlme” (2018), do professor Pablo Villaça. Além disso, é autora de livros-reportagens como “Neurodivergentes” (2019), “Ikeda” (2020) e “Metamorfoses” (2023). Na ficção, escreveu obras como “Danielle, asperger” (2016) e “A Influenciadora e o Crítico” (2025).
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

