Olha, o que eu vou dizer agora pode soar como uma heresia tremenda para os fãs mais ardorosos da franquia, mas a verdade é que a minha primeira impressão de Invocação do Mal 4 foi muitíssimo parecida com a que eu tive lá atrás, em 2013, com o filme original.
Veja bem, ambos são filmes de uma fatura técnica inegável, muito bem acabados, com uma direção de arte impecável. Mas eles não me assustam. Eu não sinto aquele pavor genuíno, aquela fisgada no estômago que o bom terror tem que provocar para criar uma conexão pessoal com o espectador.
Dito isso, é preciso ser justa: o filme original do James Wan é infinitamente superior. O Wan soube resgatar aquela atmosfera do terror clássico de casa assombrada — a porta que bate sozinha, o assoalho que range na calada da noite — com um vigor e uma elegância que te envolvem completamente. Já este quarto capítulo, nas mãos do diretor Michael Chaves… francamente? Me pareceu morno. E o grande calcanhar de Aquiles aqui, sem a menor dúvida, é a narrativa.
A história de Invocação do Mal 4, sobre a família Warren
A trama decide focar na filha do casal Warren. Ela herdou a clarividência da mãe, e o roteiro gasta uma eternidade, mas uma eternidade mesmo, estabelecendo a dinâmica dela com o noivo e martelando essa ideia de um “legado familiar”. Eu confesso a vocês que, em determinado ponto da projeção, eu me peguei olhando para a tela e pensando: “mas quando é que esse filme vai começar de fato?”. O roteiro patina tanto nessa preparação de terreno que a história principal leva mais de uma hora só para engatar uma primeira marcha. Quando ele finalmente encontra o seu compasso, até entrega alguns momentos interessantes, mas nada que chegue a arrepiar.
O que realmente segura as pontas e salva o filme do naufrágio, como já era de se esperar, é o par central. Patrick Wilson e Vera Farmiga continuam absolutamente irretocáveis, com uma química formidável na pele de Ed e Lorraine Warren. Eles conferem uma gravidade e um peso dramático à coisa toda. Eles são a verdadeira alma dessa franquia e o único motivo, no fim das contas, pelo qual a gente ainda se importa em acompanhar essa história.
Avaliação
Vídeo – “Invocação do Mal 4”

Sophia Mendonça é jornalista, professora universitária e escritora. Além disso, é mestre em Comunicação, Territorialidades e Vulnerabilidades (UFMG) e doutoranda em Literatura, Cultura e Tradução (UfPel). Ela também ministrou aulas de “Tópicos em Produção de Texto: Crítica de Cinema “na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), junto ao professor Nísio Teixeira. Além disso, Sophia dá aulas de “Literatura Brasileira Contemporânea “na Universidade Federal de Pelotas (UfPel), com ênfase em neurodiversidade e questões de gênero.
Atualmente, Sophia é youtuber do canal “Mundo Autista”, crítica de cinema no “Portal UAI” e repórter da “Revista Autismo“. Aliás, ela atua como criadora de conteúdo desde 2009, quando estreou como crítica de cinema, colaborando com o site Cineplayers!. Também, é formada nos cursos “Teoria, Linguagem e Crítica Cinematográfica” (2020) e “A Arte do FIlme” (2018), do professor Pablo Villaça. Além disso, é autora de livros-reportagens como “Neurodivergentes” (2019), “Ikeda” (2020) e “Metamorfoses” (2023). Na ficção, escreveu obras como “Danielle, asperger” (2016) e “A Influenciadora e o Crítico” (2025).
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

