Crítica | Hairspray - Em Busca da Fama: Musical Irresistível - O Mundo Autista
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Crítica | Hairspray – Em Busca da Fama: Musical Irresistível

Crítica de Hairspray – Em Busca da Fama. Um musical contagiante que usa a música e a dança para falar de inclusão e quebrar padrões.

Hoje nós vamos falar de uma daquelas obras que, francamente, é impossível assistir sem abrir um sorriso de orelha a orelha: Hairspray – Em Busca da Fama. É um musical não apenas contagiante e de um espírito formidável, mas que tem a audácia – e a inteligência – de embalar temas espinhosos, como o preconceito racial e a tirania dos padrões de beleza, em uma embalagem pop absolutamente irresistível.

Hairspray – Em Busca da Fama tem Uma Protagonista Fora dos Padrões

Nós somos transportados diretamente para a Baltimore dos anos 60, e o nosso guia nessa jornada é Tracy Turnblad. Interpretada por uma Nikki Blonsky que está, para dizer o mínimo, em estado de graça, Tracy é uma adolescente fora dos padrões estéticos – uma garota gordinha, sim, mas dotada de um talento e de uma paixão pela dança que são arrebatadores. O grande sonho dela? Brilhar sob os holofotes do todo-poderoso “The Corny Collins Show”.

Mas veja bem, é aqui que a coisa fica realmente interessante. Porque Tracy não se contenta apenas em lutar pelo seu próprio espaço no palco. Com uma naturalidade espantosa, ela se torna o epicentro, a verdadeira catalisadora de uma revolução pela integração racial na sua cidade. É de uma doçura e de uma força imensas.

Trilha Sonora de Marc Shaiman e a Efervescência dos Anos 60 em Hairspray – Em Busca da Fama

Desde o primeiríssimo acorde e a abertura estrondosa com “Good Morning Baltimore”, o filme engata uma quinta marcha num ritmo alucinante e de um alto-astral que, olha, funciona como um antídoto para qualquer mau humor. O que o compositor Marc Shaiman faz com essa trilha sonora é um escândalo de tão bom.

Some a isso coreografias que dão vontade de levantar do sofá e uma direção de arte que é um verdadeiro banquete visual – esfuziante, coloridíssima, que nos joga de cabeça na efervescência daquela década. E o elenco? Ah, o elenco é de um carisma tão absurdo, e eles se atiram nos números de canto e dança com uma entrega tão genuína, que o resultado final é, simplesmente, delicioso. É um filme que faz bem para a alma.

Avaliação

Avaliação: 3.5 de 5.
Sophia Mendonça

Autora

Sophia Mendonça é jornalista e escritora. Além disso, é mestre em Comunicação, Territorialidades e Vulnerabilidades (UFMG) e doutoranda em Literatura, Cultura e Tradução (UFPel). Ela também ministrou aulas de “Tópicos em Produção de Texto: Crítica de Cinema “na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), junto ao professor Nísio Teixeira. Além disso, Sophia dá aulas de “Literatura Brasileira Contemporânea “na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), com ênfase em neurodiversidade e questões de gênero.

Atualmente, Sophia é youtuber do canal “Mundo Autista”, crítica de cinema no “Portal UAI” e repórter da “Revista Autismo“. Aliás, ela atua como criadora de conteúdo desde 2009, quando estreou como crítica de cinema, colaborando com o site Cineplayers!. Também, é formada nos cursos “Teoria, Linguagem e Crítica Cinematográfica” (2020) e “A Arte do FIlme” (2018), do professor Pablo Villaça. Além disso, é autora de livros-reportagens como “Neurodivergentes” (2019), “Ikeda” (2020) e “Metamorfoses” (2023). Na ficção, escreveu obras como “Danielle, asperger” (2016) e “A Influenciadora e o Crítico” (2025).

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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