Crítica: "Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado" (2025) - O Mundo Autista
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Crítica: “Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado” (2025)

Nova adição à controversa, mas adorada, franquia Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado faz jus à fama da cinessérie.

Nova adição à controversa, mas adorada, franquia Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado faz jus à fama da cinessérie.

Nova adição à controversa, mas adorada, franquia Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado faz jus à fama da cinessérie.

Como alguém que nutre um carinho especial pelo clássico de 1997 – o ano em que nasci e o ano que popularizou o slasher inteligente de Kevin Williamson –, minhas expectativas para “Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado” de 2025 estavam lá no alto. Afinal, o original, muitas vezes rotulado injustamente como mera cópia de “Pânico”, sempre demonstrou uma perspicácia notável ao explorar a moralidade, a culpa e a vingança. A obra, além disso, trabalhava os arquétipos do terror de forma sutil, mas aterrorizante.

É inegável que “Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado” carrega em seu DNA a marca de Kevin Williamson, assim como “Pânico”. Ambos brincam com a metalinguagem e a autoconsciência dos personagens em filmes de terror. No entanto, enquanto “Pânico” aprimorou essa abordagem para criar um clássico do gênero, a franquia “Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado” sempre tendeu para um lado mais “bobinho”, com dilemas éticos e morais diluídos em litros de sangue. 

Nova adição à controversa, mas adorada, franquia Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado faz jus à fama da cinessérie

A sequência de 2025 não foge a essa regra. Em termos de qualidade, a obra faz lembrar da continuação “Eu Ainda Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado”. O segundo filme da franquia, apesar de envelhecer mal e ser mais lembrado pelo infame erro geográfico envolvendo o Rio de Janeiro, teve a presença marcante de Brandy. Ela é uma artista excepcional. Todas essas peculiaridades, para o bem ou para o mal, definem a identidade da franquia.

O filme de 2025 começa de forma quase idêntica ao original de 1997, tanto na premissa quanto na sequência de eventos. Essa proximidade, inicialmente, parece uma promessa de nostalgia. Há, de fato, elementos que agradarão aos fãs, como o retorno de personagens icônicos e uma sequência pós-créditos que insinua um futuro promissor para a franquia. Há até uma cena “fan service” que pode agradar aos admiradores de uma personagem morta no original.

A trama do novo Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado

Contudo, a trama, embora interessante na teoria, se desenvolve de maneira arrastada e carece de ritmo. Um problema que poderia ser resolvido com um tempo de duração mais curto. A diretora Jennifer Kaitlyn Robinson, visivelmente uma fã da franquia, não consegue traduzir seu apreço em uma narrativa coesa. Há uma série de boas ideias jogadas de forma aleatória, que despertam a curiosidade, mas são pouco exploradas. Tudo soa um tanto “bobinho”. Assim, o filme funciona mais como um passatempo divertido do que como um terror reflexivo. E o novo elenco é eficiente  com destaque para a divertida Madelyn Cline.

Apesar de toda a nostalgia e do fanservice, o novo “Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado” certamente gerará controvérsia. A reviravolta no enredo, por um lado, faz sentido dentro da lógica da trama; por outro, pode ser difícil de engolir para os fãs mais puristas. Curiosamente, o filme de 2025 ostenta a maior aprovação da franquia no Rotten Tomatoes, mesmo diante das críticas negativas. Isso solidifica seu caráter controverso: muitos podem não gostar, mas poucos resistiram à tentação de assistir e, claro, de comentar.

Vídeo – CRÍTICA: Novo “EU SEI O QUE VOCÊS FIZERAM NO VERÃO PASSADO” Nostalgia Salva o Filme?

Avaliação

Avaliação: 3 de 5.

Sophia Mendonça é jornalista, professora universitária e escritora. Além disso, é mestre em Comunicação, Territorialidades e Vulnerabilidades (UFMG) e doutoranda em Literatura, Cultura e Tradução (UfPel). Ela também ministrou aulas de “Tópicos em Produção de Texto: Crítica de Cinema “na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), junto ao professor Nísio Teixeira. Além disso, Sophia dá aulas de “Literatura Brasileira Contemporânea “na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), com ênfase em neurodiversidade e questões de gênero.

Atualmente, Sophia é youtuber do canal “Mundo Autista”, crítica de cinema no “Portal UAI” e repórter da “Revista Autismo“. Aliás, ela atua como criadora de conteúdo desde 2009, quando estreou como crítica de cinema, colaborando com o site Cineplayers!. Também, é formada nos cursos “Teoria, Linguagem e Crítica Cinematográfica” (2020) e “A Arte do FIlme” (2018), do professor Pablo Villaça.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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