Assisti ao filme Identidade (2003), estrelado por John Cusack. A trama acompanha a história de Malcolm Rivers, um homem condenado à morte. Na noite anterior à sua execução, seu advogado de defesa, acompanhado por um psiquiatra, pede uma audiência de emergência. O objetivo, com isso, é tentar provar a inocência do cliente ou, pelo menos, evitar a pena capital. E o juiz, visivelmente irritado, acaba aceitando o pedido.
O Enredo do Filme Identidade: Mistério e Mortes em um Motel
A partir daí, a história começa a ser contada sob a perspectiva do psiquiatra, que lê o diário de Malcolm. Somos então transportados para uma trama paralela em que dez pessoas ficam presas em um motel de beira de estrada. Uma a uma, elas começam a ser assassinadas em um jogo sádico, o que leva os sobreviventes — entre eles, o personagem de John Cusack — a tentarem descobrir quem é o assassino. O mistério gira em torno do motivo das mortes. Aliás, elas seguem uma contagem regressiva atrelada aos números das chaves dos quartos em que estão hospedados (começando do apartamento 10, depois o 9, e assim por diante).
Por Que Assistir a Identidade? A Construção de um Bom Thriller Psicológico
Dessa forma, Identidade é um thriller psicológico em que o espectador acompanha os assassinatos e seus desdobramentos tentando descobrir quem é o vilão e quem está fingindo. Logo de cara, portanto, percebemos que há algo estranho com todos os personagens. Paralelamente, no “mundo real”, o juiz aguarda a chegada do condenado Malcolm à audiência. Na trama do motel, porém, vemos um policial chegar com um prisioneiro, o que nos faz deduzir que aquele detento seja Malcolm. Isso, entretanto, logo dá um nó na nossa cabeça. Afinal, o homem que chega à audiência com o juiz não é a mesma pessoa.
Todo o roteiro é envolvente, ágil e sem enrolação, extremamente bem construído e com um plot twist (reviravolta) surpreendente no final.
AVISO DE SPOILER (O filme está disponível na HBO Max. Se você ainda não assistiu e não quer estragar a surpresa, pare a leitura por aqui).
Final Explicado do Filme Identidade: Entendendo o Plot Twist
O plot twist final é fantástico. Mas, lendo algumas críticas, notei que não tive a mesma interpretação que a maioria das pessoas. Isso porque a sinopse menciona dez pessoas se hospedando no motel, e a polêmica já começa aí. Afinal, muitos argumentam que seriam onze pessoas. Elas, então, representariam as múltiplas personalidades de um assassino com transtorno dissociativo de identidade.
As Múltiplas Personalidades de Malcolm: Eram 10 ou 11 Pessoas?
Contudo, na minha leitura, são dez, de fato. Isso porque a criança epresenta exatamente a verdadeira essência do assassino. Ele é, portanto, um garoto que sofreu graves abusos ao sofrer abadono num motel naquela mesma idade. Para se proteger e lidar com o trauma, ele fragmentou sua mente e desenvolveu as outras personalidades.
Quando o psiquiatra analisa o diário de Malcolm já adulto, nota as mudanças de caligrafia, as identidades femininas, masculinas e a figura da criança. No clímax do tratamento, as identidades vão sendo “eliminadas” na mente do paciente até sobrar apenas uma, que todos julgam ser a personalidade boa (acreditando que a personalidade assassina havia morrido).
O Verdadeiro Assassino de Identidade: A Psicologia por Trás da Criança
É nesse ponto que o advogado de defesa usa a grande cartada: “Podemos condenar à morte um corpo que cometeu um assassinato, se a sua mente atual não o fez?”. Afinal, ele não teria mais consciência dos crimes, já que a personalidade que restou após o tratamento era puramente boa. O juiz compra a ideia e suspende a execução.
O grande erro deles, porém, foi esquecer que a mente de Malcolm congelou na infância, no exato momento em que sofreu os abusos. Ele apenas projetou as outras identidades como uma forma de se relacionar com o mundo enquanto o corpo crescia. Essa essência infantil — que normalmente é sinônimo de pureza e inocência — já estava irremediavelmente maculada. Ele não poderia ser salvo nem absolvido porque aquele trauma o transformou, desde a infância, em um verdadeiro assassino.
Avaliação

Selma Sueli Silva é criadora de conteúdo e empreendedora no projeto multimídia Mundo Autista D&I, escritora e radialista. Mestranda em Literatura pela UFPel, é também especialista em Comunicação e Gestão Empresarial (IEC/MG). Além disso, ela atua como editora no site O Mundo Autista (Portal UAI) e é articulista na Revista Autismo (Canal Autismo). Autora de livros como “Minha vida de trás para Frente“(2017) e “Camaleônicos” (2019).
Em 2019, Selma recebeu o prêmio de Boas Práticas do programa da União Europeia Erasmus+. Além dele, ganhou Prêmio Microinfluenciadores Digitais 2023, na categoria PcD. E é membro da UNESCOSOST movimento de sustentabilidade Criativa, desde 2022. Como crítica de cinema, é formada no curso “A Arte do Filme”, do professor Pablo VIllaça. Também é mentora em “Comunicação e Diálogo” para comunicação eficaz e um diálogo construtivo nos Relacionamentos Interpessoais, Sociais, Familiares, Profissionais e Estudantis.
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