“Da Magia à Sedução 2: Feitiço de Amor” surge como uma continuação natural do clássico dos anos 90. O novo filme resgata a mistura de gêneros tão característica do primeiro longa. Com isso, equilibra elementos doces e sombrios por meio da metáfora da bruxaria. Também, a obra avança a mitologia da família Owens de uma maneira leve, gostosa e profunda. Assim, traz um tom que mescla a melancolia na medida certa com uma profunda alegria de viver. Dessa forma, a obra mergulha em temas complexos como o luto, a finitude da vida e as consequências da quebra da maldição. Inclusive, o roteiro ousa ao trazer uma reviravolta ao final feliz do longa original. Esta é uma escolha que poderia entristecer o público. Porém, funciona perfeitamente ao expandir a história e explorar novas nuances do universo criado por Alice Hoffman.
Da Magia à Sedução 2: A direção de Susanne Bier e o brilho inabalável das irmãs Owens
Muito do sucesso emocional dessa continuação se deve à direção de Susanne Bier, já familiarizada com as protagonistas. Afinal, ela dirigiu Sandra Bullock em Bird Box e Nicole Kidman em O Casal Perfeito. A cineasta consegue extrair a suavidade e a densidade necessárias para retratar as transformações enfrentadas pelas personagens ao longo das décadas. O retorno de Bullock e Kidman é o grande pilar do filme. Isso porque as veteranas brilham e mantêm uma dinâmica de irmandade fofa, espirituosa e cheia de graça. Embora o filme introduza uma nova geração de bruxas, o roteiro peca levemente no desenvolvimento de algumas coadjuvantes. Este é o caso da irmã mais nova, médica residente, uma Joey King um pouco apagada por falta de espaço na trama, que prefere girar em torno de outros núcleos.
Muito além do romance: A verdadeira força dos laços familiares
Outro trunfo desta continuação é a a maturidade ao subverter as expectativas do gênero. Seguindo uma tendência positiva de continuações tardias, como O Diabo Veste Prada 2 e Sexta Feira Mais Louca Ainda, o filme utiliza a estrutura de uma comédia romântica, mas não faz do romance o seu grande protagonista. Aqui, o foco é deslocado para a riqueza de outras conexões humanas. Isso porque o longa-metragem aborda o vínculo inquebrável entre as irmãs e as tias e sobrinhas. Embora o amor romântico seja lindo, os amores familiares e fraternais são igualmente belos e importantes.
Avaliação de Da Magia à Sedução 2: 8/10
Vìdeo – Da Magia à Sedução 2

Sophia Mendonça é jornalista e escritora. Além disso, é mestre em Comunicação, Territorialidades e Vulnerabilidades (UFMG) e doutoranda em Literatura, Cultura e Tradução (UFPel). Ela também ministrou aulas de “Tópicos em Produção de Texto: Crítica de Cinema “na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), junto ao professor Nísio Teixeira. Além disso, Sophia dá aulas de “Literatura Brasileira Contemporânea “na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), com ênfase em neurodiversidade e questões de gênero. Em 2025, Sophia apareceu na posição #57 da lista de 64 egressos notáveis da UFMG, divulgada pelo EduRank. Ao longo de sua trajetória ela ganhou diversos prêmios, incluindo o Grande Colar do Mérito de Belo Horizonte (2016), o Special Tribute do Erasmus+ (2019) e o de micro Influenciadores Digitais do Portal da Comunicação (2023).
Atualmente, Sophia é youtuber do canal “Mundo Autista”, crítica de cinema no “Portal UAI”, repórter da “Revista Autismo“ e apresentadora do podcast “Boas de Conversa”. Aliás, ela atua como criadora de conteúdo desde 2009, quando estreou como crítica de cinema, colaborando com o site Cineplayers!. Também, é formada nos cursos “Teoria, Linguagem e Crítica Cinematográfica” (2020) e “A Arte do FIlme” (2018), do professor Pablo Villaça. Além disso, é autora de livros-reportagens como “Neurodivergentes” (2019), “Ikeda” (2020) e “Metamorfoses” (2023). Na ficção, escreveu obras como “Danielle, asperger” (2016) e “A Influenciadora e o Crítico” (2025).
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