Assistir ao filme Criaturas Extraordinariamente Brilhantes na Netflix, protagonizado pela duas vezes vencedora do Oscar Sally Field. É sempre um prazer acompanhar o trabalho dela. Afinal, sou fã desde o final dos anos 60 e início dos 70, quando ela interpretou a inesquecível Irmã Bertrille na série A Noviça Voadora. Ela apronta muitas confusões no convento, o que era o máximo. Este novo trabalho de 2026, por sua vez, me emocionou profundamente.
A volta de Sally Field, a solidão compartilhada e o encontro inusitado de gerações em Criaturas Extraordinariamente Brilhantes
A história acompanha a relação inusitada de amizade entre uma faxineira e um polvo no aquário onde ela trabalha. O roteiro brilha ao trazer a perspectiva do próprio polvo, que narra a sua estranheza com o comportamento dos humanos. Embora ele observe diariamente as crianças trazidas pelas professoras durante o dia, é com a faxineira do turno da noite que a verdadeira conexão acontece.
O polvo enxerga nela uma dor semelhante à sua. Portanto, observa a mesma tristeza e solidão de quem, assim como ele, sente que foi abandonado e “tirado do mar”. Mais tarde, quando a protagonista é substituída por um rapaz, o polvo percebe nesse jovem a mesma melancolia. A vida acaba unindo esses dois humanos que, a princípio solitários, tornam-se amigos sob o olhar atento da criatura.
A Incomunicabilidade Humana: As principais reflexões do filme dirigido por Olivia Newman, Criaturas Extraordinariamente Brilhantes
A partir dessa premissa, o filme nos convida a uma reflexão muito sensível sobre a qualidade das nossas relações e a incomunicabilidade humana. Dessa forma, questionamos a força das nossas amizades humanas e a atenção que muitas vezes deixamos de dar a quem realmente precisa. Além disso, o ponto mais forte da obra é como ela expõe a nossa incompetência como espécie para comunicar o que realmente sentimos.
No fim das contas, a história usa a figura de um polvo para escancarar como essa incapacidade de nos comunicarmos é a origem de tantos conflitos silenciosos. E como, tragicamente, continuamos sem perceber a nossa própria dificuldade de criar conexões humanas genuínas. Portanto, trata-se de uma obra linda, melancólica e que rende ótimas reflexões após os créditos subirem.
Avaliação

Selma Sueli Silva é criadora de conteúdo e empreendedora no projeto multimídia Mundo Autista D&I, escritora e radialista. Mestranda em Literatura pela UFPel, é também especialista em Comunicação e Gestão Empresarial (IEC/MG). Além disso, ela atua como editora no site O Mundo Autista (Portal UAI) e é articulista na Revista Autismo (Canal Autismo). Autora de livros como “Minha vida de trás para Frente“(2017) e “Camaleônicos” (2019).
Em 2019, Selma recebeu o prêmio de Boas Práticas do programa da União Europeia Erasmus+. Além dele, ganhou Prêmio Microinfluenciadores Digitais 2023, na categoria PcD. E é membro da UNESCOSOST movimento de sustentabilidade Criativa, desde 2022. Como crítica de cinema, é formada no curso “A Arte do Filme”, do professor Pablo VIllaça. Também é mentora em “Comunicação e Diálogo” para comunicação eficaz e um diálogo construtivo nos Relacionamentos Interpessoais, Sociais, Familiares, Profissionais e Estudantis.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.


O filme é uma graça!
O ator que dá voz ao polvo Marcellus é o Alfredo Molina que, além de ter uma voz1 linda ainda fez o Dr Octipus, no filme Homem-Aranha e tem a Sally Field que é uma tremenda atriz que, como sempre, emociona e, de repente, a gente fica esperando o encontro da senhora com um polvo extremamente observador e crítico
Gostei muito do filme, á tempo não chorava assistindo….