Correndo Contra o Tempo tenta resgatar elementos do cinema de ação que fizeram sucesso entre os anos 1990 e 2000. Assim, a produção bebe na fonte de obras como Corra Lola Corra, enquanto busca consolidar a imagem de Gal Gadot como uma estrela do gênero. Na prática, no entanto, o longa acaba espelhando a fase mais recente da carreira de Denise Richards, mas com muito menos carisma. Para quem não se lembra, Richards sempre soube brincar com sua estética marcante em ótimos filmes, como Garotas Selvagens, Lindas de Morrer e Tropas Estelares, além de ter passagens icônicas por séries como Twisted e Two and a Half Men. Na última década, porém, ela emendou uma sucessão de longas genéricos e malfeitos, a exemplo de Atitude e Segredos Letais. O caso de Gadot soa mais grave. Isso porque, enquanto a presença de Richards nesses projetos ruins ainda desperta alguma curiosidade graças à sua personalidade, os desempenhos de Gadot costumam se mostrar tão insossos quanto os filmes que estrela. E, após o fiasco do remake de Branca de Neve, ela retorna às telas neste suspense fraco e esquecível.
Qual é a história de Correndo Contra o Tempo?
Na trama, a atriz vive Maia, uma advogada londrina que vê sua corrida matinal se transformar em um pesadelo ao receber a ligação de um homem misterioso. O desconhecido afirma ter sequestrado o filho dela e estabelece uma regra aparentemente simples para mantê-lo vivo: Maia não pode parar de correr e deve cumprir todas as suas ordens. À medida que atravessa a cidade, as exigências se tornam cada vez mais perigosas, testando seus limites físicos e morais. Constantemente vigiada e sem saber em quem confiar, ela tenta descobrir a identidade do criminoso e salvar o filho antes que o tempo acabe.
Direção frenética, mas sem tensão narrativa
Diferentemente de obras deliciosamente despretensiosas, como os dois primeiros As Panteras dirigidos por McG, não há aqui qualquer tentativa de adicionar humor ou leveza a um ritmo que tenta, a todo custo, ser alucinante. Em vez disso, o filme busca se levar a sério. Dessa forma, ele propõe debates sobre o uso de telas e aposta em uma reviravolta para chocar o espectador. Se essa abordagem dramática fosse envolvente, o longa poderia de fato entreter. Contudo, o diretor Kevin Macdonald impõe uma cadência tão frenética que se torna impossível estabelecer uma noção espacial que desperte um verdadeiro senso de risco.
Um plot twist que desafia a lógica do roteiro
A direção não consegue, por exemplo, utilizar Londres como um elemento de tensão narrativa. Em teoria, a metrópole deveria funcionar como uma espécie de percurso de jogo. Assim, distâncias, multidões, o metrô, as pontes e as ruas determinariam os obstáculos e a urgência do tempo restante. Na prática, a execução soa exagerada e totalmente sem graça. Para piorar, o plot twist final, que deveria amarrar a história, serve apenas para confundir ainda mais o público. Com a revelação, as motivações e os comportamentos dos personagens passam a ser regidos por uma lógica completamente diferente. O que ocorre sem que o roteiro faça o menor esforço para explicá-la ou justificá-la
Avaliação de Correndo Contra o Tempo: 3/10

Sophia Mendonça é jornalista e escritora. Além disso, é mestre em Comunicação, Territorialidades e Vulnerabilidades (UFMG) e doutoranda em Literatura, Cultura e Tradução (UFPel). Ela também ministrou aulas de “Tópicos em Produção de Texto: Crítica de Cinema “na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), junto ao professor Nísio Teixeira. Além disso, Sophia dá aulas de “Literatura Brasileira Contemporânea “na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), com ênfase em neurodiversidade e questões de gênero. Em 2025, Sophia apareceu na posição #57 da lista de 64 egressos notáveis da UFMG, divulgada pelo EduRank. Ao longo de sua trajetória ela ganhou diversos prêmios, incluindo o Grande Colar do Mérito de Belo Horizonte (2016), o Special Tribute do Erasmus+ (2019) e o de micro Influenciadores Digitais do Portal da Comunicação (2023).
Atualmente, Sophia é youtuber do canal “Mundo Autista”, crítica de cinema no “Portal UAI”, repórter da “Revista Autismo“ e apresentadora do podcast “Boas de Conversa”. Aliás, ela atua como criadora de conteúdo desde 2009, quando estreou como crítica de cinema, colaborando com o site Cineplayers!. Também, é formada nos cursos “Teoria, Linguagem e Crítica Cinematográfica” (2020) e “A Arte do FIlme” (2018), do professor Pablo Villaça. Além disso, é autora de livros-reportagens como “Neurodivergentes” (2019), “Ikeda” (2020) e “Metamorfoses” (2023). Na ficção, escreveu obras como “Danielle, asperger” (2016) e “A Influenciadora e o Crítico” (2025).
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