Confesso que eu estava muito empolgada para ver o novo “Corra que a Polícia Vem Aí”. Para me preparar, assisti novamente ao clássico original de 1988, que teve duas sequências e se tornou uma das minhas comédias de sátira favoritas. Uma das maiores genialidades do primeiro filme era a performance de Leslie Nielsen. Ele, um ator conhecido por papéis sérios, mantinha uma expressão inalterável e séria em meio a situações completamente absurdas e hilárias. E, com isso, tornou-se um comediante lendário. Além disso, a presença de Priscilla Presley, que também está excelente no filme de 1988, só complementa essa obra-prima.
Considero o filme original uma das comédias mais geniais e engraçadas de todos os tempos. Então, quando o assisti, cheguei a perder o fôlego de tanto rir. Por isso, quando vi que as críticas diziam que o novo filme poderia se aproximar ou até superar o original, minha empolgação foi às alturas.
O novo Corra que a Polícia Vem Aí é tão engraçado quanto o original?
O novo filme também é muito engraçado, com piadas sem noção, sátiras inteligentes e um humor besteirol que funciona. As gargalhadas mais fortes que dei foram em duas cenas: uma de confissões e outra com a Pamela Anderson cantando. A Pamela, aliás, está fantástica. Ela é a cara dos anos 90. E a escolha dela para o papel de mulher fatal foi um acerto enorme. Assim como Liam Neeson, que se sai muito bem no papel principal. Isso porque ele traz a mesma seriedade cômica que Leslie Nielsen dominava.
No entanto, mesmo com o novo filme sendo divertido, ele não alcança a mesma avalanche de risadas que eu senti no original. O segundo filme de 1991, por exemplo, já diluía um pouco o humor do primeiro. E esse novo, apesar de ter momentos brilhantes, não atinge aquele mesmo nível de genialidade. Uma pena a cena de abertura, que tem uma sacada genial, ter sido mostrada no trailer. O que roubou um pouco da surpresa e do impacto.
Liam Neeson e Pamela Anderson protagonizam reboot de comédia besteirol
Apesar de tudo, “Corra que a Polícia Vem Aí” é uma comédia muito bem-feita, do tipo que precisamos ver no cinema. Não tem nada melhor do que rir junto com o público. Isso foi algo que senti também no recente “Uma Sexta-Feira Ainda Mais Louca”.
E, por falar em acertos e erros, Priscilla Presley faz uma pequena aparição no filme. Portanto, ela é a única do elenco original a retornar. Mas, já que a chamaram, poderiam ter aproveitado mais a personagem dela. Inclusive porque ela é a mãe do detetive Franklin Devlin Jr.. Então, poderia ter dado a ela uma participação mais interessante.
Avaliação
Vídeo – “Corra que a Polícia Vem Aí” (2025)

Sophia Mendonça é jornalista, professora universitária e escritora. Além disso, é mestre em Comunicação, Territorialidades e Vulnerabilidades (UFMG) e doutoranda em Literatura, Cultura e Tradução (UfPel). Ela também ministrou aulas de “Tópicos em Produção de Texto: Crítica de Cinema “na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), junto ao professor Nísio Teixeira. Além disso, Sophia dá aulas de “Literatura Brasileira Contemporânea “na Universidade Federal de Pelotas (UfPel), com ênfase em neurodiversidade e questões de gênero.
Atualmente, Sophia é youtuber do canal “Mundo Autista”, crítica de cinema no “Portal UAI” e repórter da “Revista Autismo“. Aliás, ela atua como criadora de conteúdo desde 2009, quando estreou como crítica de cinema, colaborando com o site Cineplayers!. Também, é formada nos cursos “Teoria, Linguagem e Crítica Cinematográfica” (2020) e “A Arte do FIlme” (2018), do professor Pablo Villaça. Além disso, é autora de livros-reportagens como “Neurodivergentes” (2019), “Ikeda” (2020) e “Metamorfoses” (2023). Na ficção, escreveu obras como “Danielle, asperger” (2016) e “A Influenciadora e o Crítico” (2025).
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

