Em um cenário cinematográfico por vezes saturado de cinismo e narrativas individualistas, Como Mágica surge como um respiro reconfortante. Esta fábula infantil fofinha tem direção de Nathan Greno, aclamado por seu trabalho em Enrolados, de 2010. O novo filme constrói um tratado sobre o respeito às diferenças e a força da colaboração.
O Mundo Fantástico do Diretor de Enrolados em Como Mágica
O diretor cria todo um ecossistema de animais inventados que, é claro, ganham vida por meio de um comportamento antropomorfizado. E, apesar de a animação não ser visualmente estonteante nem trazer grandes reviravoltas, a maneira como esses seres navegam entre o medo e a confiança nas relações traz um frescor irresistível à tela. Aqui, a amizade e a empatia surgem como antídotos para a dor da solidão.
Em alguns aspectos, o tom da narrativa lembra muito o adorável Enfeitiçados. Esta animação me cativou pela imensa sinceridade com que construía sua metáfora sobre as angústias da adolescência e as complexas relações entre pais e filhos. Como Mágica utiliza uma sensibilidade dramática muito similar. A diferença é que a lupa aqui é direcionada para o coletivo. E é genuinamente bonito observar a jornada de personagens que precisam contar uns com os outros para se ajudar e se fortalecer.
Cuidar do Outro é a Atitude Mais Subversiva que Existe
Em um contexto no qual as pessoas estão muitas vezes agindo com seus instintos mais primitivos para sobreviver à hostilidade do cotidiano, escolher cuidar do outro torna-se a atitude mais subversiva que existe. Portanto, este é, sem dúvida, o aspecto mais revolucionário da história.
No nosso mundo real, vemos frequentemente pessoas desconsiderando ou minimizando o prejuízo que suas ações podem causar aos outros, justificando o egoísmo como uma ferramenta de sobrevivência em um cotidiano hostil. Como Mágica, entretanto, rema contra essa maré. O filme subverte a ideia de que o mais forte é aquele que sobrevive sozinho. Com isso, mostra que a verdadeira força nasce da vulnerabilidade compartilhada e a prosperidade surge do acolhimento às diferenças.
Avaliação
Vídeo – Como Mágica

Autora
Sophia Mendonça é jornalista e escritora. Além disso, é mestre em Comunicação, Territorialidades e Vulnerabilidades (UFMG) e doutoranda em Literatura, Cultura e Tradução (UFPel). Ela também ministrou aulas de “Tópicos em Produção de Texto: Crítica de Cinema “na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), junto ao professor Nísio Teixeira. Além disso, Sophia dá aulas de “Literatura Brasileira Contemporânea “na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), com ênfase em neurodiversidade e questões de gênero.
Atualmente, Sophia é youtuber do canal “Mundo Autista”, crítica de cinema no “Portal UAI” e repórter da “Revista Autismo“. Aliás, ela atua como criadora de conteúdo desde 2009, quando estreou como crítica de cinema, colaborando com o site Cineplayers!. Também, é formada nos cursos “Teoria, Linguagem e Crítica Cinematográfica” (2020) e “A Arte do FIlme” (2018), do professor Pablo Villaça. Além disso, é autora de livros-reportagens como “Neurodivergentes” (2019), “Ikeda” (2020) e “Metamorfoses” (2023). Na ficção, escreveu obras como “Danielle, asperger” (2016) e “A Influenciadora e o Crítico” (2025).
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

