Cálculo Mortal é um suspense que envolve o espectador graças às boas interpretações, à estrutura de narrativa policial familiar e aos aspectos psicológicos dos personagens, que enriquecem bastante a trama. Apesar de seus méritos, a obra não chega a se tornar memorável, tampouco apresenta grandes reviravoltas em seu enredo.
A Inspiração Real de Cálculo Mortal: O Caso Leopold e Loeb no Cinema
O longa é mais uma produção inspirada na história real dos jovens Leopold e Loeb. Eles foram uma dupla brilhante que cometeu um assassinato apenas para provar que conseguiria executá-lo com perfeição e sair impune. Aliás, esse foi o mesmo mote de Festim Diabólico, de Alfred Hitchcock, um filme que, pelo menos na minha opinião, soa um pouco tedioso devido ao seu estilo teatral e não se aproxima da genialidade das grandes obras-primas do diretor. Para superar essa dinâmica de “peça filmada”, o diretor Barbet Schroeder e o roteirista Tony Gayton misturaram as interações da dupla criminosa com um enredo de investigação policial que remete a séries como CSI e NCIS.
O Duelo Psicológico de Cálculo Mortal: As Mentes de Ryan Gosling e Michael Pitt
Gosto da forma como os personagens principais são abordados aqui. Afinal, eles são psicologicamente densos e traiçoeiros, mas de maneiras bem diferentes. Enquanto Michael Pitt interpreta um rapaz retraído, com uma notável capacidade de raciocínio lógico, Ryan Gosling transforma o charme e a inteligência social nas principais armas de seu personagem, um verdadeiro manipulador.
A Versatilidade Oculta de Sandra Bullock
Também é muito interessante acompanhar o exercício de Sandra Bullock, a eterna “queridinha da América”, ao construir uma figura antipática no início dos anos 2000. A detetive carrega um passado assustador que ainda a domina. Ela confia plenamente em seus instintos e rejeita respostas óbvias. Bullock atua na contramão de sua simpatia natural. O resultado é uma mulher triste e introspectiva, que usa o trabalho policial tanto como distração quanto como validação de seu próprio valor. É, sem dúvida, uma curiosa demonstração de versatilidade.
Veredito de Cálculo Mortal: Faltou Tensão ao Roteiro?
O roteiro, no entanto, carece de uma dose maior de tensão e suspense. Talvez porque a própria premissa de “gênios do crime” já soe um pouco desgastada. Além disso, a estrutura narrativa, que entrega mais informações ao público do que aos próprios investigadores, acaba tornando o desenrolar da trama mais previsível e, consequentemente, menos instigante.
Avaliação

Autora
Sophia Mendonça é jornalista e escritora. Além disso, é mestre em Comunicação, Territorialidades e Vulnerabilidades (UFMG) e doutoranda em Literatura, Cultura e Tradução (UFPel). Ela também ministrou aulas de “Tópicos em Produção de Texto: Crítica de Cinema “na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), junto ao professor Nísio Teixeira. Além disso, Sophia dá aulas de “Literatura Brasileira Contemporânea “na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), com ênfase em neurodiversidade e questões de gênero.
Atualmente, Sophia é youtuber do canal “Mundo Autista”, crítica de cinema no “Portal UAI” e repórter da “Revista Autismo“. Aliás, ela atua como criadora de conteúdo desde 2009, quando estreou como crítica de cinema, colaborando com o site Cineplayers!. Também, é formada nos cursos “Teoria, Linguagem e Crítica Cinematográfica” (2020) e “A Arte do FIlme” (2018), do professor Pablo Villaça. Além disso, é autora de livros-reportagens como “Neurodivergentes” (2019), “Ikeda” (2020) e “Metamorfoses” (2023). Na ficção, escreveu obras como “Danielle, asperger” (2016) e “A Influenciadora e o Crítico” (2025).
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