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Crítica | Bom Menino: O Filme de Terror Inovador Sob a Perspectiva de um Cachorro

Crítica de Bom Menino, filme de terror inovador narrado pelo olhar de um cachorro. O cão Indy rouba a cena!

Crítica de Bom Menino, filme de terror inovador narrado pelo olhar de um cachorro. O cão Indy rouba a cena!

​Bom Menino é um filme de terror curioso. Isso porque o projeto traz a premissa, inovadora para o gênero, de narrar a história sob a perspectiva de um cachorro. Ele faz isso com uma verossimilhança surpreendente, dentro das convenções do estilo. É que, apesar dos elementos de horror sobrenatural, o diretor confere protagonismo ao cachorro sem, no entanto, transformá-lo em uma figura antropomorfizada. Pelo contrário, o grande charme do personagem principal é agir e reagir como um cão comum.

Bom Menino, o cachorro Indy e os prêmios de atuação

​Dessa forma, o filme consegue ser, ao mesmo tempo, fofo e perturbador ao discutir temas como lealdade, amizade canina, coragem, vida e morte. O cachorro Indy é o próprio cão do diretor Ben Leonberg. Ele tornou-se o primeiro animal a ser nomeado, e até a vencer, prêmios de atuação para humanos, como o Astra Awards. De fato, é surpreendente notar como ele consegue ser tão expressivo.

Falta de enredo, mas sobra de atmosfera

​O filme, contudo, apresenta poucos diálogos e, apesar da duração ínfima, é um pouco repetitivo e sem enredo suficiente para sustentar os 70 minutos de duração. Isso ocorre porque a ideia que rege o longa-metragem é excelente, mas de difícil execução. Mesmo assim, gosto do modo como o cineasta leva a obra a sério e extrai o máximo de profundidade e atmosfera do material que tem em mãos. Assim, o filme jamais abraça o ridículo ou o bizarro.

Imersão sensorial e o verdadeiro protagonista

​E, como não poderia deixar de ser, graças à perspectiva que guia a narrativa, é uma obra fortemente sensorial. Os barulhos de portas rangendo criam uma conexão com o horror sobrenatural, mas ganham outra dimensão por meio da perspectiva de alguém que, em comparação aos humanos, possui uma sensibilidade auditiva aumentada. Além disso, a fotografia sombria e sinistra de uma casa ou de uma floresta, vistas pelos olhos de Indy, favorece uma atmosfera envolvente.

​Mas, o que há de mais bonito na obra é perceber como o instinto de proteção de um cão não apenas é comovente, como de fato rende um filme de terror perspicaz, ainda que imperfeito. Também gosto de como o diretor inverte a dinâmica de apenas torcermos e sentirmos pena dos animais. Nada mais justo: aqui, o destaque é todo Indy.

Avaliação de Bom Menino: 6/10

Sophia Mendonça

Sophia Mendonça é jornalista e escritora. Além disso, é mestre em Comunicação, Territorialidades e Vulnerabilidades (UFMG) e doutoranda em Literatura, Cultura e Tradução (UFPel). Ela também ministrou aulas de “Tópicos em Produção de Texto: Crítica de Cinema “na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), junto ao professor Nísio Teixeira. Além disso, Sophia dá aulas de “Literatura Brasileira Contemporânea “na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), com ênfase em neurodiversidade e questões de gênero. Em 2025, Sophia apareceu na posição #57 da lista de 64 egressos notáveis da UFMG, divulgada pelo EduRank. Ao longo de sua trajetória ela ganhou diversos prêmios, incluindo o Grande Colar do Mérito de Belo Horizonte (2016), o Special Tribute do Erasmus+ (2019) e o de micro Influenciadores Digitais do Portal da Comunicação (2023).

Atualmente, Sophia é youtuber do canal “Mundo Autista”, crítica de cinema no “Portal UAI” e repórter da “Revista Autismo“. Aliás, ela atua como criadora de conteúdo desde 2009, quando estreou como crítica de cinema, colaborando com o site Cineplayers!. Também, é formada nos cursos “Teoria, Linguagem e Crítica Cinematográfica” (2020) e “A Arte do FIlme” (2018), do professor Pablo Villaça. Além disso, é autora de livros-reportagens como “Neurodivergentes” (2019), “Ikeda” (2020) e “Metamorfoses” (2023). Na ficção, escreveu obras como “Danielle, asperger” (2016) e “A Influenciadora e o Crítico” (2025).

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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