Tantos anos depois de maratonar vários episódios na pré-adolescência e de ter revisto o filme original tantas vezes (confesso que até chorava em alguns momentos), fui assistir a Bob Esponja: Em Busca da Calça Quadrada. Fiquei pensando se esse tipo de humor bobo e extremamente infantil ainda surtiria efeito neste momento da minha vida. E qual não foi a minha surpresa ao notar que a obra, feita muitos anos após os episódios que eu costumava assistir, não só mantém o mesmo humor descalabrosamente sem noção, como ainda tem vigor para encontrar meios criativos de ser tolo no sentido mais engraçado possível.
Força Intestinal e Sereias ao Contrário: O Absurdo que Dá Certo no filme Bob Esponja: Em busca da Calça Quadrada
A boa notícia, então, é que a essência desse humor inconfundível fica clara em vários momentos da história de Bob Esponja: Em busca da Calça Quadrada. Em um deles, o personagem-título decide encarar um desafio e trilhar um caminho perigoso simplesmente para provar que pode ser corajoso. No trajeto, há um bando de soldados querendo destruí-lo, além de guardas perigosos e formidáveis. E o mais hilário é que o fato de um deles ser um fantasma acaba sendo o detalhe menos assustador de tudo aquilo!
Querendo provar que possui uma verdadeira ‘força intestinal’ e coragem para seguir em frente, o protagonista se depara com algo que, de fato, parece um intestino. A reação dele e de Patrick é começar a rir de forma incontrolável. E é justamente essa risada que desarma os guardas, que vão se desfazendo, um a um, diante de uma situação tão ridícula e absurda. Em outro momento brilhante, vemos Lula Molusco sendo seduzido por sereias tocando jazz. Mas, como estamos falando de Bob Esponja, as sereias são ao contrário: elas têm cara de peixe e pernas humanas! Sinceramente, lá no fundo do mar, nós não poderíamos esperar qualquer outra coisa.
Nostalgia, Humor Pastelão e o Legado de Bob Esponja na Animação
Bob Esponja nunca foi o meu desenho favorito. Afinal, sempre preferi os musicais românticos das princesas Disney, os mistérios da turma do Scooby-Doo ou as aventuras fashion de Três Espiãs Demais. No campo do humor pastelão, porém, penso que Bob Esponja só não supera a deliciosa construção de mundo de Os Padrinhos Mágicos. Lembro-me de ter assistido ao primeiro longa-metragem da animação submarina nos cinemas e de ter me divertido muito com aquele humor nonsense. É, afinal, um tom tão absurdo que faz a gente gargalhar simplesmente por pensar que alguém foi capaz de idealizar aquilo!
Na televisão, a sensação não era diferente. O que esperar, por exemplo, de um desenho em que o grande vilão é o Plankton, talvez um dos seres vivos menos poderosos em termos biológicos? Plankton faz uma pequena aparição neste novo filme, mas o humor pastelão ao extremo se mantém durante toda a projeção.
Avaliação
Vídeo – Bob Esponja: Em busca da Calça Quadrada

Autora
Sophia Mendonça é jornalista e escritora. Além disso, é mestre em Comunicação, Territorialidades e Vulnerabilidades (UFMG) e doutoranda em Literatura, Cultura e Tradução (UFPel). Ela também ministrou aulas de “Tópicos em Produção de Texto: Crítica de Cinema “na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), junto ao professor Nísio Teixeira. Além disso, Sophia dá aulas de “Literatura Brasileira Contemporânea “na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), com ênfase em neurodiversidade e questões de gênero.
Atualmente, Sophia é youtuber do canal “Mundo Autista”, crítica de cinema no “Portal UAI” e repórter da “Revista Autismo“. Aliás, ela atua como criadora de conteúdo desde 2009, quando estreou como crítica de cinema, colaborando com o site Cineplayers!. Também, é formada nos cursos “Teoria, Linguagem e Crítica Cinematográfica” (2020) e “A Arte do FIlme” (2018), do professor Pablo Villaça. Além disso, é autora de livros-reportagens como “Neurodivergentes” (2019), “Ikeda” (2020) e “Metamorfoses” (2023). Na ficção, escreveu obras como “Danielle, asperger” (2016) e “A Influenciadora e o Crítico” (2025).
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