Quem não sente falta daquela época de ouro das comédias românticas que dominaram os cinemas nos anos 1990 e 2000? O excelente trailer de “Amores Materialistas” acendeu essa chama de nostalgia em todos nós, ao sugerir o retorno triunfal de um gênero que parecia adormecido.
Com uma trilha sonora contagiante embalada por Madonna, um elenco estelar e dilemas amorosos repletos de humor esperto, o filme já conquistou de cara. Afinal, o cinema tradicional parece ter trocado as rom-coms que moram em nosso imaginário por grandes sagas e orçamentos gigantescos. E, embora o streaming ainda nos presenteie com pérolas como “Pode Guardar um Segredo?” e “O Jogo do Amor-Ódio”, a sensação é de que o otimismo e a leveza do gênero andavam em falta na tela grande.
O amor na visão da cineasta Celine Song, diretora de Vidas Passadas e Amores Materialistas
No entanto, como disse a diretora e roteirista Celine Song, o amor é um tema universal e um grande mistério. E talvez seja exatamente de mais otimismo e de histórias que retratam temas sérios com leveza que o mundo precise agora.
Contudo, também é aqui que “Amores Materialistas” pode surpreender quem espera uma comédia romântica convencional. Isso porque, se você assistiu a “Vidas Passadas”, o filme tocante e poético que rendeu a Celine Song indicações ao Oscar, já sabe que ela não tem medo de mergulhar fundo nos sentimentos.
Amores Materialistas é uma comédia romântica?
Song traz para sua nova obra uma vibe mais reflexiva. Dessa forma, aborda temas sérios e muito atuais. Então, ao mesmo tempo em que presta uma bela homenagem ao gênero com cenas fofas e diálogos divertidos, o filme não foge de questões complicadas. Assim, entre os temas abordados, estão o medo que as mulheres sentem em primeiros encontros; o abismo entre a idealização de um parceiro e a realidade e os dilemas que surgem quando a vida prática e o amor se chocam.
Essa é a genialidade de Song: ela entende que o amor é feito de paixão e de boletos, de sonhos e de rotina. E, ao misturar tudo isso, suas obras se tornam incrivelmente singulares e reais.
A melhor atuação da carreira de Dakota Johnson
Essa visão de mundo parece perfeitamente encarnada pela protagonista, uma casamenteira vivida por Dakota Johnson, que entrega aqui uma de suas melhores atuações. A sua personagem é tudo o que amamos nas heroínas modernas: descolada, culta, divertida e cheia de problemas com os quais nos identificamos facilmente, como desafios financeiros e inseguranças.
Mas Johnson expande esse arquétipo, levando a personagem por caminhos mais realistas e até dramáticos, especialmente na relação com suas clientes. Portanto, ela não é apenas uma mocinha em busca do príncipe encantado; é uma mulher complexa, focada em sua carreira e em seus próprios dilemas.
Conclusão
Por fim, toda essa jornada envolvente culmina em um desfecho corajoso para os dias de hoje. Dessa forma, “Amores Materialistas” consegue ao mesmo tempo resgatar a essência das comédias românticas e subverter a ideia clássica do “felizes para sempre”.
E, mesmo com toda essa profundidade, o filme ainda faz suspirar, especialmente em uma belíssima cena onde um casal compartilha suas expectativas mais sinceras. No fim, a obra de Celine Song prova que é possível ser realista sem perder a magia do amor.
Vídeo – “Amores Materialistas”
Avaliação

Sophia Mendonça é jornalista, professora universitária e escritora. Além disso, é mestre em Comunicação, Territorialidades e Vulnerabilidades (UFMG) e doutoranda em Literatura, Cultura e Tradução (UfPel). Ela também ministrou aulas de “Tópicos em Produção de Texto: Crítica de Cinema “na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), junto ao professor Nísio Teixeira. Além disso, Sophia dá aulas de “Literatura Brasileira Contemporânea “na Universidade Federal de Pelotas (UfPel), com ênfase em neurodiversidade e questões de gênero.
Atualmente, Sophia é youtuber do canal “Mundo Autista”, crítica de cinema no “Portal UAI” e repórter da “Revista Autismo“. Aliás, ela atua como criadora de conteúdo desde 2009, quando estreou como crítica de cinema, colaborando com o site Cineplayers!. Também, é formada nos cursos “Teoria, Linguagem e Crítica Cinematográfica” (2020) e “A Arte do FIlme” (2018), do professor Pablo Villaça.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

