Crítica: A Última Casa (Netflix) desperdiça Wagner Moura e Greta Lee em terror cansativo - O Mundo Autista
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Crítica: A Última Casa (Netflix) desperdiça Wagner Moura e Greta Lee em terror cansativo

Confira a crítica de 'A Última Casa', novo suspense da Netflix estrelado por Wagner Moura e Greta Lee. A trama claustrofóbica não empolga.

Confira a crítica de 'A Última Casa', novo suspense da Netflix estrelado por Wagner Moura e Greta Lee. A trama claustrofóbica não empolga.

A Última Casa” é o novo terror psicológico da Netflix. Essa produção traz no papel principal dois ótimos atores. Primeiro, o brasileiríssimo Wagner Moura, que fez várias novelas por aqui e consolidou sua carreira em Hollywood com o filme “O Agente Secreto”, pelo qual chegou a ser indicado ao Oscar. Além dele, há Greta Lee, que entregou uma atuação excelente no romance “Vidas Passadas“. Este é um filme que eu amo e que foi brilhantemente dirigido pela Celine Song. Assim, com esse elenco junto a uma premissa focada no impacto do isolamento na saúde mental, o filme me despertou boas expectativas.

Confinamento e sobrevivência: a premissa de A Última Casa

A história acompanha essa família, formada pelo casal e seus dois filhos, que se vê misteriosamente presa dentro da própria casa, sem qualquer possibilidade de sair. Aos poucos, eles precisam lidar com a escassez de recursos básicos, como comida e água. Além disso, existe o medo constante de um perigo desconhecido que vem de fora.

Onde o filme erra: direção equivocada e ritmo arrastado

A premissa dialoga diretamente com o período de isolamento que nós enfrentamos com a pandemia. A execução, contudo, me decepcionou bastante. Isso porque a direção ficou a cargo de Louis Leterrier, de “Truque de Mestre“. Ele é um diretor de quem eu gosto. Afinal, já construiu filmes com energia frenética, ritmo acelerado e metáforas curiosas. “A Última Casa”, entretanto, trata-se de um drama familiar confinado no cotidiano. Assim, o longa-metragem exige construção de tensão psicológica e densidade. Porém, o estilo do diretor não se traduziu bem para o ambiente limitado da casa. A condução de Leterrier transforma o filme em uma experiência cansativa e  arrastada. Dessa forma, a narrativa se estende sem propósito. Com isso, acaba parecendo apenas um reality show sobre pessoas presas em uma situação desagradável. Portanto, “A Última Casa” jamais consegue assustar ou criar uma atmosfera envolvente.

Metáforas mastigadas enfraquecem a mensagem central de A Última Casa

A obra tenta se apoiar em uma alegoria ecológica. Isso porque a narrativa sugere que a Terra pertence muito mais à natureza do que aos seres humanos. Porém, quando essa mensagem finalmente vem à tona e o filme tenta explicar seus mistérios, ele o faz de forma excessiva e mastigada. Isso tira todo o impacto da metáfora, que culmina em um entretenimento bobo.

Reflexões sobre adaptação em meio ao terror psicológico

Ainda assim, não sou a dona da razão, e mesmo os filmes que não nos agradam podem trazer reflexões válidas. Isso porque a arte sempre tem o poder de nos transformar. O que tirei dessa experiência foi observar a nossa capacidade de adaptação. O ser humano se adapta a absolutamente tudo, inclusive à infelicidade E, no fim das contas, isso é algo que podemos levar para a nossa própria vida. É um alerta para buscarmos transformar as circunstâncias ruins que surgem em nosso caminho.

Avaliação de A Última Casa: 3/10

Vídeo – A Última Casa

Sophia Mendonça

Sophia Mendonça é jornalista e escritora. Além disso, é mestre em Comunicação, Territorialidades e Vulnerabilidades (UFMG) e doutoranda em Literatura, Cultura e Tradução (UFPel). Ela também ministrou aulas de “Tópicos em Produção de Texto: Crítica de Cinema “na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), junto ao professor Nísio Teixeira. Além disso, Sophia dá aulas de “Literatura Brasileira Contemporânea “na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), com ênfase em neurodiversidade e questões de gênero. Em 2025, Sophia apareceu na posição #57 da lista de 64 egressos notáveis da UFMG, divulgada pelo EduRank. Ao longo de sua trajetória ela ganhou diversos prêmios, incluindo o Grande Colar do Mérito de Belo Horizonte (2016), o Special Tribute do Erasmus+ (2019) e o de micro Influenciadores Digitais do Portal da Comunicação (2023).

Atualmente, Sophia é youtuber do canal “Mundo Autista”, crítica de cinema no “Portal UAI” e repórter da “Revista Autismo“. Aliás, ela atua como criadora de conteúdo desde 2009, quando estreou como crítica de cinema, colaborando com o site Cineplayers!. Também, é formada nos cursos “Teoria, Linguagem e Crítica Cinematográfica” (2020) e “A Arte do FIlme” (2018), do professor Pablo Villaça. Além disso, é autora de livros-reportagens como “Neurodivergentes” (2019), “Ikeda” (2020) e “Metamorfoses” (2023). Na ficção, escreveu obras como “Danielle, asperger” (2016) e “A Influenciadora e o Crítico” (2025).

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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