Crítica | A Princesa e o Sapo: O Frescor e a Magia da Tradição Disney - O Mundo Autista
O Mundo Autista

Crítica | A Princesa e o Sapo: O Frescor e a Magia da Tradição Disney

Crítica de A Princesa e o Sapo. A Disney une sua tradição mágica o jazz de Nova Orleans, quebrando estereótipos com Tiana e Charlotte.

Crítica de A Princesa e o Sapo. A Disney une sua tradição mágica o jazz de Nova Orleans, quebrando estereótipos com Tiana e Charlotte.

Crítica de A Princesa e o Sapo. A Disney une sua tradição mágica o jazz de Nova Orleans, quebrando estereótipos com Tiana e Charlotte.

Desde que a Disney reescreveu a história da animação lá em 1937, com Branca de Neve e os Sete Anões, o estúdio estabeleceu um padrão muito claro — e altíssimo — de como encantar o seu público. É uma tradição de divertir e emocionar com uma competência que, convenhamos, chega a ser formidável. Pois bem, A Princesa e o Sapo é, antes de mais nada, um abraço afetuoso e triunfal a essa exata mesma tradição.

Veja bem a ambientação: o filme nos transporta para uma Nova Orleans efervescente e cheia de textura. A caracterização dos cenários e o design dos personagens resgatam aquela veia deliciosamente caricatural e expressiva que é a marca registrada e o grande trunfo do estúdio. É um verdadeiro deleite visual.

Tiana e o Ritmo Arrebatador dos Anos 1920 em A Princesa e o Sapo

A diferença crucial aqui — e é uma diferença histórica, diga-se de passagem — é que, pela primeira vez em toda a sua trajetória, a Disney coroa uma princesa negra como a sua protagonista absoluta. E ela é inserida em um contexto impecável: a década de 1920. Esse recorte de lugar e época serve de inspiração para uma trilha sonora que é, sem meias palavras, arrebatadora. A narrativa é embalada por uma mistura riquíssima e contagiante de country, blues e muito jazz.

E é absolutamente impossível falar de A Princesa e o Sapo sem aplaudir a inteligência do roteiro na construção de suas personagens femininas.

Comecemos, claro, por Tiana. Diferente da realeza passiva de outrora que aguardava o resgate na torre de um castelo, Tiana é o retrato da obstinação. Ela é uma protagonista batalhadora, uma trabalhadora incansável que tem os pés muito bem fincados no chão e um objetivo extremamente pragmático: abrir o seu próprio restaurante. Ela não espera por mágica; ela transpira esforço, dignidade e propósito.

Charlotte La Bouff de A Princesa e o Sapo: A Genial Subversão de Arquétipos

Mas, se me permitem a franqueza, o grande golpe de mestre do filme — aquela subversão de arquétipo que nos pega de surpresa — atende pelo nome de Charlotte La Bouff. Pense comigo: em praticamente qualquer outra animação convencional, a herdeira riquíssima, extravagante e absurdamente mimada seria, por definição, a antagonista fútil ou a rival invejosa.

O que a Disney faz aqui é de uma delicadeza formidável. Charlotte contraria todas as nossas expectativas cínicas. Ela é, sim, a personificação do excesso, mas é também dona de um coração gigantesco. É uma garota adorável, uma amiga de uma lealdade feroz e, acima de tudo, uma aliada incondicional que torce pelo sucesso de Tiana com um entusiasmo genuíno. É impossível não se afeiçoar a ela.

O Carisma de Nova Orleans e o Veredito

E para coroar esse elenco, a galeria de coadjuvantes é um espetáculo à parte. O carisma que transborda da tela — seja na figura de um crocodilo trompetista com aspirações no jazz, ou de um vaga-lume romanticamente incurável — injeta no filme uma energia e um humor que capturam, de forma brilhante, a verdadeira alma de Nova Orleans.

O resultado é uma obra que tem um pé fincado no que a Disney tem de mais clássico, mas que ginga com um frescor absolutamente irresistível.

Avaliação

Avaliação: 5 de 5.
Sophia Mendonça

Autora

Sophia Mendonça é jornalista e escritora. Além disso, é mestre em Comunicação, Territorialidades e Vulnerabilidades (UFMG) e doutoranda em Literatura, Cultura e Tradução (UFPel). Ela também ministrou aulas de “Tópicos em Produção de Texto: Crítica de Cinema “na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), junto ao professor Nísio Teixeira. Além disso, Sophia dá aulas de “Literatura Brasileira Contemporânea “na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), com ênfase em neurodiversidade e questões de gênero.

Atualmente, Sophia é youtuber do canal “Mundo Autista”, crítica de cinema no “Portal UAI” e repórter da “Revista Autismo“. Aliás, ela atua como criadora de conteúdo desde 2009, quando estreou como crítica de cinema, colaborando com o site Cineplayers!. Também, é formada nos cursos “Teoria, Linguagem e Crítica Cinematográfica” (2020) e “A Arte do FIlme” (2018), do professor Pablo Villaça. Além disso, é autora de livros-reportagens como “Neurodivergentes” (2019), “Ikeda” (2020) e “Metamorfoses” (2023). Na ficção, escreveu obras como “Danielle, asperger” (2016) e “A Influenciadora e o Crítico” (2025).

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

Subscribe
Notify of
guest
0 Comentários
Inline Feedbacks
View all comments