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Crítica: A Primeira Temporada de “Depois daquele Ano” e a Magia dos Primeiros Amores

A série Depois daquele Ano, adaptada da obra de Carley Fortune, une romance nostálgico, primeiros amores e segundas chances. Confira a crítica completa!

A série Depois daquele Ano, adaptada da obra de Carley Fortune, une romance nostálgico, primeiros amores e segundas chances. Confira a crítica completa!

A primeira temporada da série Depois daquele Ano, adaptada dos romances de Carley Fortune, é um ótimo romance nostálgico e agridoce. A produção tem como foco os primeiros amores e as tão sonhadas segundas chances. Além disso, a obra se destaca ao entregar não apenas uma, mas duas histórias de amadurecimento contadas de forma simultânea. Dessa forma, ela justapõe a inocência da juventude, construída ao longo de verões inesquecíveis, com um presente marcado pelo luto e pelo reencontro. Assim, a série nos convida a uma profunda reflexão sobre as escolhas que moldam os nossos caminhos.

A trama acompanha Persephone “Percy” Fraser. Aos 28 anos, ela leva uma vida urbana e aparentemente estável como jornalista. No entanto, por trás da fachada de sucesso, esconde-se estagnação emocional e culpa paralisante por um erro cometido há mais de uma década. A rotina engessada de Percy, contudo, é subitamente interrompida por uma notícia devastadora. Trata-se da morte de Sue Florek. Ela é uma antiga vizinha de veraneio e uma verdadeira figura materna em sua vida. Então, a protagonista retorna a Barry’s Bay, a idílica cidade à beira do lago que ela havia jurado nunca mais visitar. Mas, é nesse cenário de isolamento geográfico que ela precisa comparecer ao funeral. E, inevitavelmente, confrontar o fantasma de seu maior arrependimento: os irmãos Florek.

O Passado em Barry’s Bay: Nostalgia e o Início de Tudo

Intercalando o luto do presente com as memórias do passado, Depois daquele Ano revela como tudo começou no verão de 2011. Quando os pais de Percy compram uma casa de férias no lago, a jovem adolescente, que até então estava solitária e deslocada, encontra um refúgio acolhedor nos filhos da vizinha Sue. É ali que Percy desenvolve uma conexão instantânea e magnética com o irmão mais novo, Sam. Ao longo de seis verões mágicos, o que começa como uma amizade baseada em maratonas de filmes de terror e livros compartilhados evolui para um amor adolescente puro e avassalador.

Em contrapartida, o irmão mais velho, Charlie, figura como o pólo oposto dessa dinâmica. Mais impulsivo, rebelde e sedutor, ele orbita a relação de Percy e Sam. Com isso, cria uma tensão complexa que eventualmente serve de catalisador para uma tragédia emocional do grupo. Aliás, é aí que reside o motor de suspense da primeira temporada. Qual foi o evento catastrófico que ocorreu no último verão deles juntos? O que, afinal, levou Percy a abandonar Sam e cortar todos os laços com Barry’s Bay? Durante os preparativos para o memorial de Sue no presente, a tensão não dita entre os dois se torna insuportável, E os força a conviver e a lidar com as mágoas acumuladas.

Depois daquele ano: Química do Elenco e a Força dos Personagens

O grande trunfo da série é o desenvolvimento dos personagens e a química genuína do elenco. Graças à estrutura narrativa, os espectadores sentem que estão crescendo junto com eles. Sadie Soverall (Percy) e Matt Cornett (Sam) exalam angústia e romance. Assim, a dupla transita magistralmente entre a tensão dramática e o flerte lúdico apenas com trocas de olhares.

Percy é uma personagem falha e emocionalmente bagunçada, mas que jamais perde sua essência gentil. Da mesma forma, Sam consegue se desvencilhar do cansativo rótulo de “mocinho irretocável”. E é devidamente responsabilizado por sua parcela de culpa nos conflitos. O elenco de apoio também tem texturas riquíssimas. Charlie esconde seu luto e fragilidade sob a fachada de playboy; Chantal e Jordie trazem o alicerce de estabilidade emocional que o grupo precisa; e Delilah subverte de forma inteligente o arquétipo da garota rica e maldosa.

Trilha Sonora e Ambientação: Personagens Essenciais da Trama de Depois daquele ano

Para traduzir essa dualidade de linhas temporais, a direção de arte e o design de som de Depois daquele Ano são impecáveis. O passado é embalado por grandes hits pop dos anos 2010. Com isso, ressalta a inocência e a energia vibrante da juventude. Já o presente adota um tom mais melancólico, com canções de artistas independentes como Noah Kahan e Mumford & Sons que traduzem o arrependimento, o luto e as oportunidades perdidas.

Além da música, a paisagem belíssima atua quase como um personagem próprio. A ambientação na pitoresca comunidade canadense de Barry’s Bay, com seu interminável lago cerúleo e sua maravilha verdejante, evoca o escapismo absoluto. Assim, a doçura desses verões mágicos contrasta fortemente com a vida urbana e fria dos adultos. Essa atmosfera torna o retorno de Percy um verdadeiro choque de realidade.

Avaliação: 8/10

Sophia Mendonça

Autora

Sophia Mendonça é jornalista e escritora. Além disso, é mestre em Comunicação, Territorialidades e Vulnerabilidades (UFMG) e doutoranda em Literatura, Cultura e Tradução (UFPel). Ela também ministrou aulas de “Tópicos em Produção de Texto: Crítica de Cinema “na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), junto ao professor Nísio Teixeira. Além disso, Sophia dá aulas de “Literatura Brasileira Contemporânea “na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), com ênfase em neurodiversidade e questões de gênero. Em 2025, Sophia apareceu na posição #57 da lista de 64 egressos notáveis da UFMG, divulgada pelo EduRank. Ao longo de sua trajetória ela ganhou diversos prêmios, incluindo o Grande Colar do Mérito de Belo Horizonte (2016), o Special Tribute do Erasmus+ (2019) e o de micro Influenciadores Digitais do Portal da Comunicação (2023).

Atualmente, Sophia é youtuber do canal “Mundo Autista”, crítica de cinema no “Portal UAI” e repórter da “Revista Autismo“. Aliás, ela atua como criadora de conteúdo desde 2009, quando estreou como crítica de cinema, colaborando com o site Cineplayers!. Também, é formada nos cursos “Teoria, Linguagem e Crítica Cinematográfica” (2020) e “A Arte do FIlme” (2018), do professor Pablo Villaça. Além disso, é autora de livros-reportagens como “Neurodivergentes” (2019), “Ikeda” (2020) e “Metamorfoses” (2023). Na ficção, escreveu obras como “Danielle, asperger” (2016) e “A Influenciadora e o Crítico” (2025).

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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