Confesso que A Noiva foi uma daquelas surpresas genuinamente formidáveis. Desde que assisti a Hamnet — um filme que já havia me deixado absolutamente maravilhada —, eu estava numa expectativa imensa para reencontrar a Jessie Buckley na tela. E aqui, ela é o verdadeiro pulmão do filme, insuflando vida em cada fotograma.
Tensão, Ação e o Peso do Papel da Mulher em A Noiva
A direção tem o enorme mérito de já abrir a narrativa com um movimento de ação eletrizante. É um daqueles arranques que te pegam pelo colarinho, estabelecendo uma tensão que se propaga de forma brilhante por todo o roteiro. É impossível não ficar na ponta da poltrona, pensando: ‘Meu Deus, para onde isso vai nos levar?’.
Mas o que me cativou de forma muito particular foi observar a maneira — ainda que sob uma ótica deliciosamente distorcida — como o roteiro trabalha a imposição da presença feminina. É, portanto, uma mulher recusando-se terminantemente a ser rebaixada àquele papel de passividade. E se hoje nós já sabemos o quão exaustivo é esse escrutínio, calculem o peso absurdo disso na época em que a história se passa!
O Verdadeiro Significado por Trás do Título “A Noiva”
Eu sei que houve quem torcesse o nariz para a nomenclatura. Há quem argumente, por exemplo: ‘Ah, mas se a ideia é emancipar a personagem, ela não deveria carregar o título de A Noiva, porque isso já a subordina à figura de um homem’. Mas, veja bem, eu discordo dessa leitura. Quando o filme adota esse título, ele está nos falando sobre a gênese dessa mulher. Portanto, diz respeito à sua origem, a como ela foi fabricada para o mundo, e não ao limite de quem ela se recusa a ser.
Um parêntese muito necessário para o trabalho de caracterização, aliás: quando eu vi aquele detalhe da maquiagem na boca no primeiro trailer, eu admito que senti um certo calafrio de apreensão. Achei que pudesse soar caricato. Mas, dentro daquele universo e do contexto concebido no filme, aquilo faz todo o sentido do mundo. Fez, dessa forma, uma diferença brutal.
O Deleite da Detetive Estilo Agatha Christie
E, para coroar essa experiência, temos a figura da detetive, que, para mim, é um acerto sem precedentes. Aliás, vou até confidenciar uma coisa a vocês: quem me acompanha sabe do meu fascínio confesso pela obra de Agatha Christie, e eu sempre alimentei esse sonho de ser exatamente esse tipo de detetive. Uma figura astuta, de olhar clínico, que desvenda o ambiente prestando atenção naqueles detalhes minúsculos que escapam a todo mundo. Eu só dispensaria, claro, a fumaça do cigarro. Mas acompanhar os passos dessa personagem em tela foi, sem dúvida, um deleite à parte.
Vídeo – “A Noiva”
Avaliação

Selma Sueli Silva é criadora de conteúdo e empreendedora no projeto multimídia Mundo Autista D&I, escritora e radialista. Mestranda em Literatura pela UFPel, é também especialista em Comunicação e Gestão Empresarial (IEC/MG). Além disso, ela atua como editora no site O Mundo Autista (Portal UAI) e é articulista na Revista Autismo (Canal Autismo). Autora de livros como “Minha vida de trás para Frente“(2017) e “Camaleônicos” (2019).
Em 2019, Selma recebeu o prêmio de Boas Práticas do programa da União Europeia Erasmus+. Além dele, ganhou Prêmio Microinfluenciadores Digitais 2023, na categoria PcD. E é membro da UNESCOSOST movimento de sustentabilidade Criativa, desde 2022. Como crítica de cinema, é formada no curso “A Arte do Filme”, do professor Pablo VIllaça. Também é mentora em “Comunicação e Diálogo” para comunicação eficaz e um diálogo construtivo nos Relacionamentos Interpessoais, Sociais, Familiares, Profissionais e Estudantis.
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