Eu, na década de 80, era uma jovenzinha bastante jovem mesmo. E era a década das comédias românticas, filmes que os homens costumavam desdenhar, chamando de “água com açúcar”. Mas entre os anos 80, 90 e 2000, nós vivemos a verdadeira era de ouro das comédias românticas. Eu sempre gostei de assistir; eu amo, me encanta e me distrai. Quando preciso daquele filme que me deixa só com um sorriso nos lábios, para me descansar a cabeça, a comédia romântica é o meu refúgio. É reconfortante e, acredite, também nos faz pensar, mas a sensação de reconforto é o que prevalece. Então, quando a Sophia me sugeriu assistir a A Hipótese do Amor, eu já adorei a ideia de antemão. E o filme me deu vários presentes. A gente tende a pensar que aquela velha fórmula da comédia romântica não vai funcionar em pleno 2026, com a Geração Z focada em outros propósitos e outras lutas. Mas, de repente, você descobre que os ingredientes que eles colocaram ali fazem a magia acontecer de novo.
Namoro Falso e a Magia de Lily Reinhart
A ambientação em uma universidade, o contexto de um curso de pós-graduação, a luta árdua pelo doutorado e as motivações por trás dessa jornada – tudo isso me prendeu. O elenco de apoio e a dinâmica com os colegas chamaram minha atenção logo de cara, e a trama se desenvolveu muito bem, amparada por excelentes atores. A amiga da protagonista, por exemplo, segurou super bem a parceria em cena; a relação delas é extremamente crível. A protagonista, interpretada por Lily Reinhart, mostra o talento de uma atriz que vem lapidando suas expressões. Por meio do olhar dela, você mergulha na história. Aquela fórmula do “namoro falso”, que em teoria deveria estar completamente desgastada, ganha vida, e você acredita nela. O retrato do ambiente acadêmico foi outro ponto alto. Temos o “professor hostil”, o interesse amoroso dela. Quando você o acompanha de perto, percebe que ele simplesmente não tem muito “jeito” social para falar, mas o que ele diz é real, é direto. O aluno que conseguir escutar além da casca vai, de fato, se tornar um pesquisador vencedor. Isso porque esse professor se importa verdadeiramente com a pesquisa, com a integridade dos experimentos, e ele cobra isso com firmeza.
O Retrato Realista da Pós-Graduação em A Hipótese do Amor
Na outra ponta, temos o professor rival, de outra instituição, que parece fazer um “tipo” para agradar os alunos – uma postura que, confesso, já não me encanta tanto. E temos também a representação das mulheres na academia: a professora altamente competente que sabe que, por mais que entregue um trabalho igual ao dos colegas homens, não terá o mesmo reconhecimento e enfrentará um caminho muito mais difícil. Sem falar naquele acadêmico mais velho que cruza o caminho deles numa festa só para jogar um balde de água fria: “Ah, isso nós já tentamos, não deu certo, o seu caminho está errado.” Essas facetas constroem um universo muito tangível. Para quem vive a realidade da pós-graduação – eu faço mestrado e a Sophia faz doutorado –, fica claro que o filme tem um pé muito firme na realidade acadêmica. Enfim, é uma história que prende e que você percebe que não nasceu do nada.
Avaliação de A Hipótese do Amor: 8/10
Vìdeo

Autora
Selma Sueli Silva é criadora de conteúdo e empreendedora no projeto multimídia Mundo Autista D&I, escritora e radialista. Mestranda em Literatura pela UFPel, é também especialista em Comunicação e Gestão Empresarial (IEC/MG). Além disso, ela atua como editora no site O Mundo Autista (Portal UAI) e é articulista na Revista Autismo (Canal Autismo). Autora de livros como “Minha vida de trás para Frente“(2017) e “Camaleônicos” (2019).
Em 2019, Selma recebeu o prêmio de Boas Práticas do programa da União Europeia Erasmus+. Além dele, ganhou Prêmio Microinfluenciadores Digitais 2023, na categoria PcD. E é membro da UNESCOSOST movimento de sustentabilidade Criativa, desde 2022. Como crítica de cinema, é formada no curso “A Arte do Filme”, do professor Pablo VIllaça. Também é mentora em “Comunicação e Diálogo” para comunicação eficaz e um diálogo construtivo nos Relacionamentos Interpessoais, Sociais, Familiares, Profissionais e Estudantis.
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