A premissa de pinçar um conto tão enraizado no nosso imaginário como o da Chapeuzinho Vermelho e transmutá-lo em um suspense com tintas de romance é, no papel, até bastante promissora. Havia um potencial genuíno ali. O grande problema, contudo, é que o filme acaba se revelando um mero amontoado de convenções requentadas e exaustivas de ambos os gêneros.
Direção de Arte Artificial e Problemas de Ritmo prejudicam A Garota da Capa Vermelha
E a coisa toda desanda de uma maneira frustrante. Afinal, a narrativa é prejudicada por uma direção de arte tão plastificada que mais parece cenário de parque temático. E é acompanhada de sustos artificiais e telegrafados que não fariam pular nem a pessoa mais impressionável da plateia. É um filme que sofre de um desenvolvimento claudicante. E que tropeça sem parar em seus próprios — e evidentes — problemas de ritmo.
De Chapeuzinho Vermelho a Suspense Romântico: Uma Premissa que Fica no Papel em A Garota da Capa Vermelha
Além disso, se você espera que o elenco seja a tábua de salvação para essa empreitada, prepare-se para outra decepção. Os atores falham de maneira quase formidável na tentativa de conferir qualquer resquício de profundidade ou estofo psicológico a esses personagens tão rasteiros. Os talentos mais jovens, em especial, entregam atuações de uma inércia que chega a ser constrangedora. Eles são, para dizer o mínimo, pouquíssimo convincentes. Dessa forma, faltam gravidade e peso dramático à obra. No fim das contas, é uma oportunidade espetacularmente desperdiçada.
Avaliação

Autora
Sophia Mendonça é jornalista e escritora. Além disso, é mestre em Comunicação, Territorialidades e Vulnerabilidades (UFMG) e doutoranda em Literatura, Cultura e Tradução (UFPel). Ela também ministrou aulas de “Tópicos em Produção de Texto: Crítica de Cinema “na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), junto ao professor Nísio Teixeira. Além disso, Sophia dá aulas de “Literatura Brasileira Contemporânea “na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), com ênfase em neurodiversidade e questões de gênero.
Atualmente, Sophia é youtuber do canal “Mundo Autista”, crítica de cinema no “Portal UAI” e repórter da “Revista Autismo“. Aliás, ela atua como criadora de conteúdo desde 2009, quando estreou como crítica de cinema, colaborando com o site Cineplayers!. Também, é formada nos cursos “Teoria, Linguagem e Crítica Cinematográfica” (2020) e “A Arte do FIlme” (2018), do professor Pablo Villaça. Além disso, é autora de livros-reportagens como “Neurodivergentes” (2019), “Ikeda” (2020) e “Metamorfoses” (2023). Na ficção, escreveu obras como “Danielle, asperger” (2016) e “A Influenciadora e o Crítico” (2025).
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

