O que torna Como Eliminar Seu Chefe uma comédia tão especial é a maneira absurda e certamente muito divertida com que este clássico de 1980 aborda a temática da raiva feminina e da mulher no ambiente de trabalho. A produção traz três mulheres tentando sobreviver em um ambiente hostil, no qual enfrentam assédio, exploração e desigualdade de oportunidades em um nível ainda pior — e muito mais explícito — do que o que ocorre quatro décadas depois.
Screwball Comedy: Uma Batalha dos Sexos Bem-Humorada
No entanto, engana-se quem pensa que vai assistir a uma narrativa lamentosa. Afinal, o longa segue o estilo ágil das screwball comedies. Este é um subgênero que brilhou entre os anos 1930 e 1950, famoso por satirizar histórias de amor tradicionais, colocar as mulheres no domínio da relação e promover uma bem-humorada “batalha dos sexos”.
O filme é muito engraçado porque mistura, com uma alta quantidade de piadas por minuto, sátira ao mundo corporativo, paródia ao comportamento feminino, o humor ácido de uma fantasia de vingança e situações absurdas. Há momentos antológicos, que vão desde fantasias de vingança no estilo conto de fadas até um diálogo surreal para tentar escapar de um policial. Aliás, a paranoia que se instala quando uma delas acredita ter acidentalmente matado o chefe é particularmente brilhante.
A Direção Cartunesca e Hilária de Colin Higgins para Como Eliminar Seu Chefe
Um dos grandes pontos fortes do longa-metragem é a direção de Colin Higgins, que confere ao humor um teor mais escrachado e exagerado, mas sem ceder a excessos. Ele se inspirou em desenhos animados e, com isso, transformou momentos que poderiam ser desconfortáveis e pesados em icônicas sequências fantasiosas, com um forte ar cartunesco.
O Brilho do Trio de Como Eliminar Seu Chefe: Jane Fonda, Lily Tomlin e Dolly Parton
As três protagonistas são vividas em estado de graça por Jane Fonda, Lily Tomlin e Dolly Parton. Aliás, a cantora country — que interpreta a música-tema do filme, vencedora do Grammy e indicada ao Oscar — surpreende em seu primeiro papel nos cinemas. É particularmente fantástica a construção da sua personagem, Doralee, que foi inspirada em uma secretária real dos estúdios Fox. Todos no escritório odiavam a mulher por acharem que ela dormia com o chefe. Foi então que a roteirista do longa, Patricia Resnick, descobriu que ela era, na verdade, uma pessoa gentil que cuidava da mãe idosa e sofria com os boatos falsos.
A personagem ganha profundidade ao discutir o peso que é jogado sobre as mulheres que se destacam, seja pela aparência ou personalidade. Ela mostra como essas mulheres acabam sendo malvistas pelos colegas, mesmo que se recusem a agir de modo inadequado, e como frequentemente são recebem a responsabilidade a pelo comportamento assediador de outros.
Avaliação

Autora
Sophia Mendonça é jornalista e escritora. Além disso, é mestre em Comunicação, Territorialidades e Vulnerabilidades (UFMG) e doutoranda em Literatura, Cultura e Tradução (UFPel). Ela também ministrou aulas de “Tópicos em Produção de Texto: Crítica de Cinema “na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), junto ao professor Nísio Teixeira. Além disso, Sophia dá aulas de “Literatura Brasileira Contemporânea “na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), com ênfase em neurodiversidade e questões de gênero.
Atualmente, Sophia é youtuber do canal “Mundo Autista”, crítica de cinema no “Portal UAI” e repórter da “Revista Autismo“. Aliás, ela atua como criadora de conteúdo desde 2009, quando estreou como crítica de cinema, colaborando com o site Cineplayers!. Também, é formada nos cursos “Teoria, Linguagem e Crítica Cinematográfica” (2020) e “A Arte do FIlme” (2018), do professor Pablo Villaça. Além disso, é autora de livros-reportagens como “Neurodivergentes” (2019), “Ikeda” (2020) e “Metamorfoses” (2023). Na ficção, escreveu obras como “Danielle, asperger” (2016) e “A Influenciadora e o Crítico” (2025).
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