Clássico do terror oitentista, “Brinquedo Assassino” (1988) introduziu o vilão Chucky. O legado desse personage sem expandiu por sequências cinematográficas voltadas ao humor perverso e pela série homônima, com exibição entre 2021 e 2024. Apesar do potencial cômico que a premissa de um boneco com sede de vingança possa sugerir, a maior surpresa da obra original é o modo como ela se estabelece como um filme de terror sério.
O Subtexto Social no filme Brinquedo Assassino: Consumismo e Invalidação Sistemática
Isso ocorre porque a narrativa utiliza o elemento lúdico para discutir temas sociais latentes, como a invalidação sistemática de mulheres e crianças, o estigma em relação às religiões de matriz africana e o consumismo desenfreado incentivado desde a infância. Além disso, o diretor Tom Holland demonstra habilidade na condução do elenco e ao conferir uma atmosfera claustrofóbica à obra. O.que aparece mesmo em sequências ambientadas em espaços abertos.
A Trama de Brinquedo Assassino: Quando o Presente de Sonho se Torna um Pesadelo
A trama acompanha Karen Barclay, uma mãe solo que trabalha arduamente como vendedora e luta para presentear seu filho de seis anos, Andy, com o boneco “Good Guy” que ele tanto deseja. Por não ter recursos para o preço de loja, ela adquire o brinquedo de um vendedor de rua em um beco escuro, sem suspeitar que o objeto abriga a alma do assassino Charles Lee Ray. Então, o que começa como uma amizade inocente logo se torna sinistro. Afinal, Chucky manipula a criança para concretizar sua vingança contra antigos comparsas. Dessa forma, faz de Andy o principal suspeito perante a polícia, que ignora os apelos do menino ao insistir que “Chucky é o culpado”.
Suspense vs. Horror: A Revolução de Tom Holland no Gênero
Enquanto outros ícones do horror daquela década seguiam a fórmula de assassinos humanos ou sobrenaturais de aparência monstruosa, este longa mudou o jogo ao depositar a ameaça em um objeto inanimado e inofensivo. Assim, a obra se fortalece no tom de drama e frustração. Afinal, “Brinquedo Assassino” retrata os dilemas de uma mãe que se esforça para proteger o filho enquanto este é colocado no centro de investigações criminais. Essa abordagem torna-se mais interessante sob a direção de Holland, que trata o filme como um suspense de mistério em vez de abraçar o horror gráfico imediato.
Avaliação

Autora
Sophia Mendonça é jornalista, professora universitária e escritora. Além disso, é mestre em Comunicação, Territorialidades e Vulnerabilidades (UFMG) e doutoranda em Literatura, Cultura e Tradução (UFPel). Ela também ministrou aulas de “Tópicos em Produção de Texto: Crítica de Cinema “na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), junto ao professor Nísio Teixeira. Além disso, Sophia dá aulas de “Literatura Brasileira Contemporânea “na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), com ênfase em neurodiversidade e questões de gênero.
Atualmente, Sophia é youtuber do canal “Mundo Autista”, crítica de cinema no “Portal UAI” e repórter da “Revista Autismo“. Aliás, ela atua como criadora de conteúdo desde 2009, quando estreou como crítica de cinema, colaborando com o site Cineplayers!. Também, é formada nos cursos “Teoria, Linguagem e Crítica Cinematográfica” (2020) e “A Arte do FIlme” (2018), do professor Pablo Villaça. Além disso, é autora de livros-reportagens como “Neurodivergentes” (2019), “Ikeda” (2020) e “Metamorfoses” (2023). Na ficção, escreveu obras como “Danielle, asperger” (2016) e “A Influenciadora e o Crítico” (2025).
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

