Branca de Neve e os Sete Anões: O horror surrealista e o triunfo da animação tradicional - O Mundo Autista
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Branca de Neve e os Sete Anões: O horror surrealista e o triunfo da animação tradicional

Leia a crítica de Branca de Neve e os Sete Anões (1937). Descubra como Walt Disney uniu horror, romance e técnica formidável neste clássico irretocável.

Leia a crítica de Branca de Neve e os Sete Anões (1937). Descubra como Walt Disney uniu horror, romance e técnica formidável neste clássico irretocável.

Leia a crítica de Branca de Neve e os Sete Anões (1937). Descubra como Walt Disney uniu horror, romance e técnica formidável neste clássico irretocável.

Dizer que Branca de Neve e os Sete Anões é um marco por ser o primeiro longa-metragem animado de Walt Disney é chover no molhado. O que, de fato, continua a impressionar com um frescor irretocável não é apenas a excelência técnica da animação em si, mas a forma estupenda como esses trunfos visuais servem a uma narrativa de densidade insuspeita. É uma obra que transita com uma fluidez formidável do romance mais doce ao horror surrealista, flertando abertamente com o suspense psicológico.

Do romance doce ao horror surrealista: A densidade do primeiro clássico, Branca de Neve e os Sete Anões

A premissa da rainha consumida pela vaidade que condena a própria enteada é o arquétipo definitivo dos contos de fadas. O que surpreende, revendo o filme hoje, é o domínio absoluto que os animadores já possuíam sobre a tensão e o perigo, contrastando-os magistralmente com uma pureza que dita a força da protagonista.

Sim, as noções de rivalidade feminina e o romance instantâneo acusam o peso da sua época, mas a essência do longa — a vitória da bondade genuína sobre a futilidade mesquinha — permanece inabalável. E, convenhamos: aquela sequência da transformação da Rainha na Bruxa Má carrega uma voltagem macabra de gelar a espinha, muito mais arrepiante do que a esmagadora maioria dos filmes de terror modernos.

A câmera multiplano e o DNA irretocável dos estúdios Disney em Branca de Neve e os Sete Anões

O universo criado por Disney aqui estabeleceu o mesmíssimo DNA que o estúdio usaria por décadas. A inovação da câmera multiplano confere ao cenário uma profundidade de campo que, em 1937, era nada menos que um deslumbre absoluto. Aliada a um desenvolvimento de personagens pautado por uma expressividade corporal brilhante — a interação com os anões é um charme à parte — e a números musicais que conduzem a trama com extrema graça, o resultado é um espetáculo de primeiríssima grandeza. Um triunfo estupendo que não apenas revolucionou a animação, mas a elevou ao status de arte indiscutível.

Avaliação

Avaliação: 5 de 5.
Sophia Mendonça

Autora

Sophia Mendonça é jornalista e escritora. Além disso, é mestre em Comunicação, Territorialidades e Vulnerabilidades (UFMG) e doutoranda em Literatura, Cultura e Tradução (UFPel). Ela também ministrou aulas de “Tópicos em Produção de Texto: Crítica de Cinema “na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), junto ao professor Nísio Teixeira. Além disso, Sophia dá aulas de “Literatura Brasileira Contemporânea “na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), com ênfase em neurodiversidade e questões de gênero.

Atualmente, Sophia é youtuber do canal “Mundo Autista”, crítica de cinema no “Portal UAI” e repórter da “Revista Autismo“. Aliás, ela atua como criadora de conteúdo desde 2009, quando estreou como crítica de cinema, colaborando com o site Cineplayers!. Também, é formada nos cursos “Teoria, Linguagem e Crítica Cinematográfica” (2020) e “A Arte do FIlme” (2018), do professor Pablo Villaça. Além disso, é autora de livros-reportagens como “Neurodivergentes” (2019), “Ikeda” (2020) e “Metamorfoses” (2023). Na ficção, escreveu obras como “Danielle, asperger” (2016) e “A Influenciadora e o Crítico” (2025).

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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