A parceria entre as gêmeas Ashley e Mary-Kate Olsen foi um deleite em várias produções para a televisão e o cinema entre os anos 1990 e 2000. Elas eram presença marcante no entretenimento infanto juvenil. Seus trabalhos incluem filmes ambientados em países como França e Itália e até um desenho animado que eu adorava quando criança. Para as telonas, fizeram a deliciosa comédia de humor nonsense No Pique de Nova York (2004) e, bem antes disso, o encantador As Namoradas do Papai (1995).
A Estreia de Andy Tennant e o Verdadeiro Coração do Filme
Esta foi, aliás, a estreia do diretor Andy Tennant, de Para Sempre Cinderela (1998), que é o meu filme preferido. As obras do cineasta geralmente trazem protagonismo feminino e muito calor humano. Este primeiro longa-metragem, contudo, não tem a mesma densidade do roteiro da adaptação do conto de fadas de Charles Perrault. A trama, afinal, recorre a artifícios como coincidências convenientes demais e personagens unidimensionais. Apesar disso, trata-se de uma obra genuinamente comovente. É que, por trás da fantasia infantil de juntar o casal perfeito, As Namoradas do Papai revela-se um filme sobre crianças tentando construir a família na qual desejam viver.
As Namoradas do Papai vs. Operação Cupido: A Troca de Identidades
As sósias Amanda e Alyssa parecem viver em extremos opostos. Assim, uma não tem dinheiro nem uma família que possa chamar de sua. Já a outra vive cercada de privilégios materiais. No entanto, ambas compartilham o desejo de pertencimento. A troca de identidades que ocorre entre elas permite que experimentem, ainda que temporariamente, aquilo que imaginam faltar em suas próprias vidas. Nesse sentido, é inevitável comparar a produção ao clássico Operação Cupido cuja versão de 1998, dirigida por Nancy Meyers, é particularmente notável. A diferença é que, aqui, tratam-se de duas sósias sem parentesco, e não de irmãs biológicas. Isso modifica o sentido afetivo da história.
Família por Afinidade e Escolha
Enquanto Operação Cupido parte da ideia de resgatar uma família original, As Namoradas do Papai sugere que a família também pode ser construída por escolha, afinidade e cuidado. Nos dois casos, as crianças assumem uma autoridade que os adultos parecem incapazes de exercer. Isso porque elas percebem antes deles quais relações merecem ser preservadas. No filme das irmãs Olsen, essa fantasia ainda nos permite imaginar que pessoas sem laços de sangue podem se reconhecer e, juntas, formar um verdadeiro lar.
Avaliação de As Namoradas do Papai: 7/10

Sophia Mendonça é jornalista e escritora. Além disso, é mestre em Comunicação, Territorialidades e Vulnerabilidades (UFMG) e doutoranda em Literatura, Cultura e Tradução (UFPel). Ela também ministrou aulas de “Tópicos em Produção de Texto: Crítica de Cinema “na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), junto ao professor Nísio Teixeira. Além disso, Sophia dá aulas de “Literatura Brasileira Contemporânea “na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), com ênfase em neurodiversidade e questões de gênero. Em 2025, Sophia apareceu na posição #57 da lista de 64 egressos notáveis da UFMG, divulgada pelo EduRank. Ao longo de sua trajetória ela ganhou diversos prêmios, incluindo o Grande Colar do Mérito de Belo Horizonte (2016), o Special Tribute do Erasmus+ (2019) e o de micro Influenciadores Digitais do Portal da Comunicação (2023)
Atualmente, Sophia é youtuber do canal “Mundo Autista”, crítica de cinema no “Portal UAI” e repórter da “Revista Autismo“. Aliás, ela atua como criadora de conteúdo desde 2009, quando estreou como crítica de cinema, colaborando com o site Cineplayers!. Também, é formada nos cursos “Teoria, Linguagem e Crítica Cinematográfica” (2020) e “A Arte do FIlme” (2018), do professor Pablo Villaça. Além disso, é autora de livros-reportagens como “Neurodivergentes” (2019), “Ikeda” (2020) e “Metamorfoses” (2023). Na ficção, escreveu obras como “Danielle, asperger” (2016) e “A Influenciadora e o Crítico” (2025).
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