Quando pensamos em comédias românticas, é fácil cairmos na clássica fórmula do casal repleto de desencontros ou movido por grandes mal-entendidos. No entanto, “A Sogra” diferencia-se como uma comédia de humor despretensiosa que encontra seu lugar ao tomar um caminho diferente. Isso porque a força da obra reside justamente na sua capacidade de subverter as convenções tradicionais do gênero. Em vez de focar nos desgastes habituais do casal protagonista, cuja união permanece blindada e livre de crises do início ao fim, o roteiro desloca o eixo de conflito inteiramente para a clássica e turbulenta rivalidade entre nora e sogra.
Sinopse de A Sogra: O Casamento Perfeito Contra a Pior Sogra do Mundo
Após anos de encontros desastrosos e de muita busca pelo parceiro ideal, a doce e batalhadora Charlotte “Charlie” Cantilini (Jennifer Lopez) finalmente acredita ter encontrado o homem dos seus sonhos: o belo e bem-sucedido cirurgião Kevin Fields (Michael Vartan). O relacionamento flui perfeitamente. Além disso, o amor entre os dois é inabalável e o tão aguardado pedido de casamento acontece.
No entanto, o pesadelo de Charlie começa quando ela conhece à mãe do noivo. Viola Fields (Jane Fonda) é uma lenda da televisão que acaba de ser demitida de seu famoso talk show. Ela lida com uma crise de identidade e um colapso nervoso. E teme a ideia de perder também a atenção do seu único filho para a nova namorada. Então, Viola toma uma decisão drástica. Assim, torna-se a pior sogra do mundo para sabotar o relacionamento e afastar Charlie para sempre.
O que se segue é uma batalha entre as duas. Com o apoio da cínica e leal assistente Ruby (Wanda Sykes), Viola elabora táticas insanas para enlouquecer a nora. Porém, quando Charlie percebe o jogo manipulador da matriarca, ela decide não se curvar e revida com a mesma intensidade. Com isso, a tela se transforma em um campo de batalha repleto de sabotagens, mentiras e pegadinhas durante os preparativos para o casamento.
Crítica A Sogra: O Duelo Hilário Entre Jennifer Lopez e Jane Fonda
A escolha narrativa de centrar-se na rivalidade entre nora e sogra confere um frescor inesperado à trama. Dessa forma, ela transforma a tela em um divertido campo de batalha familiar. Além disso, o filme aborda pautas como o etarismo enfrentado por mulheres na indústria do entretenimento e o abismo entre classes sociais. A obra utiliza essas questões como trampolim para o humor. Assim, cria uma experiência reconfortante e divertida.
Toda essa estrutura sustenta-se no duelo entre as protagonistas. De um lado, Jennifer Lopez traz seu carisma natural e acessível. Com isso, ela serve como uma âncora da narrativa. Do outro lado, Jane Fonda tem uma performance impagável na pele de uma ex-diva da TV e matriarca dominadora. Afinal, ela abraça o exagero e a vilania cômica.
Avaliação

Autora
Sophia Mendonça é jornalista e escritora. Além disso, é mestre em Comunicação, Territorialidades e Vulnerabilidades (UFMG) e doutoranda em Literatura, Cultura e Tradução (UFPel). Ela também ministrou aulas de “Tópicos em Produção de Texto: Crítica de Cinema “na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), junto ao professor Nísio Teixeira. Além disso, Sophia dá aulas de “Literatura Brasileira Contemporânea “na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), com ênfase em neurodiversidade e questões de gênero.
Atualmente, Sophia é youtuber do canal “Mundo Autista”, crítica de cinema no “Portal UAI” e repórter da “Revista Autismo“. Aliás, ela atua como criadora de conteúdo desde 2009, quando estreou como crítica de cinema, colaborando com o site Cineplayers!. Também, é formada nos cursos “Teoria, Linguagem e Crítica Cinematográfica” (2020) e “A Arte do FIlme” (2018), do professor Pablo Villaça. Além disso, é autora de livros-reportagens como “Neurodivergentes” (2019), “Ikeda” (2020) e “Metamorfoses” (2023). Na ficção, escreveu obras como “Danielle, asperger” (2016) e “A Influenciadora e o Crítico” (2025).
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