A Princesa e o Plebeu: O Equilíbrio Adorável de um Clássico com Audrey Hepburn - O Mundo Autista
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A Princesa e o Plebeu: O Equilíbrio Adorável de um Clássico com Audrey Hepburn

“A Princesa e o Plebeu” é de uma sofisticação exemplar. Anaálise o fenômeno Audrey Hepburn e por que este clássico de William Wyler continua irresistível.

"A Princesa e o Plebeu" é de uma sofisticação exemplar. Anaálise o fenômeno Audrey Hepburn e por que este clássico de William Wyler continua irresistível."A Princesa e o Plebeu" é de uma sofisticação exemplar. Anaálise o fenômeno Audrey Hepburn e por que este clássico de William Wyler continua irresistível.

"A Princesa e o Plebeu" é de uma sofisticação exemplar. Anaálise o fenômeno Audrey Hepburn e por que este clássico de William Wyler continua irresistível.

Vejam bem, falar de A Princesa e o Plebeu é falar de um filme que é, em uma palavra, adorável. E não se deixe enganar pela suposta simplicidade ou por esse ar despretensioso que a obra carrega. O que William Wyler faz aqui é de uma sofisticação e de um equilíbrio absolutamente exemplares, transformando o que poderia ser um passatempo comum em algo irresistível.

O Fenômeno Audrey Hepburn e o Luxo Opressor em A Princesa e o Plebeu

A trama nos apresenta à Princesa Ann, e é aqui que o mundo foi devidamente apresentado a esse fenômeno chamado Audrey Hepburn. Ela vive uma jovem sufocada pelo protocolo e por uma agenda de deveres que drenaria a energia de qualquer ser humano. Tudo é sublinhado por uma direção de arte luxuosa e pelos figurinos da lendária Edith Head — que, aliás, levou um de seus oito Oscars por este trabalho —, criando uma redoma de cristal que torna a fuga da protagonista não apenas compreensível, mas necessária.

Quando Ann se vê livre pelas ruas de Roma sob o efeito de sedativos e acaba encontrando o jornalista Joe Bradley, vivido por um Gregory Peck em estado de graça, o filme ganha uma vitalidade contagiante. O timing cômico de Peck é uma coisa extraordinária, especialmente naquela cena em que ele tenta inventar uma entrevista que nunca aconteceu. E a química que ele estabelece com Hepburn é o que sustenta a ideia, em tese inverossímil, de um grande amor nascer em apenas vinte e quatro horas. Hepburn, aliás, está uma luminosidade em cena. Ela traz uma dignidade e uma curiosidade infantil que impedem a personagem de cair no clichê da menina mimada.

A Princesa e o Plebeu: Um Desfecho de Elegância Rara no Cinema de Gênero

É claro que o roteiro de Ian McLellan Hunter e John Dighton se permite algumas licenças poéticas e pequenos furos, como o fato de eles passarem o dia todo sem comer ou a facilidade quase lúdica da fuga do palácio. Porém, nada disso importa diante da honestidade emocional que Wyler imprime em cada quadro, seja em diálogos rápidos ou na famosa briga à beira do rio. No fim das contas, o que realmente eleva este filme ao status de obra-prima é o seu desfecho, de uma coerência e de uma melancolia tão elegantes que hoje em dia parecem ter se perdido nos grandes estúdios, respeitando os personagens e, acima de tudo, a inteligência do espectador. É um clássico para ser guardado em um lugar muito especial da memória.

Avaliação

Avaliação: 4.5 de 5.
Sophia Mendonça

Autora

Sophia Mendonça é jornalista e escritora. Além disso, é mestre em Comunicação, Territorialidades e Vulnerabilidades (UFMG) e doutoranda em Literatura, Cultura e Tradução (UFPel). Ela também ministrou aulas de “Tópicos em Produção de Texto: Crítica de Cinema “na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), junto ao professor Nísio Teixeira. Além disso, Sophia dá aulas de “Literatura Brasileira Contemporânea “na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), com ênfase em neurodiversidade e questões de gênero.

Atualmente, Sophia é youtuber do canal “Mundo Autista”, crítica de cinema no “Portal UAI” e repórter da “Revista Autismo“. Aliás, ela atua como criadora de conteúdo desde 2009, quando estreou como crítica de cinema, colaborando com o site Cineplayers!. Também, é formada nos cursos “Teoria, Linguagem e Crítica Cinematográfica” (2020) e “A Arte do FIlme” (2018), do professor Pablo Villaça. Além disso, é autora de livros-reportagens como “Neurodivergentes” (2019), “Ikeda” (2020) e “Metamorfoses” (2023). Na ficção, escreveu obras como “Danielle, asperger” (2016) e “A Influenciadora e o Crítico” (2025).

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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