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Crítica | A Maldição da Múmia: Um pesadelo gore que tropeça no próprio sarcófago

Crítica de A Maldição da Múmia. O filme falha ao tentar misturar investigação sobrenatural, possessão e muito body horror.

Crítica de A Maldição da Múmia. O filme falha ao tentar misturar investigação sobrenatural, possessão e muito body horror.

A Maldição da Múmia é um filme que sofre enormemente para conciliar duas propostas distintas. Isso porque, de um lado, ele tenta ser uma investigação procedural sobrenatural sobre as origens de uma entidade; do outro lado, busca se consolidar como um espetáculo de terror corporal com foco na destruição de uma família no Novo México. O resultado é uma obra sem equilíbrio que testa a paciência e a suspensão da descrença do espectador.

A Premissa de A Maldição da Múmia: De Milagre a Banho de Sangue

A trama acompanha o drama e o desespero da família Cannon. Esta é formada pelo jornalista Charlie, sua esposa Larissa e seu filho Sebastian. O pesadelo tem início no Cairo, Egito, quando a filha caçula do casal, a pequena Katie, desaparece misteriosamente após ser aliciada por uma mulher local.

Oito anos após o sequestro, a família vive em Albuquerque, no Novo México (EUA), e tem uma nova filha pequena, Maud. Uma notícia inacreditável, entretanto, rompe a rotina. Katie foi encontrada viva. A descoberta é no mínimo bizarra. Afinal, a garota é resgatada em meio aos destroços de um trágico acidente de avião e trancada no interior de um gigantesco e ancestral sarcófago de granito maciço que resistiu intacto à queda. Katie encontra-se catatônica e com o corpo em um estado de decomposição grotesco. E os seus pais decidem levá-la para o conforto de sua casa suburbana.

No entanto, o que parecia milagroso, rapidamente se transforma em um banho de sangue. Isso porque a família descobre da pior forma que a garota que trouxeram para casa não é mais a sua filha. Trata-se, na verdade, do hospedeiro de uma força maligna milenar que degrada o corpo de Katie assustadoramente. Isolados, os pais precisam lutar pela própria sobrevivência e pela vida de seus outros filhos. Enquanto isso, no Egito, a detetive Dalia tenta desvendar a mitologia e o verdadeiro ritual por trás do que aconteceu com a garota anos atrás.

Excesso de Duração e Falta de Peso Dramático predica A Maldição da Múmia

Com exaustivos 134 minutos, o filme é longo demais. Muito desse tempo é desperdiçado tentando explicar detalhadamente as complexas regras da maldição. O que resulta em uma total ausência de peso dramático. Isso porque a dinâmica da família que tenta lidar com o retorno da filha desaparecida não transmite urgência ou tensão emocional autêntica. A impressão é que os personagens servem apenas às cenas sádicas do diretor Lee Cronin.

A Maldição da Múmia é Um Festival Gore que Beira o Ridículo

Para piorar, a suspensão da descrença exigida pelo roteiro é tão imensa que chega a causar incômodo. Além disso, o longa peca pelo exagero absurdo na maquiagem e no uso excessivo de nojeiras. Então, em vez de causar medo, o gore cruza rapidamente a linha do ridículo. Aliás, a aparência de Katie é tão grotesca desde o começo que é impossível o público comprar a ideia de que os pais acreditariam ser viável, ou até mesmo são, cuidar dela em casa. Isso porque a jovem perde pedaços da pele, vomita constantemente, come escorpiões e se move como um animal selvagem. Mesmo diante desse cenário bizarro, não há qualquer busca por apoio médico, psicológico ou intervenção governamental por parte dos pais.

Identidade Confusa

Outro grande problema é o esvaziamento do sentido temático. As referências centrais da obra não remetem a filmes de terror arqueológico. Na verdade, o longa é estruturado quase que inteiramente sob a herança dos tradicionais “filmes de casa com pessoa possuída“, como “O Exorcista”. Dessa forma, a conexão com a arqueologia é praticamente inexistente na prática. Assim, a subtrama no Egito serve apenas como um pretexto narrativo para justificar o monstro. Sem contar que as explicações do ritual são extremamente rasas. No fim das contas, A Maldição da Múmia tenta abraçar uma mitologia ancestral, mas revela-se apenas um festival genérico e ilógico de sangue dentro de uma casa no subúrbio.

Avaliação: 2/10

Vìdeo – A Maldição da Múmia

Sophia Mendonça

Sophia Mendonça é jornalista e escritora. Além disso, é mestre em Comunicação, Territorialidades e Vulnerabilidades (UFMG) e doutoranda em Literatura, Cultura e Tradução (UFPel). Ela também ministrou aulas de “Tópicos em Produção de Texto: Crítica de Cinema “na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), junto ao professor Nísio Teixeira. Além disso, Sophia dá aulas de “Literatura Brasileira Contemporânea “na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), com ênfase em neurodiversidade e questões de gênero. Em 2025, Sophia apareceu na posição #57 da lista de 64 egressos notáveis da UFMG, divulgada pelo EduRank. Ao longo de sua trajetória ela ganhou diversos prêmios, incluindo o Grande Colar do Mérito de Belo Horizonte (2016), o Special Tribute do Erasmus+ (2019) e o de micro Influenciadores Digitais do Portal da Comunicação (2023).

Atualmente, Sophia é youtuber do canal “Mundo Autista”, crítica de cinema no “Portal UAI” e repórter da “Revista Autismo“. Aliás, ela atua como criadora de conteúdo desde 2009, quando estreou como crítica de cinema, colaborando com o site Cineplayers!. Também, é formada nos cursos “Teoria, Linguagem e Crítica Cinematográfica” (2020) e “A Arte do FIlme” (2018), do professor Pablo Villaça. Além disso, é autora de livros-reportagens como “Neurodivergentes” (2019), “Ikeda” (2020) e “Metamorfoses” (2023). Na ficção, escreveu obras como “Danielle, asperger” (2016) e “A Influenciadora e o Crítico” (2025).

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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