Descobri a importância da psiquiatria no tratamento do autismo ao conhecer minha psiquiatra. Ela me foi indicada, à época, pelo psicólogo de minha filha. Aliás, foi muito bem recomendada por sua competência em avaliar e diagnosticar adultos autistas. Fato! Mas não foi isso que me chamou a atenção.
Psiquiatria, autismo, empatia e compaixão
O que me encantou, de plano, foi seu acolhimento. Ou melhor, mais que isso, o que me encantou foi sua escuta sem julgamentos. Senti profunda gratidão pois o protocolo exigia de mim, o retorno a memórias sofridas. Foram várias consultas e testes, em que ela me conduziu com uma presença pacificadora.
Compaixão, eis o diferencial
Eu já sabia que existe uma terapia com o foco na compaixão. Numa pesquisa rápida, podemos entender que a Terapia Focada na Compaixão (TFC) ensina a cultivar a autocompaixão e a compaixão pelos outros, exatamente para reduzir a autocrítica e a vergonha. Dessa forma, é possível promover o bem estar emocional e a segurança interna. E isso era o que eu mais precisava. Foi dessa forma que eu tive um suporte gentil e encorajador.
Psiquiatria e o autismo no final das contas
Foi dessa maneira que tive certeza de que a importância da psiquiatria no tratamento do autismo, na verdade, está em nossa humanidade. Essa relação se torna vitoriosa na parceria entre o profissional humano e o paciente idem. Sem mistérios, creia. Não estou me referindo a intimidade, ti-ti-tis ou coisa que o valha. Eu falo de humanismo, de conexão genuína, de competência no fazer e, sobretudo, no como fazer. No texto abaixo, dra. Giovana Mol explica:
Por que atender como psiquiatra e ser mãe me acolhe em minhas próprias dores?
É impressionante o quanto a conexão e a companhia são curativas. Ou seja, escuto no consultório e em minhas filhas algumas dores que também sinto e me percebo acolhendo ambos: eu e eles. Uma filha tem disfunção executiva e não consegue organizar seus materiais sozinha. Aliás, é considerada a bagunceira da sala. Poucos a acolhem e compreendem, mas conseguimos ajudá-la a se organizar com técnicas e nomeação de dificuldades.
Eu não consigo manter a atenção no paciente e no computador ao mesmo tempo e tudo bem: eu escrevo depois. Uma paciente queixa de solidão em suas ideias complexas e em dificuldade com o sentido da vida. Minha filha chorava aos 4 anos em relação a esse tal sentido e eu também. aos 6. Por isso, tenho feito grupos com pessoas que sentem dores semelhantes! Porque me sinto acolhida por entender suas dores. tão humanas e semelhantes. E a cura começa pela nomeação das situações, permissão pelo sentir e companhia. Ah, e muito respeito! Muito.

Giovana Mol, psiquiatra e psicogeriatra, mestre em neurociências e apaixonada por cuidar de neurodivergência. Ela é diretora @nucleoallerevita .
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

