A Genialidade Escondida de 'Deu a Louca na Chapeuzinho' - O Mundo Autista
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A Genialidade Escondida de ‘Deu a Louca na Chapeuzinho’

Descubra por que Deu a Louca na Chapeuzinho (2005) é uma obra-prima do roteiro. Uma crítica sobre a animação que misturou contos de fadas, comédia e mistério!

Deu a Louca na Chapeuzinho (2005) é uma obra-prima do roteiro. Uma crítica sobre a animação que misturou contos de fadas, comédia e mistério!

Deu a Louca na Chapeuzinho (2005) é uma obra-prima do roteiro. Uma crítica sobre a animação que misturou contos de fadas, comédia e mistério!

Logo nos primeiros minutos de Deu a Louca na Chapeuzinho (2005), um personagem nos entrega a premissa de ouro da obra: “não basta analisar um livro pela capa, é preciso folhear as páginas”. Essa constatação não apenas dá início a uma sátira de conto de fadas audaciosa — capaz, para muitos, de superar a irreverência de qualquer filme da franquia Shrek —, mas também serve como um aviso literal para o público. Então, ao folhear essas páginas,  descobrimos que, por trás de uma capa tecnicamente imperfeita, esconde-se uma verdadeira obra-prima do roteiro animado.

O Elefante na Sala: A Estética vs. A Genialidade de Deu a Louca na Chapeuzinho

Para apreciar o brilhantismo desta releitura impagável, é preciso um pequeno esforço inicial do espectador: superar o estranhamento visual. Afinal, a animação sofre com texturas pouco elaboradas e movimentos de personagens que, muitas vezes, soam duros e pouco convincentes. O filme inteiro, entretanto, é um banho de criatividade que compensa — e muito — a pobreza de recursos. Por exemplo, a direção utiliza movimentos de câmera altamente inventivos para driblar a falta de um maior apuro técnico.

O Efeito ‘Rashomon’ no Conto de Fadas Deu a Louca na Chapeuzinho

A maior prova da sofisticação deste longa-metragem está em sua estrutura narrativa. Inspirando-se fortemente no clássico Rashomon, do mestre Akira Kurosawa, o roteiro conta a mesma história a partir de múltiplos pontos de vista. À medida que conhecemos essas novas perspectivas, o mistério e o suspense policial vão se encaixando de maneira elegante. Além disso, novas camadas são adicionadas aos personagens e ao enredo. Assim, o filme mostra-se capaz de subverter completamente as expectativas do imaginário coletivo. Sem contar que a revelação de cada ponto de vista gera rimas narrativas hilárias e provoca verdadeiras gargalhadas.

Carisma, Música e Metalinguagem em Deu a Louca na Chapeuzinho

Essa inteligência transborda do roteiro para o elenco. O carisma surpreendente do filme se estende desde a protagonista até os coadjuvantes mais inusitados. Estão lá as cenas inspiradas no suspense policial, as elegantes e divertidas rimas com os acontecimentos, as canções agradáveis e bem posicionadas e os deliciosos elementos metalinguísticos.

Neste contexto, aliás, destaca-se a Vovó. Essa personagem rouba a cena e a construção de sua relação com a Chapeuzinho traz um toque humano e tocante para o meio de todo o caos cômico.

O Veredito 

Deu a Louca na Chapeuzinho consegue a proeza rara de soar, simultaneamente, como duas coisas distintas e que parecem paradoxais. O filme é um besteirol absurdo, quase uma versão infantil das clássicas paródias protagonizadas por Leslie Nielsen (Corra que a Polícia Vem Aí!) ou Anna Faris (Todo Mundo em Pânico). Ao mesmo tempo, revela-se uma desconstrução humorística inteligente que brinca de modo absolutamente brilhante com os gêneros da comédia, da fantasia e do suspense policial.

Avaliação

Avaliação: 4 de 5.
Sophia Mendonça

Autora

Sophia Mendonça é jornalista e escritora. Além disso, é mestre em Comunicação, Territorialidades e Vulnerabilidades (UFMG) e doutoranda em Literatura, Cultura e Tradução (UFPel). Ela também ministrou aulas de “Tópicos em Produção de Texto: Crítica de Cinema “na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), junto ao professor Nísio Teixeira. Além disso, Sophia dá aulas de “Literatura Brasileira Contemporânea “na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), com ênfase em neurodiversidade e questões de gênero.

Atualmente, Sophia é youtuber do canal “Mundo Autista”, crítica de cinema no “Portal UAI” e repórter da “Revista Autismo“. Aliás, ela atua como criadora de conteúdo desde 2009, quando estreou como crítica de cinema, colaborando com o site Cineplayers!. Também, é formada nos cursos “Teoria, Linguagem e Crítica Cinematográfica” (2020) e “A Arte do FIlme” (2018), do professor Pablo Villaça. Além disso, é autora de livros-reportagens como “Neurodivergentes” (2019), “Ikeda” (2020) e “Metamorfoses” (2023). Na ficção, escreveu obras como “Danielle, asperger” (2016) e “A Influenciadora e o Crítico” (2025).

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

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