Sobre A arte de não se igualar ao que nos fere. Ontem, assisti a uma cena de ficção que ecoou dolorosamente na realidade. Em “Dona Beija” (2026), nova novela da HBO Max, uma personagem é julgada, humilhada e empurrada pela sociedade exata para o lugar que diziam que ela pertencia. Então, ao ser rejeitada por não corresponder a um ideal de pureza arcaico, ela não teve outra escolha senão o exílio moral. O que choca não é apenas crueldade dos algozes, mas a cumplicidade silenciosa de quem observa e julga.
De Dona Beija à realidade profissional: Quando narrativas tentam nos apagar
Essa narrativa me fez refletir sobre quantas vezes, na vida profissional e pessoal, mãos alheias nos desenham. Afinal, criam-se narrativas sobre nós — de que somos “difíceis”, “ingratos” — quando, na verdade, apenas nos recusamos a ser degrau para o ego alheio ou a aceitar o inaceitável em silêncio.
Portanto, existe uma beleza trágica e potente na resposta de Beja ao receber fezes de seus vizinhos: “Obrigada pelo adubo; retribuo com rosas, porque cada um dá o que tem”. Essa frase, afinal, é a síntese da verdadeira vitória. Isso porque vencer é recusar-se a permitir que a amargura alheia contamine a sua essência.
A resposta pela excelência: Como transformar difamação em crescimento e A arte de não se igualar ao que nos fere
Tenho buscado essa transgressão pelo trabalho. Por isso, inspiro-me em figuras que transformaram difamação em sucesso e reconhecimento. Com isso, percebo que a melhor resposta é a excelência. Assim, se tentam apagar nossa presença ou reescrever nossa história, respondemos construindo novos capítulos.
No fim, a coerência é o travesseiro mais macio. Não estou aqui para competir por espaços que, muitas vezes, são mantidos à base de hipocrisia. Estou aqui para oferecer o meu melhor. E retribuir com rosas, independentemente do adubo que tentem jogar no meu jardim.
Post – “A arte de não se igualar ao que nos fere”

Autora
Sophia Mendonça é jornalista e escritora. Além disso, é mestre em Comunicação, Territorialidades e Vulnerabilidades (UFMG) e doutoranda em Literatura, Cultura e Tradução (UFPel). Ela também ministrou aulas de “Tópicos em Produção de Texto: Crítica de Cinema “na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), junto ao professor Nísio Teixeira. Além disso, Sophia dá aulas de “Literatura Brasileira Contemporânea “na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), com ênfase em neurodiversidade e questões de gênero.
Atualmente, Sophia é youtuber do canal “Mundo Autista”, crítica de cinema no “Portal UAI” e repórter da “Revista Autismo“. Aliás, ela atua como criadora de conteúdo desde 2009, quando estreou como crítica de cinema, colaborando com o site Cineplayers!. Também, é formada nos cursos “Teoria, Linguagem e Crítica Cinematográfica” (2020) e “A Arte do FIlme” (2018), do professor Pablo Villaça. Além disso, é autora de livros-reportagens como “Neurodivergentes” (2019), “Ikeda” (2020) e “Metamorfoses” (2023). Na ficção, escreveu obras como “Danielle, asperger” (2016) e “A Influenciadora e o Crítico” (2025).
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

